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MADE IN BAHIA

Tecnologia: uma nova força de desenvolvimento da Bahia

Presidente da Assespro-BA aponta caminhos para transformar ativos locais em riqueza

Renato Carneiro*
Por Renato Carneiro*
Presidente da Assespro na Bahia, Renato Carneiro
Presidente da Assespro na Bahia, Renato Carneiro - Foto: Divulgação

A Bahia tem potencial enorme para transformar tecnologia em desenvolvimento econômico. Temos energia renovável, agronegócio tecnológico, universidades, talentos e empresas que já provaram capacidade de competir nacionalmente. O desafio é transformar esses ativos em um ecossistema.

O exemplo mais promissor está na energia. A Bahia pode deixar de ser apenas produtora de energia renovável e passar a hospedar a infraestrutura digital que o Brasil precisará. O projeto da Renova Energia, em Igaporã, mostra que já começou: a Goldwind, maior fabricante de turbinas eólicas do mundo, escolheu Camaçari para sua primeira fábrica fora da China, e a Windey, terceira maior do setor, também anunciou investimento no mesmo polo. Data centers podem transformar essa vantagem em infraestrutura digital, investimentos e empregos.

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Essa oportunidade traz uma discussão que ultrapassa a Bahia: a soberania digital. Como presidente da ASSESPRO-BA, levo ao debate uma preocupação da Confederação: como garantir que a expansão da infraestrutura digital brasileira fortaleça a indústria nacional?

Não se trata de fechar o mercado ao investimento estrangeiro, mas de assegurar participação e competitividade às empresas brasileiras em áreas como cloud, IA, cibersegurança e software.

O agronegócio é outro exemplo. O Oeste baiano tem uma das agriculturas mais modernas do país e usa tecnologia em larga escala, mas parte relevante das soluções vem de fora. A oportunidade está em capturar mais valor: desenvolver tecnologia aqui e gerar empregos qualificados e propriedade intelectual.

A Bahia já provou que é capaz de produzir tecnologia. Temos empresas consolidadas como Solutis e DATEN, referência nacional; a IPQ, com tecnologia de segurança pública adotadapor outros estados; e a ZCR, que chegou a exportar software para a Europa. A nova geração também mostra força, com a Trackfy entre as 100 startups mais promissoras do país e a Cubos Tecnologia.

Criar empresas não basta. Precisamos criar condições para que elas cresçam e permaneçam na Bahia — esse é o grande desafio. O Grupo GPS é exemplo: nasceu em Salvador, mas transferiu sua sede para São Paulo. Transformar casos de sucesso em dezenas, ou centenas, de empresas competitivas que cresçam sem sair daqui é o caminho.

Isso exige governo, empresas, academia e entidades juntos: políticas de inovação, formação de talentos, infraestrutura, ambiente de negócios e associativismo. A tecnologia baiana já provou que sabe competir. O que falta é criar condições para que ela cresça, permaneça e gere valor — aqui, e não em outro estado.

*Renato Carneiro, presidente da ASSESPRO-BA.

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