RELIGIÃO
Exvangélicos? Entenda o movimento de quem se afasta das igrejas
Movimento tem crescido, sobretudo entre os jovens

Por Luiza Nascimento

O evangelismo cresceu no Brasil em uma proporção rápida. Segundo o Censo de 1991, a população crente acima de 10 anos não chegava a 1 em cada 10 brasileiros, e no levantamento de 2022 já era 26,9%, se tornando o segundo maior grupo religioso do país.
Por outro lado, o catolicismo, que sempre esteve em alta, iniciou anos de declive, porque, após o movimento de conversão ao evangelismo, pessoas começaram a nascer em famílias evangélicas.
No entanto, jovens que cresceram nesse contexto têm, cada vez, mais procurado outras alternativas. É nesse momento que eles conhecem outras religiões ou simplesmente se declaram sem crença.
O fenômeno tem colocado as igrejas diante do desafio de reter fiéis e já é percebido no Brasil. Mas foi nos Estados Unidos que surgiu o termo "exvangelical", durante a pandemia. Na tradução para o português, eles são os "exvangélicos", ou seja, os ex-evangélicos.
No período, uma pesquisa divulgada pela Gallup afirmou que o número de americanos que pertencem a uma igreja, sinagoga ou mesquita caiu abaixo de 50% pela primeira vez desde 1937.
Como está o fenômeno no Brasil?
Em território brasileiro, não há pesquisas específicas sobre esse contrafluxo. No entanto, o movimento tem chamado a atenção de pastores e seguidores da religião, sobretudo porque a situação tem ganhado força nas redes sociais.
Em perfis, os ex-evangélicos compartilham experiências, críticas a lideranças, questionamentos sobre doutrinas, política e costumes. Além disso, há relatos sobre abusos, intolerância e cobranças demasiadas.
O grupo funciona como um espaço de apoio e de debate sobre fé, espiritualidade e liberdade.
Por que as pessoas viram exvangélicas?
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Uma das críticas gira em torno de brigas entre líderes religiosos e discursos de ódio dentro das igrejas. Além disso, as opiniões políticas dentro desse contexto também têm desagradado os fiéis.
As pessoas decidem se tornar ex-evangélicas por uma combinação de fatores pessoais, religiosos e sociais, mas os motivos mais comuns giram em torno de frustração, conflito de valores e experiências negativas dentro das igrejas.
Muitos relatam decepção com lideranças, envolvidas em escândalos, enriquecimento, manipulação emocional ou uso político da fé.
Há também quem não concorde com regras rígidas sobre comportamento, sexualidade, papel da mulher, aparência e escolhas de vida. Nesse sentido, a reclamação é sobre a falta de espaço para questionar ou discordar.
Para muitos, abandonar o evangélico não significa não ter fé em Deus, mas sim, deixar de compactuar com o que deixou de fazer sentido na vida deles.
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