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O desconto cabe no bolso? Guia de como economizar de verdade na Black Friday

Roteiro com tudo o que precisa fazer antes, durante e depois da Black Friday para pagar menos

Livia Oliveira
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Antes de se empolgar com as ofertas, organize o que você pretende comprar, quanto pode gastar e quais itens terão prioridade.
Antes de se empolgar com as ofertas, organize o que você pretende comprar, quanto pode gastar e quais itens terão prioridade. - Foto: Imagem gerada por IA | Gemini

Como economizar na Black Friday sem transformar um desconto em endividamento? A resposta exige mais do que criar uma lista de compras ou definir um limite de gastos. Isso porque uma oferta pode parecer super vantajosa e, ainda assim, custar mais do que em outros períodos quando são considerados o frete, o deslocamento, os juros e outros valores envolvidos na compra.

Economizarde verdade na data depende de um processo que começa antes da abertura das promoções. É preciso conhecer o preço habitual do produto, definir quanto ele precisa custar para que a compra valha a pena e comparar as condições de pagamento sem olhar apenas para o valor da parcela.

Ao longo deste artigo, você encontrará um roteiro com tudo o que precisa fazer antes, durante e depois da Black Friday para pagar menos e não se arrepender no mês seguinte.

O que é a Black Friday e quando ela acontece?

A Black Friday é um dia de grandes descontos no varejo. Tradicionalmente, acontece na sexta-feira seguinte ao Dia de Ação de Graças, que é celebrado na quarta quinta-feira de novembro nos Estados Unidos.

Hoje, o evento acontece em vários países do mundo, incluindo o Brasil.
É comum que esse movimento se estenda por todo o mês de novembro ("Black November") ou até que tenha uma semana de ofertas antecipadas ("Black Week").

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O impacto da Black Friday na vida dos brasileiros

Uma pesquisa divulgada pelo Serasa em 2025, em parceria com o Instituto Opinion Box, mostrou que 72% dos consumidores afirmam se planejar financeiramente para a Black Friday. Apesar disso, 23% disseram já ter ultrapassado o limite do cartão aproveitando as promoções dessa data.

Com base nos dados do levantamento, Rodrigo Costa, especialista em educação financeira do Serasa, ponderou que o planejamento permite aproveitar as oportunidades, mas alertou sobre o risco de confundir desconto com permissão para gastar mais.

Para além do planejamento, um outro
estudo do ano passado, realizado pelo Ipsos (empresa de pesquisa e consultoria de mercado), trouxe insights sobre o comportamento dos consumidores. Mais de 60% dos entrevistados se preparavam para gastar mais de R$ 500,00 no período.

Além disso, os participantes também afirmaram que aproveitam para fazer as compras de Natal e que preferem adquirir os produtos de forma online.

Planejamento: a etapa que decide se você vai economizar de verdade

Antes de se empolgar com as ofertas das lojas, vale organizar três pontos: o que você pretende comprar, quanto pode gastar e quais itens terão prioridade caso o orçamento não seja suficiente para tudo.

Esses passos vão ajudá-lo a evitar a maior parte das compras por impulso que fazem a "economia" da Black Friday virar prejuízo. Para desdobrar mais o planejamento, considere:

1. Definir um orçamento máximo por categoria

Estabelecer apenas um limite total, como “vou gastar até R$ 2 mil”, pode não ser suficiente. Uma oferta muito atraente em eletrônicos, por exemplo, pode consumir praticamente todo o orçamento e deixar de fora presentes, roupas ou itens para a casa que também estavam nos planos. Por isso, divida o valor disponível entre as categorias que fazem sentido para a sua realidade.

Em um orçamento hipotético de R$ 2 mil, a organização poderia ser:

  • R$ 1.200 para um eletrodoméstico;
  • R$ 500 para presentes;
  • R$ 300 para roupas ou itens pessoais.

Isso evita que uma oferta muito boa em uma categoria "acabe" com o orçamento que era para outra, o que é um erro comum daqueles que se planejam apenas com um número redondo na cabeça.

Lembre-se também de não usar o limite do cartão de crédito como referência do quanto pode gastar. O limite mostra quanto a instituição financeira permite comprar, mas não considera as parcelas já contratadas, as despesas dos meses seguintes e o dinheiro necessário para outras obrigações.

2. Separe "quero" de "preciso"

Faça duas listas. Na primeira, inclua os produtos que você realmente precisa substituir ou comprar. Na segunda, coloque os desejos de consumo, aqueles itens que gostaria de adquirir, mas que podem ser adiados para outro momento. A ideia não é eliminar a segunda lista, e sim ter clareza de qual delas tem prioridade se o orçamento apertar.

3. Antecipe a pesquisa de preços

Órgãos de defesa do consumidor recomendam começar a acompanhar o preço dos produtos com boa antecedência. O ideal é uma janela de pelo menos 30 a 45 dias antes. O motivo? Quanto mais cedo você souber o preço "de referência" de um produto, mais fácil é perceber se o desconto anunciado em novembro é real ou só um reajuste disfarçado.

Durante a pesquisa, registre:

  • O preço encontrado em diferentes lojas;
  • As formas de pagamento disponíveis;
  • O valor do frete;
  • A quantidade de parcelas;
  • A existência de juros; e
  • O modelo e as especificações exatas do produto.

A intenção é que você construa uma referência que permita avaliar se a oferta de novembro realmente está abaixo do padrão praticado pela loja.

4. Crie uma lista de produtos substitutos

Ofertas vantajosas podem acabar rapidamente. Quando você acompanha apenas um modelo, a falta de estoque pode levá-lo a escolher outra opção mais cara ou inadequada apenas para não perder a oportunidade de comprar. Por isso, selecione duas ou três alternativas equivalentes para os itens prioritários. O foco é conseguir escolher com base no custo-benefício.

Como acompanhar o histórico de preço na prática

Você provavelmente já ouviu falar que existem ferramentas de histórico de preço, porém de nada adiantam se não souber usá-las. Para que consiga acompanhar as variações de preços e identificar qual faixa pode ser considerada realmente vantajosa, siga este passo a passo:

Passo 1: Defina exatamente qual produto você pretende acompanhar

Comece registrando o nome completo, o modelo e as principais especificações do item. Esse cuidado é importante porque dois produtos com nomes parecidos podem apresentar características e preços muito diferentes. Comparar versões que não são equivalentes pode criar uma falsa impressão de desconto.

Passo 2: Consulte uma ferramenta de comparação de preços

Busque o produto em comparadores como Zoom e Buscapé ou utilize extensões de navegador que mostrem a variação de preço diretamente na página da loja. Observe o gráfico dos últimos meses, e não apenas o menor valor destacado pela plataforma. Ele ajuda a identificar:

  • A faixa de preço mais frequente;
  • Os períodos em que o produto ficou mais barato;
  • Aumentos de preço próximos à Black Friday;
  • Promoções que já aconteceram anteriormente.

Caso o produto não apareça nessas ferramentas, você pode fazer o acompanhamento manual em uma planilha, bloco de notas ou aplicativo. Registre o preço uma ou duas vezes por semana em diferentes lojas.

Passo 3: Confirme se os anúncios se referem ao mesmo produto

Antes de comparar os valores, verifique se o modelo, a capacidade, os acessórios incluídos e as condições de venda são realmente iguais. Por exemplo, um celular de 128 GB não deve ser comparado diretamente com a versão de 256 GB. Também confira se o preço apresentado depende de:

  • Pagamento via Pix;
  • Uso de cupom;
  • Participação em clube de vantagens;
  • Compra pelo aplicativo;
  • Assinatura de algum serviço;
  • Entrega para uma região específica.

O valor só serve como referência quando as condições são passíveis de comparação.

Passo 4: Registre o preço total, e não apenas o valor do produto

Ao fazer cada consulta, anote também o frete, os juros e outras despesas obrigatórias. Uma loja pode anunciar o menor preço, mas cobrar um frete que elimina a vantagem. Outra pode apresentar um valor um pouco maior e oferecer entrega gratuita ou melhores condições de pagamento.

Por isso, o dado mais importante para o histórico é quanto a compra efetivamente custaria para o seu endereço e na forma de pagamento que você pretende utilizar.

Depois de algumas semanas, observe qual faixa de preço aparece com mais frequência e qual foi o menor custo total encontrado. Esses números ajudam a definir quanto você aceita pagar durante a Black Friday.

Passo 5: Configure alertas e confira as condições antes de comprar

Depois de estabelecer o valor desejado, ative alertas nas ferramentas de comparação ou nos aplicativos das lojas. Assim, você recebe uma notificação quando o produto alcança a faixa definida e não precisa consultar os preços todos os dias.

Mesmo após receber o alerta, faça uma última conferência. Verifique:

  • O valor do frete;
  • A forma de pagamento;
  • A existência de juros;
  • O prazo de entrega;
  • As condições de garantia; e
  • Quem é o vendedor responsável pelo anúncio.

O alerta mostra que o preço caiu, mas não confirma sozinho que aquela é a melhor condição de compra.

Formas de pagamento que aumentam sua economia real

A forma de pagamento também pode influenciar se você realmente vai conseguir economizar na Black Friday. Depois de confirmar que o preço caiu, o próximo passo é comparar as condições de pagamento.

Uma oferta pode parecer mais barata à vista, mas exigir o uso de um dinheiro que estava reservado para outra finalidade. Da mesma forma, uma parcela pequena pode esconder juros ou comprometer o orçamento por vários meses.

Por isso, não escolha apenas pela facilidade. Compare quanto sairá do seu bolso no total e qual será o impacto da compra nas despesas seguintes.

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Pagamento no Pix à vista ou cartão de crédito?

Pix à vista

Essa opção pode ser vantajosa quando o dinheiro já estava reservado para a compra e o pagamento não compromete contas, objetivos ou a reserva de emergência.

Caso o desconto seja muito pequeno, avalie bem se vai seguir com essa forma de pagamento. Esse cenário pode não compensar a perda de liquidez, principalmente se você precisar desse dinheiro para despesas próximas ou imprevistos.

Parcelamento no cartão de crédito

Para escolher essa opção, considere o valor total do compromisso assumido e se não entra juros nas parcelas. Também lembre de somar as prestações que já estarão na fatura nos próximos meses e considere outras despesas previstas para o período, como compras de fim de ano, matrícula e material escolar.

Cupons, cashback e clubes de vantagens realmente compensam?

Cupons, cashback e programas de benefícios podem reduzir o custo da compra, mas precisam ser avaliados pelas regras de cada oferta. Nem sempre esses recursos são cumulativos, e algumas condições podem exigir uma nova despesa para que o benefício seja utilizado.

Antes de aplicar um cupom, verifique o valor mínimo da compra, os produtos participantes, a validade e as formas de pagamento permitidas.

No caso do
cashback, considere como economia apenas o valor que poderá ser realmente resgatado ou utilizado. Um crédito que expira, fica esquecido ou exige outra compra não representa, necessariamente, economia de dinheiro.

Clubes de vantagens também devem entrar na conta. Se houver mensalidade ou anuidade, compare o custo da assinatura com o desconto obtido nas compras que você já pretendia fazer. Além de acumular benefícios, foque em comparar o valor final de cada opção.

Calculando o custo real para economizar na Black Friday

O preço destacado na oferta não representa, necessariamente, quanto você pagará no final. Para descobrir se a promoção realmente compensa, é preciso somar todos os valores envolvidos na compra. Além do produto, considere:

  • Frete;
  • Juros e taxas;
  • Deslocamento e estacionamento, em compras presenciais;
  • Instalação ou montagem;
  • Acessórios necessários;
  • Seguros, garantias ou serviços adicionais.

Imagine, em um exemplo hipotético, que um eletrodoméstico normalmente custe R$ 2.500 e apareça por R$ 2.150 na Black Friday. A economia inicial seria de R$ 350. No entanto, a loja cobra R$ 120 de frete e o produto exige uma instalação de R$ 100. Com isso, o custo total chega a R$ 2.370 e a economia efetiva cai para R$ 130.

A conta pode ser feita assim:

Custo total da compra = preço do produto + frete + juros + taxas + outros gastos necessários

Depois, compare esse resultado com o preço que vinha sendo praticado antes:

Economia real = preço de referência − custo total da compra

O prazo de entrega também deve ser considerado. Um produto mais barato pode deixar de ser vantajoso se a demora obrigar você a fazer outra compra, alugar um equipamento ou manter uma situação que já gera prejuízo.

Além disso, avalie questões envolvendo garantia e assistência técnica. Pagar menos por um produto sem suporte confiável pode significar gastar mais depois com manutenção, substituição ou dificuldade para resolver defeitos.

Depois da compra: como proteger a economia conquistada na Black Friday

O processo de economia não termina quando o pagamento é aprovado. Depois da compra, alguns cuidados evitam que o desconto se transforme em prejuízo ou endividamento.

Guarde o comprovante, a descrição do produto, as condições da oferta e a previsão de entrega. Capturas de tela também podem ajudar caso o preço, o prazo, o
cashback ou outro benefício recebido seja diferente do anunciado.

Nas compras realizadas pela internet, o consumidor pode exercer o direito de arrependimento em até sete dias, contados a partir do recebimento do produto ou da assinatura do contrato. Nesse período, é possível desistir sem precisar apresentar uma justificativa.

Se a compra foi parcelada, inclua imediatamente as prestações no planejamento dos meses seguintes. Isso evita que novas despesas sejam assumidas sem considerar quanto da renda já estará comprometido. Também confira a fatura e o pedido para verificar se foram incluídos seguros, garantias ou serviços que você não pretendia contratar.

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Checklist prático: seu roteiro para economizar na Black Friday

Antes de concluir qualquer compra, revise estes pontos:

Antes da promoção

  1. Defina quanto pode gastar sem comprometer outras despesas.
  2. Separe o que realmente precisa comprar do que pode esperar.
  3. Escolha produtos alternativos para não depender de uma única oferta.
  4. Acompanhe o histórico de preços com antecedência.
  5. Compare sempre o mesmo modelo e as mesmas especificações.
  6. Estabeleça um valor máximo para a compra.

Durante a compra

  1. Some o preço do produto, o frete, os juros, as taxas e outros custos obrigatórios.
  2. Compare o valor total entre Pix, cartão e outras formas de pagamento.
  3. Verifique as regras de cupons, cashback, pontos e clubes de vantagens.
  4. Confira o prazo de entrega, a garantia e a assistência técnica.
  5. Avalie se as parcelas cabem no orçamento dos meses seguintes.
  6. Desconfie quando a urgência da promoção estiver pesando mais do que a necessidade da compra.

Depois da compra

  1. Guarde os comprovantes, as condições da oferta e as capturas de tela.
  2. Confira se o pedido corresponde ao produto e ao preço anunciados.
  3. Verifique se foram incluídos seguros, garantias ou serviços não planejados.
  4. Registre as parcelas no orçamento.
  5. Reavalie a compra dentro do prazo de arrependimento, quando aplicável.

Se você não souber quanto o produto costumava custar, quanto pagará no total e como a compra afetará os próximos meses, não poderá acreditar que houve economia na aquisição do produto.

Como vou aplicar este checklist para economizar na Black Friday

Uma das compras que pretendo fazer na Black Friday de 2026 é um carrinho elétrico infantil em formato de jipe para a minha filha. Como existe um componente emocional nessa decisão, quero evitar que a empolgação pese mais do que o planejamento.

Antes da data, vou comparar modelos, itens de segurança, capacidade da bateria, garantia e preços em diferentes lojas. Também vou considerar o frete, as condições de pagamento, além de definir antecipadamente quanto estou disposta a gastar.

Se o custo total não chegar ao valor que considero vantajoso, a compra ficará para outro momento. Nesse caso, economizar não será encontrar o maior desconto, mas escolher um produto seguro, adequado e que caiba no orçamento.

Usando as dicas para fazer uma boa compra

Para entender como esses valores podem alterar uma oferta, considere o exemplo abaixo. Os preços servem apenas para demonstrar o cálculo e não representam uma pesquisa real de mercado.

Antes da Black Friday, o produto era encontrado por cerca de R$ 1.200. Durante a campanha, duas lojas apresentam as seguintes condições:

Na Loja B, o desconto anunciado é menor, porém a economia efetiva é maior.
Na Loja B, o desconto anunciado é menor, porém a economia efetiva é maior. - Foto: Tabela exemplo comparativo de preço

Pela porcentagem divulgada, a Loja A parece oferecer a melhor promoção. Depois da inclusão do frete, porém, o custo final ultrapassa o preço de referência observado antes da Black Friday. Já a Loja B anuncia um desconto menor, mas entrega uma economia real de R$ 110.

O exemplo mostra por que a comparação não deve terminar no valor destacado na vitrine. Para descobrir qual oferta realmente compensa, é necessário calcular quanto sairá do bolso depois de todos os custos e benefícios aplicáveis.

Este guia chega excepcionalmente no mês de agosto para ajudar quem já começou a pensar em se preparar para a Black Friday. Na próxima coluna, volto com outra dúvida do cotidiano que me levou a pesquisar, rever escolhas e encontrar caminhos mais inteligentes para lidar com o dinheiro.

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Black Friday economia Planejamento de compra na Black Friday

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