ENTENDA O CASO
Jogador detido por manipulação de resultados é liberado para a Copa
Atacante marfinense foi detido e interrogado na França após volume atípico de apostas


O atacante marfinense Elye Wahi chegou à Copa do Mundo de 2026 cercado por uma investigação na França. 17 dias antes de estrear pela Costa do Marfim no torneio, o jogador foi detido e interrogado por suspeita de envolvimento em um caso de manipulação de resultados. Apesar da apuração em andamento, ele está liberado para disputar normalmente o Mundial.
A investigação teve início após uma partida entre Nice e Metz, válida pela Ligue 1. Wahi é suspeito de ter forçado a aplicação de um cartão amarelo durante o confronto. De acordo com informações divulgadas pelo The Athletic, a liga francesa identificou um volume atípico de apostas relacionadas à punição do atacante e comunicou o caso às autoridades competentes.
A partir do alerta, órgãos responsáveis pela fiscalização de apostas esportivas e a polícia francesa iniciaram uma investigação que levou à detenção temporária do jogador em 29 de maio para prestar esclarecimentos.
Até o momento, no entanto, não há qualquer sanção esportiva aplicada ao atleta. O caso ainda está em fase inicial de apuração e não resultou em uma punição disciplinar por parte da Federação Francesa de Futebol, o que permite que Wahi siga atuando pela seleção marfinense durante a Copa do Mundo.
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Segundo especialistas em direito desportivo, a responsabilidade inicial pela condução do processo é da federação nacional.
"Logo, a princípio, a jurisdição para um procedimento disciplinar é da Federação Francesa de Futebol, conforme art. 30.2 do Código Disciplinar da FIFA. No entanto, infrações como manipulação de resultados são consideradas mais graves, e permitem à FIFA diretamente investigar o caso e punir o infrator, se a federação competente não iniciar investigações em até 90 dias, a contar da data em que o fato chegar ao conhecimento da FIFA", analisou Felipe Amaral Pestana, do escritório Bichara e Motta.
O advogado também destacou que a Fifa pode assumir a condução do caso em situações específicas.
"Há ainda a possibilidade de a própria federação conferir competência à FIFA para apreciar a matéria. Essas regras estão no art. 30.7 do Código Disciplinar. Caso a FIFA assuma a competência, ela pode suspender provisoriamente o atleta por até 90 dias, prorrogáveis por mais 90 dias, caso entenda que o caso é grave o suficiente, conforme art. 51 do Código Disciplinar."
Enquanto as investigações seguem em curso, Elye Wahi permanece à disposição da Costa do Marfim para a sequência da competição.


