TEMPO PRESENTE
Hepa Heyi, Edsoleda, volta a coleção sagrada
Confira a coluna Tempo Presente


O convívio na infância com a bisavó Ebami (“a mais sábia”) Maria Augusta Pires, em meio a vista exuberante para o Dique do Tororó, mobiliza até hoje os afetos da artista visual baiana Edsoleda Santos.
Aos 87 anos, a filha de Oxum, mesmo orixá da bisa, é a feliz autora da coleção Lendas Africanas dos Orixás, prestes a alcançar o volume 12, com Oyá Iansã, amanhã.
O encontro de Edsoleda com seu público será às 16 horas, na Livraria Terra Libris, no Glauber Rocha, na presença de Valéria Pergentino e Enéas Guerra, realizadores de mais um belíssimo projeto da Solisluna Editora.
Mestra em Belas Artes, a autora foi escolhida pelos orixás para desenhar figurinos inspirados nos trajes sagrados, para o grupo teatral Odundê e, ao propor a edição de um livro sobre Oxum, sua pesquisa de mestrado, a Solisluna decidiu ampliar.
A série começou com Renatinho da Silveira, ao escrever Oxalufã, e Edsoleda levou direto, depois de Oxum, vieram Obaluaê, Nanã, Xangô, Iemanjá, Oxumaré, Ogum, Exu e Oxossi, uma poderosíssima seleção de encantados de origem iorubá.
– Além da forte influência das impressões de infância, conscientes e inconscientes, de minha bisavó, tomo como referência o livro Orixás, de Pierre Verger, entre outros – afirma Edsoleda.
Leia Também:
A vitoriosa coleção esgotou a primeira tiragem em 2010, voltando agora com os raios de Iansã, agitando a boa oportunidade de fazer a oferenda de conhecimento chegar às escolas da rede pública para favorecer o aprendizado dos fantásticos arquétipos da AfroBahia.
As ilustrações, fruto de décadas de estudo em técnicas como bico de pena, aquarela e pintura em acrílico, reforçam a relação entre arte, candomblé e natureza. A nova edição inclui um e-book com todas as histórias.
ABRE ASPAS
“Eles [os EUA] vão tentar interferir aqui, tentando ajudar o lado de lá [extrema direita] a ganhar as eleições (...) E, muito mais que [Donald] Trump, o Marco Rubio, que é o secretário de Estado dele”.
Lula, presidente da República, em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., sobre os Estados Unidos
Sonora Bahia de volta
O Festival Sonora Bahia, maior festival colaborativo de música autoral feminina do mundo, encerra hoje as inscrições para sua 10ª edição. O edital selecionará oito compositoras – mulheres cis, trans e travestis residentes no estado há pelo menos dois anos – para se apresentarem em Ilhéus e no Vale do Capão. A iniciativa oferece ajuda de custo de R$ 700 e reserva cotas regionais para fortalecer a descentralização cultural. Sem exigir gravações profissionais ou histórico de shows, o projeto idealizado por Ive Farias democratiza palcos, impulsiona a profissionalização e amplia a visibilidade do protagonismo feminino na música.
POUCAS & BOAS
- Em Luís Eduardo Magalhães será aberta hoje a edição 2026 do tradicional Dia do Algodão, com programação nesta sexta-feira restrita para associados, convidados e alinhamentos institucionais do setor. Realizado pela Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), amanhã o evento será aberto para produtores, estudantes e demais profissionais no Centro de Treinamento. Com três estações temáticas, além de conhecer experiências regionais os participantes terão análises de planejamento de safra.
- O Prêmio Dandaras de Abrantes 2026 acontece hoje no Teatro Tupinambá Colégio de Tempo Integral de Vila de Abrantes, a partir das 18h30, com realização da Secretaria municipal de Cultura. O prêmio encerra a programação do Julho das Pretas, aberto na cidade dia 18 de julho e movimentando diferentes espaços culturais com rodas de conversa, apresentações artísticas, exibição de documentário, homenagens e mobilizações sociais. As atividades celebram a ancestralidade e valorizam o protagonismo das mulheres negras.
- O artista Bosco Fernandes e a banda Radioelétrica são as atrações de hoje, primeira noite do projeto Toque Barreirense, que vai movimentar a praça Coronel Antônio Balbino (praça de Alimentação), no Centro Histórico de Barreiras. Com início às 21h, o evento envolve bares e restaurantes desta região da cidade em parceria com a Secretaria de Cultura e Turismo local. Com o apoio cultural do Cepac e da Agência Sertão Criativo, além de música o espaço terá artesanato diversificado através da Associação Barreirense de Artesanato (Asbart).


