SEM TRANSMITIR?
CazéTV pode ficar fora da Copa de 2030 por conflito de interesses
Fifa está investigando o modelo de negócios da empresa que opera a CazéTV


A primeira Copa do Mundo vivida nas transmissões da CazéTV pode também ser a última. A emissora corre o risco de ficar fora da transmissão da Copa do Mundo de 2030 caso a Fifa avance nas restrições ao modelo de negócios da LiveMode, empresa ligada à operação do canal.
A entidade avalia se a estrutura societária e comercial envolvendo a plataforma, investidores e a negociação de direitos esportivos pode configurar conflito de interesses.
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Até o momento, não há decisão final da Fifa sobre os direitos de transmissão do Mundial de 2030, que será disputado em Espanha, Portugal e Marrocos, com partidas inaugurais em Chile, Argentina e Uruguai.
O ponto de atenção, segundo os bastidores, está na atuação da LiveMode em diferentes etapas do mercado de direitos esportivos. A empresa participa da intermediação comercial de direitos, está ligada à CazéTV e também mantém relações societárias com fundos de investimento que atuam no setor.
Fifa avalia modelo de negócios
A preocupação da Fifa estaria relacionada à participação cruzada de agentes em áreas distintas da cadeia de transmissão. Na avaliação da entidade, a presença dos mesmos grupos em negociações, comercialização e exibição de direitos pode gerar questionamentos sobre governança e independência comercial.
Entre as alternativas discutidas nos bastidores estariam exigências de reestruturação societária, ajustes no modelo de operação ou limitações contratuais para que a CazéTV possa renovar acordos de transmissão da Copa de 2030.
Por enquanto, a Fifa não tomou uma decisão definitiva, e os direitos de mídia do próximo Mundial seguem em processo de negociação.
O que é a LiveMode
A LiveMode é peça central no debate porque atua em mais de uma frente do mercado esportivo. A empresa ganhou relevância nos últimos anos ao participar da comercialização de direitos, da criação de produtos digitais e da operação de transmissões esportivas em plataformas de streaming.
No caso da CazéTV, a parceria ajudou a consolidar o canal como um dos principais nomes do ambiente digital no Brasil, a levando a disputar espaço com grupos tradicionais de mídia esportiva.
Para a Fifa, no entanto, surgiu o desafio de avaliar se a estrutura atual atende aos critérios de independência e transparência exigidos para acordos de transmissão de um evento do tamanho da Copa do Mundo.
A presença da CazéTV, no entanto, já mudou a dinâmica de consumo de Copa no Brasil. Durante a partida entre Brasil e Haiti, por exemplo, a CazéTV registrou 16,1 milhões de conexões simultâneas. No mesmo jogo, o Grupo Globo somou 51 milhões de pessoas na TV aberta e nos canais digitais.
Assim, de um lado, a televisão tradicional ainda concentra alcance massivo, enquanto de outro, o ambiente digital já tem capacidade de reunir audiências gigantescas em transmissões ao vivo.
Mudanças no futebol brasileiro podem afetar
Outro fator observado nos bastidores é a articulação política em torno da CBF e dos projetos de reorganização do futebol brasileiro. A Fifa acompanha discussões sobre uma possível unificação de ligas no Brasil a partir de 2030, movimento que pode ter impacto indireto no ambiente de negociação de direitos internacionais.
A reorganização do futebol nacional interessa ao mercado porque pode alterar a forma como direitos são vendidos, negociados e distribuídos entre clubes, empresas, plataformas e investidores.


