COPA DO MUNDO
Messi x Mbappé, racismo e política: como França e Argentina moldaram rivalidade em Copas do Mundo
Franceses e argentinos moldam atualmente a maior rivalidade no futebol


Esqueça o tradicionalismo geográfico. Se a história por muitos anos contou que a Argentina tinha o Brasil como seu grande rival, e a França tinha como principais adversários a Alemanha e a Inglaterra, o futebol criou um novo clássico global que pode estar indo para seu terceiro capítulo com dois protagonistas claros: Messi x Mbappé.
O que começou como um embate apenas técnico em 2018, em um eletrizante 4 a 3, saiu das quatro linhas e passou a dominar as discussões do futebol mundial. Artilharia de Copa, temas raciais e políticos moldam o que hoje é, provavelmente, a maior rivalidade do esporte mais praticado no mundo.
Surge um fenômeno em Copas: Kylian Mbappé
Se até os dias atuais Mbappé, com 27 anos, é criticado por nunca ter vencido uma Champions League, a chave muda totalmente quando falamos em Copa do Mundo. Em 2018, aos 19 anos, o craque francês assumiu a camisa 10 da seleção de seu país, que já havia sido usada por craques como Platini e Zidane, e não sentiu pressão alguma.
Embalado por um grupo que tinha nomes como Pogba, Griezmann e Lloris, Mbappé foi um dos principais destaques dos Bleus, que conquistaram o bicampeonato na Rússia.
Antes de chegar à final, o confronto das oitavas de final foi contra a Argentina. Em um duelo que talvez tenha sido o melhor daquela Copa, o jovem francês brilhou ao marcar duas vezes e garantir a vitória por 4 a 3, mandando os argentinos mais cedo para casa e ofuscando um Lionel Messi que passou em branco naquela partida.
A batalha dos deuses: artilharia e genialidade
Quatro anos depois, no Catar, a rivalidade ganhou um ingrediente extra antes mesmo de as seleções se encontrarem na final. Mbappé, cirúrgico e preciso, começou a despontar como um nome que poderia se tornar um dos maiores artilheiros da história das Copas.
Do outro lado, Lionel Messi, com sua genialidade, finalmente mostrou todo o seu potencial em uma Copa do Mundo, após amargar o vice em 2014, no Brasil.
Destaque para o duelo direto de artilharia que ocorreu na final de 2022: Mbappé fez um hat-trick histórico e terminou como artilheiro do torneio com 8 gols, enquanto Messi fez dois gols na final e ergueu o tão sonhado título, naquela que é considerada uma das melhores finais de Copa de todos os tempos.
O extracampo, a música racista e a linha cruzada
A rivalidade que era restrita ao campo extrapolou o bom senso e ganhou contexto social. A polêmica começou por conta de uma canção criada por torcedores argentinos na final de 2022, e que ganhou dimensão global em julho de 2024. Após vencerem a Copa América, os próprios jogadores da Albiceleste foram flagrados, durante uma live de Enzo Fernández, cantando os versos preconceituosos:
"Eles jogam pela França, mas são de Angola, que bom que eles vão correr, se relacionam com transexuais, a mãe deles é nigeriana, o pai deles camaronês, mas no passaporte: francês."
A música utiliza termos racistas, xenofóbicos e transfóbicos, e faz referência a situações extracampo da vida de Mbappé. Além disso, soma-se o fato de o craque francês ser abertamente de esquerda, enquanto o governo argentino atualmente é de direita.
A atitude teve impacto direto no Chelsea, clube em que Enzo atua e que contava com jogadores franceses negros na época. Um deles, Wesley Fofana, chamou a situação de "racismo desinibido". Enzo teve que pedir desculpas internamente ao grupo.
Política e futebol
Externamente, a Federação Francesa de Futebol (FFF) e a Associação do Futebol Argetino (AFA) entraram em embate, que chegou na política.
Figuras do alto escalão do governo argentino, incluindo a vice-presidente Victoria Villarruel, saíram em defesa de Enzo Fernández, defendendo uma suposta liberdade de expressão.
A situação escalou de tal forma que ameaçou a relação econômica entre os países, até que Karina Milei teve que se desculpar com a França após o país europeu ser chamado de "hipócrita" e "colonialista" por membros do governo argentino.
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Capítulo final: hora do tira-teima
Voltando ao campo, a Copa de 2026 pode ser o tira-teima para França e Argentina. As equipes estão em lados opostos da chave e podem se encontrar somente em uma eventual final. Os franceses vão em busca do tricampeonato, enquanto os argentinos buscam o tetra.
Apesar de não haver uma certeza sobre o encontro, Mbappé e Lionel Messi já travam a batalha pela artilharia da competição, ambos com 8 gols marcados.
Paralelamente a isso, os dois atletas ainda disputam o posto de maior artilheiro em Copas. Messi atualmente tem 21 gols, enquanto Mbappé já alcançou 20 e terá, provavelmente, mais duas edições de Mundiais pela frente para poder consolidar o posto.
No caminho desse encontro, geografia e política se misturam mais uma vez com o futebol, já que Espanha e Inglaterra podem ser os respectivos adversários de franceses e argentinos.
O embate entre França e Argentina está consolidado como a maior rivalidade da era moderna do futebol, e o duelo que era para ser apenas um choque de gerações poderá parar o mundo em breve, adicionando geopolítica e o contexto social. A ver quem sairá como vitorioso dessa "guerra".


