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Pênaltis e prorrogação podem afetar o coração durante a Copa

Cardiologista explica como a emoção da Copa pode afetar o organismo

Isabela Cardoso
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Jogos decisivos da Copa podem aumentar risco de problemas no coração
Jogos decisivos da Copa podem aumentar risco de problemas no coração - Foto: Pexels

A fase eliminatória da Copa do Mundo 2026 começa neste domingo, 28, e, com ela, aumenta também a carga emocional dos torcedores. Diferentemente da fase de grupos, cada partida passa a ser decisiva, tornando comuns as prorrogações, disputas por pênaltis e viradas dramáticas.

Embora esses momentos façam parte da emoção do futebol, eles também podem representar um desafio para a saúde do coração.

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A tensão vivida durante uma decisão pode desencadear reações fisiológicas importantes. Em pessoas com doenças cardiovasculares ou fatores de risco, esse estresse pode favorecer desde alterações na pressão arterial até arritmias e, em casos mais graves, infarto.

O que acontece no corpo?

Ao CNN Brasil, a cardiologista Dra. Julianny Freitas, explicou que o organismo reage aos momentos de maior tensão como se estivesse diante de uma situação de perigo.

"O cérebro ativa o sistema nervoso simpático, promovendo uma descarga intensa de adrenalina e noradrenalina. Esses hormônios aumentam a frequência cardíaca, elevam a pressão arterial, aumentam a força de contração do coração e elevam o consumo de oxigênio pelo músculo cardíaco. Além disso, tornam o sangue mais propenso à coagulação", explica.

Essa resposta é natural e faz parte do mecanismo de sobrevivência do corpo humano. O problema surge quando ela acontece em pessoas que já possuem doenças cardiovasculares ou fatores de risco, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade e tabagismo.

Síndrome do coração partido

A especialista alerta que até pessoas aparentemente saudáveis podem apresentar complicações durante situações de forte estresse emocional.

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Isso acontece porque algumas doenças cardíacas permanecem silenciosas por muitos anos, como alterações elétricas do coração, doenças genéticas e a doença arterial coronariana sem sintomas. Em momentos de grande descarga hormonal, essas condições podem se manifestar pela primeira vez.

Por isso, episódios graves registrados durante grandes competições esportivas costumam envolver tanto pacientes cardíacos conhecidos quanto pessoas que nunca haviam recebido um diagnóstico.

Sintomas de alerta

Entre as condições que podem ser desencadeadas por emoções muito intensas está a cardiomiopatia induzida pelo estresse, conhecida popularmente como síndrome do coração partido ou síndrome de Takotsubo.

O quadro provoca uma alteração temporária no funcionamento do músculo cardíaco e apresenta sintomas bastante semelhantes aos de um infarto, como dor no peito, falta de ar e sensação de aperto.

Apesar do nome curioso, trata-se de uma condição reconhecida pela medicina e que pode ser desencadeada tanto por acontecimentos tristes quanto por momentos de extrema felicidade ou ansiedade.

"A boa notícia é que esses eventos são raros. A maioria dos torcedores experimentará apenas as emoções naturais do esporte, sem consequências clínicas relevantes", tranquiliza a Dra. Julianny Freitas.

Hábitos que aumentam o risco

Durante um jogo, alguns sinais não devem ser ignorados, mesmo que pareçam relacionados apenas ao nervosismo da partida.

Os principais sintomas de alerta são:

  • Dor ou pressão no peito que persiste por alguns minutos;
  • Falta de ar intensa;
  • Desmaio ou perda de consciência;
  • Tontura forte acompanhada de palpitações;
  • Sensação de batimentos acelerados, irregulares ou descompassados;
  • Suor excessivo acompanhado de mal-estar;
  • Dor irradiando para o braço esquerdo, mandíbula, pescoço ou costas.

Segundo a cardiologista, nesses casos, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente, pois o tratamento rápido pode ser decisivo.

Hábitos que aumentam o risco

A emoção da partida não é o único fator que pode sobrecarregar o coração durante a Copa.

Reuniões para assistir aos jogos costumam ser acompanhadas de churrasco, bebidas alcoólicas, alimentos ricos em gordura, energéticos e cigarro. A combinação desses hábitos com o estresse emocional aumenta significativamente o esforço exigido do sistema cardiovascular.

Entre os principais cuidados está evitar misturar álcool com bebidas energéticas, uma associação que favorece alterações na frequência cardíaca e pode elevar ainda mais a pressão arterial.

Como proteger o coração

A recomendação dos especialistas é aproveitar a Copa sem descuidar da saúde.

Quem já possui alguma doença cardiovascular deve manter a medicação em dia e seguir corretamente as orientações médicas. Também é importante manter-se hidratado, dormir bem, evitar excessos no consumo de álcool, não fumar e não ignorar sintomas suspeitos.

Para pessoas com fatores de risco, como hipertensão, diabetes, colesterol alto ou histórico familiar de doenças cardíacas, manter o acompanhamento regular com um cardiologista é fundamental.

A emoção faz parte da Copa do Mundo e ajuda a transformar cada partida em um espetáculo. Mas cuidar do coração é a melhor estratégia para garantir que a torcida termine apenas em comemoração.

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