Busca interna do iBahia
HOME > COPA DO MUNDO

ESTRATÉGIA

Como a Coreia usa racismo como vantagem contra rivais em campo

Conheça a estratégia que confunde adversários que não conhecem o time coreano

Marina Branco
Por
Seleção da Coreia
Seleção da Coreia - Foto: FIFA

Para quem conhece todos os jogadores por nome e rosto, os números das camisas assumem um papel de determinação de posição e prestígio. Para a Coreia do Sul, no entanto, a numeração dos jogadores é uma peça de estratégia contra outros países.

A Coreia estreou na Copa do Mundo na madrugada desta sexta-feira, 12, usando a numeração oficial para o Mundial contra a Tchéquia e vencendo a partida por 2 a 1, com gols de Hwang In-beom e Oh Hyeon-gyu.

Tudo sobre Copa do mundo em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Leia Também:

COPA 2026

Após surto de ebola, RD Congo é liberada para a Copa do Mundo
Após surto de ebola, RD Congo é liberada para a Copa do Mundo imagem

PREOCUPANTE

Calor extremo pode afetar desempenho de atletas em 97 jogos da Copa do Mundo
Calor extremo pode afetar desempenho de atletas em 97 jogos da Copa do Mundo imagem

DEVOÇÃO E SELEÇÃO

Oração pelo Hexa: igrejas convocam Santo Antônio na estreia do Brasil na Copa
Oração pelo Hexa: igrejas convocam Santo Antônio na estreia do Brasil na Copa imagem

Em amistosos de preparação contra Trinidad e Tobago e El Salvador, a seleção asiática repetiu uma prática já vista em 2018 - embaralhar os números habituais dos atletas para dificultar a observação de adversários.

Em 2018, antes da Copa da Rússia, o então técnico Shin Tae-yong autorizou que jogadores sul-coreanos atuassem em amistosos com números trocados, por acreditar que observadores ocidentais teriam dificuldade em distinguir jogadores asiáticos.

Sem dizer que seus jogadores eram parecidos, a Coreia reconheceu o preconceito que faz com que muitos ocidentais não consigam distinguir rostos orientais, reduzindo o time a um grupo homogêneo e usando os números para saber quem é quem.

Ao tirar as numerações fixas, então, os coreanos tiraram de muitos a habilidade de encontrar um jogador em campo, dificultando estudos táticos e jogadas ensaiadas para um craque específico.

O principal exemplo foi Son Heung-min, maior estrela da equipe e normalmente associado à camisa 7, que atuou com o número 13 no último amistoso. Já Kim Min-jae, zagueiro do Bayern de Munique e um dos principais nomes defensivos da seleção, deixou o número 4 habitual e jogou com a 16.

Son pela Coreia
Son pela Coreia - Foto: FIFA

Racismo como "erro de leitura"

Esse tipo de preconceito, muitas vezes, surge como simplificação, na reclamação de nomes tratados como "difíceis demais", traços físicos reduzidos a estereótipos e comentários que colocam pessoas de países e culturas diferentes dentro de uma mesma massa, como se todos fossem iguais.

No futebol, identificar jogadores, mapear padrões de movimento e entender a função de cada atleta são tarefas centrais para qualquer comissão técnica, mas quando um observador parte de um olhar homogeneizador, registra menos detalhe e perde nuance.

Assim, qualquer mínima confusão faz com que dependentes de referências visuais rápidas cometam erros na análise. No caso da Coreia do Sul, a troca ganha força justamente porque alguns atletas têm funções muito marcadas. Son é a principal referência ofensiva do país, enquanto Kim Min-jae, por exemplo é peça central na defesa.

Assim, um deslocamento de Son ou uma antecipação de Kim podem escapar de quem não se dispõe a reconhecer cada jogador como indivíduo.

Início da estratégia

Antes da Copa de 2018, em meio a relatos de observação de treinos e preocupação com espionagem de adversários, Shin Tae-yong autorizou que jogadores atuassem em amistosos com números diferentes dos usuais.

Naquela ocasião, porém, o próprio técnico reconheceu que a ideia não alcançou o objetivo como ele esperava em determinado momento. Ainda assim, a estratégia voltou a aparecer em 2026, agora sem uma declaração direta da atual comissão técnica sobre o assunto.

Curiosamente, nas últimas três Copas, a única em que a Coreia do Sul não embaralhou os números das camisas foi 2022. Naquela edição, o comando técnico era do português Paulo Bento, ocidental.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

copa do mundo coreia do sul racismo Son Heung-min

Relacionadas

Mais lidas