LEVI VASCONCELOS
No forró baiano, Corte de Pedra nos dá o Bufa Pinga, cultura única
Confira coluna de Levi Vasconcelos deste sábado, 27


Os festejos juninos vieram para o Brasil trazidos pelos portugueses, herança bendita, com o primeiro registro de índios queimando fogueiras em 1583, mas, definitivamente, encruou na alma nordestina de tal forma que todo lugar, de cabo a rabo na Bahia, faz seu forró.
Corte de Pedra, povoado de Presidente Tancredo Neves, no Baixo Sul, por exemplo, faz o Forró do Pinga Fogo com duas marcas próprias:
1 - O Bufa Pinga, bloco com banda e tudo, mais um caixão de defunto acompanhando, sai de casa em casa bebendo, o primeiro que se embriaga é posto no caixão e levado para casa;
2 - Quadrilha das Cachorronas, formada 100% por homens vestidos de mulheres, que este ano atrasou a apresentação para esperar o jogo Escócia x Brasil, que deu 3 a 0 e esquentou a festa.
Mudança – Julival Firme Alegria, um dos fundadores do Bufa Pinga, que sai há mais de 50 anos, diz que as circunstâncias forçaram uma mudança na tradição:
– Antes, a gente deixava o defunto no cemitério, mas deu rolo, uma das viúvas quebrou o pau, e agora a gente leva em casa.
O fato é que o Bufa sempre sai com recursos dos associados e está aí. Julival, que também há mais de 50 anos organiza o pau-de-sebo, coloca no topo do mastro prêmios que variam de R$ 800 a R$ 1.200, este ano foi R$ 800. Mas, Carlos Neto, 32 anos, que consorciado com amigos ganhou os últimos seis anos, diz que vale o esforço:
– Além da grana tem mais quatro caixas de cerveja. A nossa festa sai 0800.
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Ponte começará oficialmente quarta, na ilha, em Vera Cruz
Conforme antecipamos semana passada, Lula e Jerônimo vão dar o start da ponte Salvador-Itaparica quarta, no canteiro de obras em Vera Cruz, com os dois lá.
Detalhe curioso: sabe por que vai ser em Vera Cruz? Porque o canteiro de Salvador ainda não tem licença da prefeitura, um indicativo de que a picuinha política entrou na parada.
Nem por isso o momento deixa de ser histórico. A ponte é inevitável, e o exemplo disso foi o sufoco pleno da BR-324, a Salvador-Feira, agora no São João. Simplesmente travou, prova que a capital baiana e cercanias já não estão suportando o número de veículos que possuem.
Segundo Carlos Prates, porta-voz do consórcio chinês, do ponto de vista deles está tudo dentro do cronograma. Até dezembro chegarão mais oito equipamentos para trabalhar na obra.
O caos tomou a Av. Paulo VI
Para moradores da Av. Paulo VI, na Pituba, onde fica o antigo prédio dos Correios, agora arrematado em leilão pela Moura Dubeax, a prefeitura de Salvador deveria aproveitar o embalo da privatização para tentar reorganizar o trânsito na área.
Eles dizem que entrar e sair de casa virou sufoco, como fala Afrânio Silva:
– Simplesmente parece que é um local esquecido. O trânsito cada dia mais caótico e não vemos ação do poder público.
No geral deu forró, o que virá ainda não se sabe...
Todas as vezes que políticos se reuniam no entorno do forró que sacudiu os quatro cantos da Bahia um assunto sempre entrava em pauta, o caso de Jaques Wagner com o Banco Master. Vai atingir o lado eleitoral? Se disse que no Piauí atingiu, mas, lá, o senador Ciro Nogueira (PP) saiu mais melado do que pau de galinheiro, na Bahia ainda não se sabe, até porque o caso Master pegou Wagner, mas não foi tão melado assim.
E é justo por isso que está todo mundo focado nas próximas pesquisas para ver no que vai dar, mas, em Feira de Santana, em pleno forró, um aliado do PT bradou:
– Uma coisa é certa, para nós agora é a vez do forró, com Wagner em 2026 foi forrobodó.
POLÍTICA COM VATAPÁ
Massa e plebe
Ditadura e censura são irmãs siamesas, andam irremediavelmente juntas. Início dos anos 1940, a ditadura de Getúlio Vargas tinha um dos tentáculos na redação do jornal O Estado da Bahia, apoquentando a vida do jornalista e médico Ruy Santos, secretário de redação (depois seria prefeito de Salvador, deputado federal cinco vezes e senador). Indagava ele ao censor:
– Me explique, amigo. Por que eu não posso usar a palavra massa?
– O termo é suspeito.
– Nem numa reportagem sobre padarias?
– Em lugar algum. Massa pressupõe agitação. Se vocês pensam que me enganam com esses ardis, bateram na porta errada.
Ruy franziu o cenho, olhou o censor, ironizou:
– O nome do nosso endereço telegráfico é “plebe”. Só espero que vocês não queiram tirá-lo também.
E o censor, com ares de quem descobriu a pólvora:
– Menino, eu não tinha visto isso! Até nos endereços eles se infiltram... Plebe envolve agitação, é a mesma coisa de massa. Você vai tirá-lo, e é já!


