ESPANHA X ARGENTINA
Final da Copa mantém tabu de nenhum técnico estrangeiro campeão
Com a eliminação de Thomas Tuchel, nenhum técnico estrangeiro poderá ser campeão da Copa


A eliminação da Inglaterra para a Argentina na semifinal da Copa do Mundo de 2026 manteve vivo um dos tabus mais antigos da história do torneio - nenhuma seleção jamais foi campeã mundial comandada por um técnico estrangeiro.
Thomas Tuchel, alemão à frente da seleção inglesa, era o último treinador ainda vivona competição com chance de quebrar essa marca, mas viu o sonho acabar com a derrota por 2 a 1 em Atlanta.

A Inglaterra chegou a abrir o placar, mas sofreu a virada argentina e ficou fora da final. Com isso, a decisão de domingo, 19, entre Espanha e Argentina, será disputada por duas seleções comandadas por treinadores nascidos nos próprios países: Luis de la Fuente, pela Espanha, e Lionel Scaloni, pela Argentina.
Tuchel poderia ter se tornado apenas o terceiro técnico estrangeiro a dirigir uma seleção em uma final de Copa do Mundo. Mais do que isso, teria a chance de ser o primeiro campeão mundial nessas condições. O feito, no entanto, seguirá inédito.
Tabu resiste desde a primeira Copa
Desde 1930, todas as seleções campeãs do mundo foram comandadas por técnicos da mesma nacionalidade do país vencedor. O recorde resistiu a diferentes gerações, formatos de competição e ao crescimento da presença de treinadores estrangeiros no futebol de seleções.
Em 2026, a possibilidade de quebra parecia maior do que nunca. Segundo dados da Fifa, 26 das 48 seleções participantes da Copa tinham treinadores estrangeiros, número equivalente a pouco mais de 54% dos comandantes.
O índice representou um salto em relação ao Mundial de 2022, quando nove das 32 equipes eram dirigidas por técnicos de outra nacionalidade. Ainda assim, nenhum deles chegou à final.
Apenas dois estrangeiros chegaram à final
Antes de Tuchel, apenas dois técnicos estrangeiros haviam comandado seleções em finais de Copa do Mundo. O primeiro foi o inglês George Raynor, que levou a Suécia à decisão de 1958.
Jogando em casa, os suecos chegaram à final contra o Brasil, mas foram derrotados por 5 a 2 pela equipe liderada por Pelé, então com apenas 17 anos. A vitória marcou o primeiro título mundial da seleção brasileira.

O segundo foi o austríaco Ernst Happel, comandante da Holanda na Copa de 1978. A Laranja Mecânica chegou à final contra a Argentina, anfitriã do torneio, mas perdeu por 3 a 1 na prorrogação.
O resultado deu aos argentinos o primeiro título mundial e condenou os holandeses ao segundo vice consecutivo, depois da derrota para a Alemanha Ocidental em 1974.

Argentina volta a barrar técnico estrangeiro
A Argentina, inclusive, tem papel direto em dois capítulos desse tabu. Em 1978, impediu Ernst Happel de ser campeão com a Holanda. Agora, em 2026, eliminou Thomas Tuchel e manteve a Inglaterra fora da decisão.
A vitória por 2 a 1 em Atlanta também reforçou a força argentina em jogos de grande peso histórico contra os ingleses. Depois dos duelos marcantes de 1986, 1998 e 2002, a semifinal de 2026 acrescentou mais um episódio à rivalidade.
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Copa teve recorde de estrangeiros no comando
A edição de 2026 marcou o maior número de técnicos estrangeiros da história das Copas. Além de Tuchel, algumas das principais seleções do torneio foram comandadas por treinadores de outra nacionalidade, incluindo a brasileira.
O Brasil chegou ao Mundial com Carlo Ancelotti, italiano multicampeão no futebol europeu contratado para reorganizar a Seleção após um ciclo turbulento. O Brasil, no entanto, caiu nas oitavas de final com a derrota por 2 a 1 para a Noruega.
Portugal também tinha um técnico estrangeiro - o espanhol Roberto Martínez. A equipe foi eliminada pela Espanha nas oitavas de final, em uma partida decidida por 1 a 0.
Nos países-sede, a presença estrangeira também foi relevante. O Canadá foi comandado pelo americano Jesse Marsch e chegou às oitavas, fase em que caiu para o Marrocos. Os Estados Unidos tiveram o argentino Mauricio Pochettino no banco, mas também foram eliminados nas oitavas, pela Bélgica.
O Equador, dirigido pelo argentino Sebastián Beccacece, fez campanha de recuperação na fase de grupos, incluindo vitória sobre a Alemanha, mas caiu no mata-mata diante do México. Já o Uruguai, comandado por Marcelo Bielsa, não conseguiu avançar à fase eliminatória.


