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LEVI VASCONCELOS

Forró, a cultura que atrai muita gente e dinheiro também

Confira a coluna de Levi Vasconcelos deste domingo, 18

Levi Vascocelos, com colaboração de Marcos Vinicius
Por Levi Vascocelos, com colaboração de Marcos Vinicius
Turistas são recepcionados ao som do autêntico forró ao desembarcarem no Aeroporto de Salvador.
Turistas são recepcionados ao som do autêntico forró ao desembarcarem no Aeroporto de Salvador. - Foto: Laís Rocha/Setur-BA

A Secretaria de Turismo da Bahia botou no Aeroporto de Salvador e na Rodoviária equipes para receber os visitantes que buscam o forró. De saída, um petisco junino ao som de uma sanfona, e também são orientados sobre como chegar no lugar escolhido, como se hospedar e por aí.

Não é pouca gente. No embalo do trio Santo Antônio, São João e São Pedro em mais de 300 municípios com grandes festas — e em todos, contando as pequeninas —, aqui chegam 2,5 milhões de visitantes. A força da cultura do forró irriga milhares de cofres baianos com uma boa bolada: algo em torno de R$ 2,5 bilhões, segundo as projeções da Setur-Ba.

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INDÚSTRIA

Como indústria é tudo aquilo que o homem pega em matéria e transforma em mercadorias, turismo é indústria — a do entretenimento, que logo de cara deixa uma boa lição: quando alguém está se divertindo, alguém está trabalhando.

No caso do São João, ou dos festejos juninos, Maurício Bacelar, o secretário do Turismo do Estado, destaca o caráter democrático dos benefícios:

“As pessoas plantam milho, plantam amendoim, fazem o licor e sempre tem quem compre. De forma que tudo acaba ganhando a sua pontinha e a alegria fica bem mais abrangente.”

IMPOSTO

O governo investe na festa, principalmente em atrações, mas também com o pessoal da segurança e da saúde (o que inclui atendimento especializado para queimados), mais de R$ 200 milhões; mas também acaba ganhando.

O forró representa 15% da arrecadação de ISS do Estado, um tipo de imposto que é muito mais forte nas prefeituras, que também investem pesado no evento e têm o seu retorno como ponto importante na economia. O certo é que a festa colou.

O primeiro registro de um festejo junino na Bahia é de 1583. Os colonizadores trouxeram a festa, depois a sanfona, mas desde sempre os índios entraram queimando fogueiras, e o negro escravizado também. E foi daí que nasceu o nosso licor.

EM SAJ

Em Santo Antônio de Jesus, que faz uma das grandes festas da Bahia, o advogado José Reis Filho, também ex-vereador, conta que o forró lá existe desde sempre, até que deu uma virada:

— Antigamente era uma festa para visitas de casa em casa, quando os abastados abriam os seus salões nobres. Hoje nem se compara.

Ele lembra Álvaro Bessa, então prefeito, que passou a festa para a Associação Comercial, que ganhou dinheiro, mas o povo não gostou, até que Euvaldo Rosa, outro prefeito, retomou.

— Na época da Associação Comercial perdemos o protagonismo para Amargosa e Cruz das Almas. Hoje, Santo Antônio faz um dos maiores do Brasil, o 3º maior São João, só perde para Caruaru, em Pernambuco, e Campina Grande, na Paraíba.

Na Bahia, Senhor do Bonfim, Irecê, Amargosa, Cruz das Almas e Ibicuí competem para ver quem faz melhor.

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POLÍTICA COM VATAPÁ

O Jeep de Melissan

João Cardoso dos Santos, prefeito de Valença duas vezes, tinha um hábito particular: sempre atender todos que o procuravam na Prefeitura. Acabava o expediente, a antessala do gabinete lotada, ele saía atendendo no atacado: "E você?". A pessoa falava, de papel e caneta em punho escrevia algo, repassava: "Procure fulano".

Chegou a vez de um cidadão chamado Melissan:

— E você, Melissan?

— Eu vim aqui ver aquele negócio que o senhor me prometeu.

— Ô Melissan, me lembre aí o que foi que eu lhe prometi. Não estou recordando...

— Foi na campanha. O senhor disse que, se ganhasse a eleição, me dava um Jeep.

E Cardoso, botando a mão na cabeça:

— Oh, Melissan!... E você acreditou?! É incrível, Melissan! Eu não acredito que você tenha acreditado!

E olhando para os que estavam ao lado:

— Olha, gente. Ele acreditou... E eu fico besta de ver uma dessa.

E Melissan acreditou tanto que saiu xingando.

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Festas juninas São João Turismo na Bahia

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