SINAL ABERTO
Luciano Huck, Virginia Fonseca e a dor de cabeça que a Globo ganhou em ano importante
Coluna discute a nova crise na emissora envolvendo o principal programa da casa

O Domingão com Huck vinha em uma grande fase dentro da Globo desde a mudança no formato e apresentação (com a saída de Fausto Silva há alguns anos). No entanto, na última semana, a situação parece ter mudado completamente de cenário. Nos bastidores do canal, o clima deve estar longe da calmaria. Em pleno ano de Copa do Mundo e eleições presidenciais, o principal dia da grade global virou um imã de polêmicas.
A tempestade se armou em duas frentes distintas, mas que vão para o mesmo lugar: a credibilidade. De um lado, Luciano Huck viu seu nome envolvido em grande polêmica quando, no 5º Fórum Esfera, verbalizou um pensamento que tocou direto em uma ferida social do país.
Ao tentar analisar a economia de Senhor do Bonfim, aqui na Bahia, Huck disparou que o Bolsa Família "não gera estímulo" e que os beneficiários "criam atalhos para ficar no programa ad eternum".
Dizer que o pobre sabota a própria autonomia financeira é um clichê de elite que, em ano eleitoral, funciona como pólvora. Diante do estrago, Huck tentou o tradicional recuo, panos quentes e a justificativa de que defendia a "integração com a educação". Mas o estrago na vidraça estava feito.
Para a Globo, que passa o ano tentando equilibrar pratos na cobertura política para não parecer parcial, ver o seu principal ativo de domingo metido no debate ideológico é um pesadelo.
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O "fator Virginia" na Globo
Se na política o sinal está instável, no esporte a Globo arrumou briga com a própria categoria que a sustenta. A contratação da influenciadora Virginia Fonseca para ser repórter especial do Domingão na Copa do Mundo de 2026 caiu como uma bomba.
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) não engoliu a escolha e emitiu uma nota duríssima, denunciando o "sucateamento da cobertura jornalística" e a troca de repórteres experientes por engajamento de dancinha.
A crítica da Fenaj aponta que entregar o microfone a uma celebridade digital para focar apenas em "curiosidades" e no "clima da torcida" é um aceno claro ao mercado de cliques, mas que desvaloriza o profissional que estudou e se preparou para estar ali. Vamos combinar uma coisa? É a vitória do algoritmo sobre o crachá.
Então o cenário na principal emissora de TV aberta é de uma encruzilhada moderna. Ela precisa do dinheiro do agronegócio e dos bancos, precisa da audiência milionária que Virginia arrasta no Instagram para inflar as cotas de patrocínio da Copa, mas também precisa da seriedade institucional que o ano exige.
Resta saber se, até a abertura das urnas e o apito inicial nos gramados, a Globo vai conseguir aliviar a crise que vivencia.



