POLÍTICA & MEMÓRIA
Vitórias de Jaques Wagner iniciaram era petista na Bahia; relembre
Coluna Política e Memória desta semana relembra eleições de ex-governador


Um dos principais atores políticos da Bahia no século XXI, o senador Jaques Wagner foi responsável pelo início da chamada 'era petista' na Bahia, hoje considerado principal reduto eleitoral do PT no país. O processo se iniciou em 2006, com uma vitória considerada histórica.
A coluna Política e Memória desta semana traz o recorte das disputas eleitoras de 2006 e 2010, que consolidaram o avanço do PT no quarto maior colégio eleitoral do país.
Derrota com gosto de vitória
Até então deputado federal e um dos nomes mais relevantes do ainda modesto PT baiano, Jaques Wagner ousou ao ser candidato a governador da Bahia em 2002, quando o 'Carlismo', como era chamado o grupo político liderado pelo senador Antônio Carlos Magalhães (PFL), ainda mostrava força nas urnas.
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Governador da Bahia entre 1995 e 1998, quando renunciou ao mandato, o senador Paulo Souto (PLF) foi novamente a escolha do grupo governista para retornar ao Palácio de Ondina em 2002, em uma chapa que contaria com César Borges (PFL), então governador, e ACM, que havia renunciado ao mandato, como candidatos ao Senado.

Wagner teve um desenho forte na sua coligação, tendo Nilza Lima (PT), além de Waldir Pires (PT) e Haroldo Lima (PCdoB) como candidatos ao Senado.
Nas urnas, Wagner não conseguiu repetir o feito histórico de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) naquele ano, ficando na segunda colocação para governador. Seus 38,47% de votos, com direito ao posto de candidato mais votado em 31 municípios do estado, incluindo a capital Salvador.

Com a eleição de Lula, Wagner se tornou ministro do Trabalho e das Relações Institucionais durante o primeiro mandato petista.
Vitória surpreendente e início da era petista
Wagner iniciou a campanha de 2006 como 'azarão', diante de Paulo Souto (PFL), visto como favorito para ser reconduzido a um terceiro mandato. As primeiras pesquisas confirmavam o cenário tido como consolidado.
A aparente reeleição em primeiro turno de Paulo Souto começou a 'cair por terra' nas últimas semanas da campanha. Os levantamentos finais de diversos institutos de pesquisa mostraram um avanço da campanha petista, também impulsionada pelo 'fator Lula', que caminhava tranquilo para uma nova vitória presidencial.
Jaques, que contou com Edmundo Pereira (PMDB), ex-prefeito de Brumado, como vice, conseguiu, já na reta final de campanha, contrariar as expectativas, impondo uma derrota histórica para o carlismo ainda no primeiro turno.
A eleição de Wagner, no dia 1º de outubro de 2006, não ocorreu por acaso. Tanto o governador eleito, hoje senador, como outros nomes do primeiro escalão petista, que se empenharam na campanha, explicaram na época como se deu a estratégia.
Wagner e o PT focaram nos chamados 'rincões' e nas frações secundárias da Bahia. Assim, os votos dessas regiões tiravam a baixa vantagem que Souto tinha nos grandes municípios.
"A estratégia adotada pelo PT de trazer para o nosso lado a 'banda B' do PFL foi fundamental [...] Muitas vezes, estes candidatos foram derrotados por políticos do mesmo grupo e estavam descontentes com o tratamento recebido do partido", explicou o então ministro Waldir Pires (PT), ex-governador da Bahia, em conversa com a imprensa na época da eleição.
2010 consolida era política
Em 2010, Jaques Wagner volta às urnas para um novo embate. Desta vez, além do seu 'algoz' Paulo Souto, o petista, já governador da Bahia, teria um outro adversário capaz de lhe tirar votos: o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB).

Na prática, no entanto, os levantamentos, em parte realizados pelo Grupo A Tarde, apontavam um cenário mais tranquilo para Wagner. O governador petista apareceu lideranndo as pesquisas contra os dois adversários de peso.
O jornal A Tarde cobriu de maneira ampla a corrida eleitoral, trazendo pesquisas, desdobramentos, atos de campanha e repercussão política.

Para o Senado, os deputados Walter Pinheiro (PT) e Lídice da Mata (PSB), escolhidos para a composição de Wagner, ganharam fôlego na reta final, mesmo com a presença do senador César Borges (PR) no pleito.
No dia 2 de outubro, a edição de A Tarde mostrou a tendência de vitória de Wagner, que agora tinha Otto Alencar (PP) como vice, Pinheiro e Lídice. Os resultados foram confirmados no dia seguinte, 3 de outubro.

Na segunda-feira, 4 de outubro, A Tarde trouxe em sua capa o recorte eleitoral do dia anterior, com falas de Wagner, resultados das urnas, e expectativas para o segundo turno presidencial entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB).

Wagner ainda conseguiu, em 2014, fazer o seu sucessor, Rui Costa (PT), que também seria reeleito em 2018. Entre a primeira vitória de Jaques Wagner, em 2006, e a de Jerônimo Rodrigues (PT), já em 2022, são cinco eleições consecutivas com triunfos petistas no estado.


