COPA DO MUNDO
Herói da Espanha na Copa nasceu na França e foi ignorado por Deschamps
Zagueiro trocou os franceses pelos espanhóis depois de ser ignorado por técnico


Titular da Espanha e uma das referências do sistema defensivo que sofreu apenas um gol em toda a Copa do Mundo, e superou a França nesta terça-feira, 14, o zagueiro Aymeric Laporte nasceu em território francês, e se naturalizou depois de não receber oportunidadespelo técnico Didier Deschamps.
A situação inusitada resulta em um arco de redenção com um final feliz para o defensor, que ajudou a sua seleção a destronar o país em que nasceu. Laporte é natural da cidade francesa Agen, mas tem ascendência basca e se mudou para a Espanha ainda jovem.
O zagueiro surgiu com muito destaque no Athletic Bilbao, e, mesmo muito identificado com a nação espanhola, escolheu defender a França em um primeiro momento. Ele atuou nas categorias de base e até chegou a ser convocado para a seleção principal, em 2016.
Técnico dos franceses, Deschamps estava ciente de que Laporte poderia atuar pela Espanha, e prometeu que daria oportunidades ao defensor.
Chamei Laporte para que ele jogue. E ele vai. Sabia que ele poderia ser chamado para a Espanha Didier Deschamps - Em 2016
Laporte não entrou em campo

Apesar da promessa, o defensor não entrou em campo, chegou a ser chamado mais outras duas vezes, e seguiu no banco de reservas. Mesmo assim, Laporte reforçou sua escolha de jogar pela França durante esse período sem chances.
Ele pôde se naturalizar justamente por não ter entrado em campo pela França, e não foi afetado pela regra da Fifa. A entidade não permite que jogadores se naturalizem depois de terem disputado seu primeiro jogo oficial por uma seleção.
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"Eu escolhi a França, sou francês. Eu nem tenho dupla nacionalidade. Não vou pedir por isso. O técnico da seleção nacional toma suas decisões", disse Laporte, à TV Basque, em 2018.
O jogador cansou de esperar e, em 2021, decidiu se naturalizar espanhol, em decisão motivada por uma mágoa pelo técnico Dider Deschamps.
"Escrevi para o mesmo número que na última vez que nos falamos. Não tive uma resposta. Eu também não me senti tão importante para que a equipe da França comunicasse algo. De fato, a importância que tinha para eles estava mais na imprensa do que em qualquer outra coisa", afirmou Laporte, ao L'Équipe.


