JUSTIÇA FRANCESA
Em meio à Copa, Hakimi irá a julgamento por acusação de estupro
lateral do Marrocos responderá a julgamento por acusação de estupro feita em 2023


O lateral-direito marroquino Achraf Hakimi, um dos destaques do Paris Saint-Germain e da seleção do Marrocos, que está no mesmo grupo do Brasil na Copa do Mundo de 2026, teve um revés na Justiça francesa. Nesta sexta-feira, 19, o Tribunal de Apelação de Versalhes rejeitou o recurso apresentado pela defesa do jogador, que buscava o arquivamento da acusação de estupro feita por uma mulher de 24 anos em 2023.
De acordo com o jornal L'Equipe, os magistrados concluíram que há elementos suficientes para que o caso avance para julgamento. Hakimi nega as acusações desde o início das investigações e sustenta sua inocência.
Com a decisão, o atleta passará a responder formalmente perante o Tribunal Criminal Departamental da França, responsável por analisar as provas reunidas durante a investigação, além dos depoimentos das partes envolvidas, para determinar sua eventual responsabilidade no caso.
A advogada da denunciante, Rachel-Flore Pardo, celebrou o avanço do processo e destacou o impacto da decisão para sua cliente.
"Após mais de três anos de batalha judicial, depois de ter sido caluniada e difamada pela defesa de Achraf Hakimi, esta decisão traz à minha cliente alívio e esperança", afirmou.
Do outro lado, a defesa do jogador criticou o entendimento da Justiça e argumentou que inconsistências presentes no relato da denunciante não teriam sido consideradas. A advogada Fanny Colin também mencionou avaliações psicológicas que, segundo ela, apontariam ambiguidades e falta de clareza na narrativa apresentada pela acusação.
"A quantidade de elementos favoráveis ao acusado revelados pela investigação e pela instrução judicial teria, em qualquer outro caso, levado ao arquivamento do processo", disse a advogada.
"Hakimi aguarda o seu julgamento para finalmente poder se pronunciar publicamente sobre a acusação falsa de que é alvo", completou.
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Entenda o caso
A investigação teve início em fevereiro de 2023, após uma jovem procurar uma delegacia em Val-de-Marne, nos arredores de Paris, para relatar ter sido vítima de estupro. Apesar do depoimento prestado às autoridades, ela optou por não formalizar uma queixa naquele momento.
Segundo informações da AFP, a mulher afirmou ter conhecido Hakimi por meio do Instagram e ter sido convidada para visitá-lo em sua residência. De acordo com seu relato, o jogador teria iniciado contatos físicos e investidas sexuais sem consentimento antes de cometer o suposto estupro. A denunciante declarou ainda que conseguiu deixar o local e acionou uma amiga para pedir ajuda.
Diante da gravidade das acusações e da notoriedade do atleta, a Promotoria de Nanterre assumiu o caso. Pouco tempo depois, em março de 2023, Hakimi foi oficialmente indiciado pela Justiça francesa.
Em fevereiro deste ano, após um juiz decidir pelo prosseguimento da ação, o lateral voltou a se manifestar publicamente por meio das redes sociais.
"Hoje em dia, uma acusação de estupro é suficiente para justificar um julgamento, mesmo que eu a negue e tudo prove que é falsa. Isso é tão injusto para os inocentes quanto para as verdadeiras vítimas. Aguardo com serenidade este julgamento, que permitirá que a verdade venha à tona publicamente", escreveu.


