COPA DO MUNDO 2026
Venda de camisas da seleção despenca em Salvador após eliminação
Lojistas da av. Sete registram queda nas vendas e tentam queima de estoque para atrair turistas


O clima de euforia que dominou o centro da capital baiana durante o início da competição deu lugar a um silêncio absoluto nas bancas de artigos esportivos. Com a seleção brasileira fora da disputa, a camisa "amarelinha", antes protagonista, agora acumula poeira nas araras, mesmo com preços reduzidos — variando entre R$ 20 e R$ 100.
O choque de realidade no comércio de rua

Para quem trabalha na região há décadas, a mudança no comportamento do consumidor soteropolitano é evidente. Juracy da Ressurreição, comerciante há 20 anos, observa que o movimento caiu drasticamente nas últimas 24 horas.
"Todo mundo vendeu um pouquinho no início, mas agora não tem mais compradores para a camisa do Brasil", relata Juracy.
O pragmatismo de quem vive das vendas é compartilhado por Francisco da Hora, vendedor no Relógio de São Pedro. Para ele, a queda nas vendas não se deve apenas à eliminação, mas a uma descrença histórica do torcedor.
"O brasileiro está desacreditado. Parece que falta aquele vigor de antigamente. Para o comércio, a seleção perdeu, ,mas vida que segue", afirma Francisco, reforçando que o foco agora é girar o estoque para evitar prejuízos.
A ironia das vendas: o sucesso das eliminadas

Um fenômeno curioso chama a atenção de quem caminha pela avenida Sete de Setembro: enquanto o Brasil é ignorado, camisas de outras seleções continuam saindo com frequência. O caso de Portugal, eliminada recentemente, é o exemplo mais nítido dessa contradição.
Audrey Silva dos Santos, que atua no setor há quatro anos, não hesita em classificar o comportamento do consumidor local como "hipocrisia".
"O povo não valoriza a nossa nacionalidade, mas valoriza a do outro. Portugal caiu e o pessoal continuou comprando a camisa. Se a Argentina for eliminada, amanhã o movimento para comprar a deles será intenso", analisa.


