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ELENCO MULTINACIONAL

Bósnia tem 16 jogadores estrangeiros no elenco durante a Copa

Entenda como a Guerra da Bósnia fez com que o elenco fosse formado por nove países

Marina Branco
Por
| Atualizada em
Seleção da Bósnia
Seleção da Bósnia - Foto: FIFA

A Bósnia e Herzegovina estreia na Copa do Mundo nesta sexta-feira, 12, às 16h, contra o Canadá - mas com um elenco minimamente curioso. Muito além de bósnios, o time conta com jogadores nascidos na Alemanha, Áustria, Suécia, Dinamarca, Suíça, Croácia, Sérvia, Estados Unidos e, claro, na própria Bósnia e Herzegovina.

A explicação para essa diversidade de origens passa por um dos capítulos mais traumáticos da história europeia recente, a Guerra da Bósnia, conflito ocorrido entre 1992 e 1995, após a dissolução da antiga Iugoslávia.

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A Guerra da Bósnia começou após o processo de dissolução da Iugoslávia, federação socialista que reunia diferentes repúblicas e povos no sudeste europeu. Com o colapso do Estado iugoslavo, disputas territoriais, nacionalistas e étnicas mergulharam a região em conflitos violentos.

Na Bósnia e Herzegovina, a guerra foi especialmente devastadora. Cidades foram cercadas, populações civis foram perseguidas, famílias foram separadas e milhares de pessoas fugiram para sobreviver. O genocídio de Srebrenica, em 1995, tornou-se um dos símbolos mais brutais do conflito.

Genocídio de Srebrenica
Genocídio de Srebrenica - Foto: Instituto Auschwitz

Na época, a Bósnia tinha cerca de 4 milhões de habitantes, e metade da população precisou deixar suas casas, seja buscando refúgio em outras regiões do próprio país, seja atravessando fronteiras em direção a outros pontos da Europa e do mundo.

Décadas depois, os filhos e netos dessa diáspora aparecem na Copa com a camisa bósnia, vindos de toda a União Europeia.

O elenco bósnio

Muitos jogadores convocados por Sergej Barbarez nasceram longe de Sarajevo, Mostar, Tuzla ou Zenica, mas cresceram em famílias que mantiveram viva a ligação com a Bósnia. Nessas comunidades, a identidade bósnia continuou sendo transmitida dentro de casa, levando atletas nascidos em diferentes pontos da Europa a optarem por defender a seleção bósnia.

O caso de Esmir Bajraktarevic, nascido nos Estados Unidos, segue uma lógica parecida. Embora tenha crescido em outro continente, a promessa do PSV manteve ligação com a seleção bósnia desde cedo.

Esmir Bajraktarevic pela Bósnia e Herzegovina
Esmir Bajraktarevic pela Bósnia e Herzegovina - Foto: FIFA

Vídeos de infância mostram o jogador torcendo por Edin Dzeko, principal ídolo recente do futebol do país e símbolo de uma geração que ajudou a projetar a Bósnia no cenário internacional.

Europa em campo

Na lista da Bósnia para a Copa de 2026, há atletas nascidos em oito países europeus, além de um jogador nascido nos Estados Unidos. Entre os nascidos na Alemanha estão nomes importantes como Sead Kolasinac, da Atalanta, Ermedin Demirovic, do Stuttgart, Dzenis Burnic, do Karlsruher, e Kerim Alajbegovic, do RB Salzburg.

A Áustria aparece com Amar Dedic, do Benfica, Ermin Mahmic, do Slovan Liberec, e Osman Hadzikic, do Slaven Belupo. Da Suécia vêm Armin Gigovic, do Young Boys, Benjamin Tahirovic, do Brondby, e Dennis Hadzikadunic, da Sampdoria.

Também há jogadores nascidos na Dinamarca, como Amir Hadziahmetovic, do Hull City, na Suíça, como Haris Tabakovic, do Borussia Mönchengladbach, e nos Estados Unidos, como Esmir Bajraktarevic, do PSV.

Seleção da Bósnia
Seleção da Bósnia - Foto: FIFA

Já os casos de atletas nascidos na Sérvia e na Croácia têm uma camada diferente. Por serem países que também fizeram parte da antiga Iugoslávia, a circulação de famílias se dá em um contexto regional historicamente mais próximo.

No elenco, Samed Bazdar, do Jagiellonia Białystok, e Jovo Lukic, do Universitatea Cluj, nasceram na Sérvia. Ivan Basic, do Astana, nasceu na Croácia.

Desses, somente Amir Hadziahmetovic, da Dinamarca, Samed Bazdar e Jovo Lukic, da Sérvia, não correm o risco de enfrentar o país onde nasceram nesta Copa do Mundo enquanto defendem a Bósnia.

Jogadores nascidos fora da Bósnia

Alemanha

  • Sead Kolasinac - Atalanta
  • Dzenis Burnic - Karlsruher
  • Kerim Alajbegovic - RB Salzburg
  • Ermedin Demirovic - Stuttgart

Áustria

  • Amar Dedic - Benfica
  • Ermin Mahmic - Slovan Liberec
  • Osman Hadzikic - Slaven Belupo

Suécia

  • Armin Gigovic - BSC Young Boys
  • Benjamin Tahirovic - Brondby
  • Dennis Hadzikadunic - Sampdoria

Sérvia

  • Samed Bazdar - Jagiellonia Białystok
  • Jovo Lukic - Universitatea Cluj

Croácia

  • Ivan Basic - Astana

Dinamarca

  • Amir Hadziahmetovic - Hull City

Suíça

  • Haris Tabakovic - Borussia Mönchengladbach

Estados Unidos

  • Esmir Bajraktarevic - PSV
Seleção da Bósnia
Seleção da Bósnia - Foto: FIFA

Técnicos bósnios

Mas, se faltam jogadores nascidos na bósnia, não faltam técnicos. Além de Barbarez, técnico da própria Bósnia, a Copa terá Zlatko Dalic no comando da Croácia. Embora seja croata, Dalic nasceu em Livno, cidade localizada no território da atual Bósnia e Herzegovina.

Zlatko Dalic, treinador da Croácia
Zlatko Dalic, treinador da Croácia - Foto: FIFA

Ele é um dos treinadores mais importantes da história recente do futebol croata, responsável por conduzir a seleção à final da Copa de 2018 e a campanhas de destaque no cenário internacional.

Outro nome bósnio no comando na Copa de 2026 é Vladimir Petkovic, ex-treinador da Suíça e técnico da Argélia. Nascido em Sarajevo, capital bósnia, ele tem carreira construída fora da Bósnia, sendo uma figura conhecida do futebol europeu e chegando à Copa à frente de uma seleção africana.

Vladimir Petkovic, ex-treinador da Suíça e técnico da Argélia
Vladimir Petkovic, ex-treinador da Suíça e técnico da Argélia - Foto: FIFA
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