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Itaitu, onde a pureza das águas dá polarização com Embasa e in natura

Confira coluna de Levi Vasconcelos deste domingo, 28

Levi Vasconcelos, com colaboração de Marcos Freitas
Por Levi Vasconcelos, com colaboração de Marcos Freitas
Itaitu, em Jacobina
Itaitu, em Jacobina - Foto: Flavimir Guimarães | Divulgação

Itaitu, povoado de Jacobina, a 20 km da sede, vive um momento absolutamente diferenciado no Brasil. A população, habituada a consumir água in natura, lá está dividida numa polarização entre instalar a Embasa ou não.

O lugar, palco da belíssima cachoeira Véu de Noiva, nas cercanias da Serra do Ouro, na Chapada Diamantina, é borrifada por uma série de riachos irrigados pelo Rio Itapicuru de onde brotam mais de 40 cachoeiras. Um deleite para os amantes da natureza pura. E é na beleza que o problema começa.

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Itaitu virou point de lazer. No fim de ano, enche. No São João também. No verão os riachos baixam o fluxo e o consumo aumenta, em junho tudo bem. O asfalto chegou em 2023 e a população bem mais que triplicou, saltou de em torno de 200 habitantes no início do século para 800 em 2020 e mais de dois mil hoje.

Roque e Tereza – Ou seja, os defensores da Embasa dizem que os riachos não aguentam, a solução é puxar água da Barragem de Cachoeira Grande, que abastece toda a região menos Itaitu (e de cachoeira só tem o nome). Os contra postam nas portas a mensagem: Embasa não.

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Roque Gomes da Silva, o Roque, e a mulher dele, Tereza Sampaio dos Santos, ele 58 anos, ela 55, ambos nascidos e criados lá, ele ainda trabalhador nas fazendas da área que em dias de festa leva ela para vender água de côco e afins nas bordas da Véu de Noiva, conhece bem o lugar e diz que não se mete na briga, mas ressalva:

– Agora, isso aqui antes era um lugarzinho e depois do asfalto a população disparou.

Tereza também fala que não se envolve na polêmica, mas se diz em dúvida.

– Eu sempre consumi a água natural, criei os meus filhos assim e nunca tive problemas. Mas outro dia eu botei um filtro na água e vi que ela vinha com muitos pequenos detritos e fiquei a me perguntar: será que isso não nos faz mal?

O Ministério Públicou já ajuizou ação lutando para preservar a cachoeira Véu de Noiva. Tudo caminha no rumo do melhor dos ajustes, a preservação da natureza agora ameaçada justamente por quem lá vai em busca de tranquilidade in natura.

Aliás, Roque lembra que a Véu de Noiva entra em cena como uma vedete, mas muitos dos que vão a Vila de Itaitu correm atrás de fazer trilhas, outra especialidade dele, na orientação.

– Aqui a gente vive esse dilema, o lugar é bonito e por isso atrai gente que abastece a economia e vira ameaça.

POLÍTICA COM VATAPÁ

Quem aguenta?

Irecê, grande produtor de feijão nos anos 80, entrou em crise. A seca bateu e devastou tudo. Os ministros Delfim Neto, da Agricultura, e Mário Andreazza do Interior, baixaram lá.

Num momento da reunião com produtores, Ineni Dourado, prefeito de Irecê, que dividia a mesa com os ilustres convidados, mais ACM, afastou-se um pouco para conversar com alguém na ponta do palco.

Antonio Honorato, prefeito de Jussara, rico, analfabeto, gordão e bonachão, viu o lugar vago... purucutu. Se abancou.

Ficou conversando de pé de ouvido com Delfim. O que ele dizia não se sabe. Só se via, em plena reunião, o ministro esbaldando-se em gostosas risadas ou gargalhadas contidas.

De repente foi passando uma adolescente em frente ao palco, Honorato fez a questão de ordem ao seu modo:

– Ô minha fia. Vai buscar uma sandália pro teu velho pai porque esse sapato que você me arranjou nem a desgraça aguenta!

Quem não aguentou foi Delfim. Quase se poca.

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