LEVI VASCONCELOS
Futebol, o espetáculo que encanta nos quatro cantos do planeta
Confira a coluna de Levi Vasconcelos deste domingo


Com 78 anos de idade, 56 de crônica esportiva, e a autoridade de quem já cobriu 7 Copas do Mundo, o jornalista Mário Freitas dá o diagnóstico para o desempenho do Brasil na Copa que chega ao fim hoje com Argentina x Espanha:
– O time era muito ruim. Numa seleção das antigas o único que entraria ali era Vini Jr, e assim mesmo no banco.
Ele lista muitos craques que ficaram fora e com o interesse desde menino pelo futebol, lamenta:
– Tinha muito jogador que eu nunca nem ouvi falar.
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BOM É GANHAR — Nas suas andanças pelas Copas, viu o Brasil ser campeão em 1994 nos EUA e em 2002 na Coreia-Japão. Era alegria geral, lá e cá.
E a seleção de 70, no México, não teria sido a melhor, com Pelé, Jairzinho, Tostão e Gerson? O time era muito bom, quando o jogo começava os bares da vida viravam uma festa que acabou com um imenso carnaval no dia 21, quando sagrou-se campeão dando 4 a 1 na Itália.
— A de 2002 ganhamos nos pênaltis e a alegria foi geral. Ganhar bonito é muito bom, mas o bom mesmo é ganhar.
PREJUÍZO — Como este ano a alegria durou pouco, o prejuízo foi geral, do vendedor de camisetas até aos veículos comunicação. Rádio e televisão, como negócio, é literalmente uma questão de tempo. Todos estão no ar o tempo todo sempre apresentando algo para segurar sua audiência.
Passou o tempo, não faturou, perdeu. E é ai que o futebol entra em campo bonito, é a única atração que garante audiência em todo o planeta.
Mário Freitas lembra que não só no Brasil, vitorioso em cinco, o maior, das 22 Copas do Mundo até hoje realizadas (a Alemanha tem quatro títulos e a Itália também, a Argentina três e a Espanha um), mas em todo o planeta, o futebol só cresce.
É a única atração que garante audiência em todos os pontos do mundo. E a participação de seleções em Copas também só aumenta. Em 1930, a primeira, tinha 13, em 1934 foram 16, já em 1992 e 1994 foram 24, em 2022 já subiu para 32 e este ano 48, com a ressalva que a Fifa já admite botar 64 em 2030, 100 anos depois da primeira.
NAS REDES - O detalhe é que o futebol se harmoniza fácil com os novos tempos da sociedade em rede, como observa Mário Freitas.
Pode olhar nas redes sociais, sempre no mix de atrações estão um golaço ou uma bela jogada, venha de onde vier, o que importa é o lance.
E já que o Brasil vive os tempos do técnico italiano Carlos Ancelotti, que, segundo Mário Freitas, não disse a que veio e ele é contra que fique, convém lembrar que hoje vai rolar alegria intensa advinda da Copa, mas na Argentina ou na Espanha.
Em 2025, as estrelas foram Messi, da Argentina, e Mbappé, da França. O Brasil carrega a honra de ter o Rei Pelé como uma das maiores figuras de todos os tempos no futebol. E, por falta de opção, vamos ao único jeito possível esperar 2030.
POLÍTICA COM VATAPÁ
Os gols de Simas
Copa de 1970, no México, da qual o Brasil sairia tri campeão mundial. Jorge Calmon, diretor de redação de A TARDE, por todos carinhosamente chamado de Dr. Jorge, reuniu as equipes que iriam trabalhar na cobertura, deu a missão para Simas, cartunista e desenhista (hoje design) de mão cheia:
— Eu quero que você faça os desenhos dos gols como eles aconteceram.
Estreia, Brasil 4 x 1 Itália (gols de Pelé, Rivelino e Jairzinho - 2).
Dia seguinte (7 de junho) Dr. Jorge abriu o jornal, nada de gols. Chegou na redação, na vista de todo mundo, dirigiu a palavra a Simas:
— Simas, o Brasil jogou ontem!
— Eu sei, Dr. Jorge.
— E cadê os seus gols?
— Eu não entrei campo não, Dr. Jorge.
Dr. Jorge virou as costas de cara fechada, saiu, a bolsa de apostas rolou na redação, com 100% cravando que Simas seria sumariamente demitido. Não foi. Perguntaram a Dr. Jorge, que brincou:
— Na minha Seleção, ele não entra mais.
COLABOROU: MARCOS FREITAS*


