PAPO PET
Animais precisam de proteção em dias de jogos do Brasil
Confira coluna Papo Pet, do jornal A TARDE, deste domingo


Eles não fazem ideia do que seja um gol, muito menos um pênalti ou escanteio. Mas certamente passam por momentos de medo e estresse a cada vibração dos torcedores brasileiros nos jogos da seleção canarinho na Copa do Mundo. Os animais de estimação - sejam cães ou gatos - acabam sendo extremamente impactados durante os jogos do Brasil, como o que acontece hoje contra a Noruega.
“Cães e gatos possuem audição muito mais sensível que a humana, tornando fogos, buzinas e gritos extremamente desconfortáveis”, explica o médico veterinário Tásio de Souza Lessa, 49 anos, coordenador do curso de Medicina Veterinária da Unijorge.
Segundo Lessa, além do excesso de ruídos dos gritos e fogos de artifício, a movimentação de pessoas e as portas abertas aumentam significativamente o risco de fuga e desaparecimento dos animais. Por isto, é importante atenção com a rotina dos pets em dias de jogos.

É assim que faz a professora Risonete Lima de Almeida, 58 anos, responsável pelo buldogue francês Buzz. “A depender do horário do jogo, optamos por alimentar nosso doguinho antes da partida e sempre deixamos água bem fresquinha. Agimos assim também em relação a medicações e passeios”, conta Risonete.
A depender do horário do jogo, a família, que é fã de futebol e curte a Copa do Mundo, opta por alimentar Buzz antes da partida. “Sempre deixamos água bem fresquinha. Agimos assim também em relação a medicações e passeios”, explica Risonete. Ela disse observar que é sempre mais tranquilo cumprir a rotina “antes do horário da folia que, geralmente ocorre durante e após os jogos”. O cuidado tem protegido Buzz de eventuais crises e ele não aparenta ter tanto medo do barulho.

Segundo o veterinário Tasio Lessa, cada animal reage de maneira diferente, mas é comum observar a presença de tremores, salivação excessiva, uivos, tentativas de se esconder, destruição de objetos, perda de apetite e até micção ou defecação involuntária. “Em casos mais graves, podem ocorrer crises de ansiedade, mordeduras, convulsões em animais predispostos e tentativas desesperadas de fuga”, diz Lessa.
Emergência
Nas emergências veterinárias, tem sido comuns casos de animais afetados pela negligência dos humanos nos períodos das comemorações de Copa do Mundo. “Chegam muitos quadros de colapso traqueal por estresse devido aos fogos, síndrome do cão braquicefálico também oriunda de estresse”, explica a médica veterinária intensivista Taís Menezes Mota, 34 anos.
Ela também costuma atender casos de traumas ortopédicos causados pelo estresse dos fogos. “Infelizmente existe uma casuísta muito grande de atropelamentos onde os animais vêm com fraturas de quadril ou membros devido ao trauma automobilístico”, explica.
Ela conta ser muito comum também haver brigas, principalmente entre os cães machos que “levam a importantes traumas musculares devido à intensidade do conflito”. Os cuidados básicos orientados pelos veterinários são capazes de evitar dor de cabeça para os responsáveis pelos bichinhos.
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Carinha de pânico
Há casos, no entanto, que nem todo cuidado é suficiente para impedir as crises de pânico do animal. “Meu pet fica muito estressado, medo, tremores, olhar fixo, carinha de pânico, pedindo socorro sem entender o que está acontecendo”, conta Polyanna Sampaio Teixeira, 49 anos, fisioterapeuta neonatal.
Responsável por Coppélia, uma cadelinha de 12 anos da raça Chinese Crested, Polyanna conta que, embora nunca tenha precisado recorrer à emergência veterinária, algumas vezes teve que entrar em contato com as médicas da cachorrinha para conter os efeitos do barulho provocado por fogos.

“Existem animais muito sensíveis aos barulhos, gatos podem pelo estresse dos fogos obstruir e apresentar vômitos , cachorros costumam a se esconder, mudando seu comportamento”, explica a veterinária Taís Menezes Mota, 34 anos, que tem lidado com muitos casos nos atendimentos de emergência em períodos de festas e Copa.
Segundo ela, o ideal é sempre realizar enriquecimento ambiental e manter o ambiente protegido e isolado de barulho para minimizar o estresse. “Janelas fechadas e ar condicionado ou ventilador são excelentes escolhas nesses períodos”, orienta.
Outros riscos
Durante as confraternizações, é comum que cães e gatos tenham acesso a alimentos e bebidas consumidos pelos tutores. E este é outro problema comum. “O maior risco é o de determinados alimentos causarem intoxicação, cursando muitas vezes com quadros gastroentéricos importantes, que exigem tratamento de suporte rãpido para evitar desidratação desses pacientes”, explica Taís Mota. Segundo ela, o primeiro sinal de necessidade de atendimento imediato é o võmito.
Tasio Lessa explica que diversos alimentos típicos de confraternizações são potencialmente tóxicos. Entre eles estão chocolate, uvas e uvas-passas, cebola, alho, abacate, alimentos muito gordurosos, ossos cozidos, doces com xilitol e bebidas alcoólicas. “A recomendação é oferecer apenas alimentos formulados para os animais ou petiscos indicados pelo médico veterinário”, orienta Lessa.
DR. PET
Veja as principais recomendações do especialista
O que fazer caso o animal apresente sinais de medo extremo, tente fugir ou passe mal durante uma festa ou comemoração?
A primeira atitude é manter a calma e levar o animal para um ambiente seguro e silencioso, evitando punições ou forçá-lo a enfrentar aquilo que lhe causa medo. Caso apresente dificuldade respiratória, perda de consciência, convulsões, tentativas repetidas de fuga ou tenha ingerido alimentos inadequados, deve ser encaminhado ao atendimento veterinário.
Como os responsáveis pelos pets podem aproveitar os jogos com segurança e bem-estar para os animais?
Planejar o ambiente, respeitar os limites do pet, evitar exposição desnecessária ao barulho, impedir o acesso a alimentos impróprios e manter portas e portões seguros fazem toda a diferença.
Fonte: Tasio Lessa, médico veterinário


