Busca interna do iBahia
HOME > colunistas > POLÍTICA & MEMÓRIA

POLÍTICA & MEMÓRIA

Morte de Luís Eduardo mudou rumos de disputa pelo governo baiano

Coluna Política e Memória resgata eleição de 1998

Cássio Moreira
Por
Morte de Luís Eduardo deu novo rumo para eleição
Morte de Luís Eduardo deu novo rumo para eleição - Foto: Acervo Histórico Grupo A TARDE

Grandes eleições são marcadas por grandes viradas. Algumas vezes, as guinadas ocorrem a partir de fatos trágicos. Em abril de 1998, um desses episódio mudou completamente a corrida eleitoral para o governo da Bahia.

A coluna Política e Memória desta semana traz a morte precoce de Luís Eduardo Magalhães, político que morreu antes de chegar ao posto mais importante do cenário executivo baiano, alçando César Borges ao título de governador.

Tudo sobre Política & Memória em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Trajetória de Luís Eduardo Magalhães

Nascido em 16 de maio de 1955, Luís Eduardo Magalhães construiu sua carreira política ainda em solo baiano, se elegendo deputado estadual em 1979, pela extinta Aliança Renovadora Nacional (Arena).

Filho de Antônio Carlos Magalhães (m.2007), um dos políticos mais influentes da história da Bahia, Luís Eduardo permaneceu deputado estadual até 1987, ano que assumiu a cadeira de deputado federal, se projetando a nível nacional.

Reconhecido por sua capacidade de transitar entre diferente blocos políticos, o deputado federal construiu uma trajetória de sucesso em Brasília.

Em 1995, o parlamentar baiano chegou ao seu maior momento: presidência da Câmara dos Deputados, recebendo 384 votos na época, derrotando o petista José Genoíno.

A candidatura ao governo e a morte precoce

Após sua passagem pela presidência da Câmara dos Deputados, em 1997, Luís Eduardo Magalhães passou a ser cortejado pelo grupo que governava a Bahia, comandado por seu pai, ACM (PFL), para a sucessão estadual.

Leia Também:

ACM X ROBERTO SANTOS

Embate épico entre governadores marcou eleição de 1990 na Bahia
Embate épico entre governadores marcou eleição de 1990 na Bahia imagem

POLÍTICA & MEMÓRIA

Combate à fome e reforma da Previdência: o primeiro ano de Lula como presidente do Brasil
Combate à fome e reforma da Previdência: o primeiro ano de Lula como presidente do Brasil imagem

POLÍTICA & MEMÓRIA

Vitórias de Jaques Wagner iniciaram era petista na Bahia; relembre
Vitórias de Jaques Wagner iniciaram era petista na Bahia; relembre imagem

Naquele momento, o governador era Paulo Souto (PFL), que seria candidato ao Senado no ano seguinte. O vice de Souto era César Borges (PFL), que assumiria, inicialmente, um mandato 'tampão'.

Em março de 1998, o então deputado federal resolveu ceder aos apelos do seu pai e do seu grupo político, confirmando sua candidatura ao governo, anunciada logo por ACM.

Luís Eduardo Magalhães
Luís Eduardo Magalhães - Foto: Carlos Casaes | Acervo Histórico A TARDE

A ideia, segundo aliados na época, era clara: Luís Eduardo eleito governador em 1998, o Partido da Frente Liberal (PFL), sigla do candidato e uma das principais legendas de sustentação do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), seu nome passava a figurar como o favorito para corrida presidencial em 2002, sucessão de FHC.

Apesar do entusiasmo da base, a candidatura do deputado foi interrompida por uma tragédia: no dia 21 de abril de 1998, Luís Eduardo foi vítima de um infarto do miocárdio, morrendo aos 43 anos.

O acontecimento abalou a política nacional, alterando também o tabuleiro local, com uma mudança inesperada no cenário eleitoral.

César Borges vira o candidato

Eleito vice-governador da Bahia em 1994, na chapa encabeçada Paulo Souto (PFL), César Borges assumiu o governo do estado em 1998, com a missão de passar o cargo para Luís Eduardo, se o aliado fosse eleito.

A morte do candidato, no entanto, fez com que ACM e seus seguidores mudassem a rota. César aproveitou do artifício da reeleição, que tinha sido aprovada um ano antes, por meio de Emenda Constitucional, e se lançou, com apoio do grupo, candidato a um novo mandato.

Para o posto de vice, que estava vago no seu mandato 'tampão', César Borges escolheu Otto Alencar (PL), que ocupava o cargo de deputado estadual.

A campanha

César Borges reuniu um considerável número de partidos para a coligação 'Luís Eduardo Magalhães', formada por PFL, PL, PMDB, PPB, PTB, PRN, PST e PTdoB. Tendo Paulo Souto, ex-governador, como candidato ao Senado, o governador teve poucas dificuldades durante a campanha, sendo 'reeleito' no dia 4 de outubro.

Nas urnas, surtiu efeito a comoção pela perda de Luís Eduardo, junto com a intensa campanha do grupo, com uma vitória por 2.418.620 de votos. César Borges permaneceu no cargo até o início de 2002, quando deixou o mandato para concorrer ao Senado, sendo novamente eleito.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

Coluna Política e Memória eleições

Relacionadas

Mais lidas