ENTREVISTA
Armandinho critica novidades no Carnaval: "Perdendo essência"
Cantor, que é um dos maiores representantes da música baiana, revelou como acredita que festa pode se modernizar
Por Luiz Almeida
Um dos maiores representantes da música baiana e ícone do trio elétrico, Armandinho deu a sua opinião a respeito das mudanças que vêm ocorrendo no Carnaval da Bahia. Nos bastidores do programa ‘Papo Reto’, da Rádio A TARDE FM (103,9), o artista elogiou a evolução natural da música dentro do contexto cultural do estado, mas destacou sua insatisfação com as recentes influências comerciais.
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Ao Portal A TARDE, o músico destacou que sempre houve uma abertura para incorporar novos ritmos e que muitos estilos foram adicionados ao repertório do trio elétrico, contribuindo para a diversidade musical da Bahia. O filho do lendário Osmar Macedo citou Luís Caldas como o "pai do axé music", reconhecendo a importância de seu trabalho na construção do gênero que, segundo Armandinho, moldou grande parte do Carnaval atual.
"A gente fazia um repertório mais baseado no frevo [no início do Carnaval], aí puxamos também o galope. Aí vem o Chiclete com Banana, mas tudo dentro dessa coisa 'trieletrizada'. Todos tinham guitarra baiana. Vem o Luís Caldas, que é o marco de visão de base musical com os ritmos dele, um grande músico. Mas tudo que se desenvolveu a partir daí, inclusive o pagode de trio elétrico, de artistas como Márcio Victor [da banda Psirico]", destacou.
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O baiano ressaltou que essas transformações fazem parte da natureza criativa da Bahia, que é "uma terra de percussão fortíssima", com movimentos como o Olodum e o Samba Reggae surgindo naturalmente e contribuindo para a música baiana. Para ele, essa evolução é positiva, pois continua alimentando e diversificando a arte baiana de maneira autêntica. "Tudo isso foi se incorporando naturalmente", afirmou Armandinho, destacando a riqueza de gêneros que se mesclaram ao longo dos anos.
O famoso, então, defendeu que essas mudanças façam parte de uma tradição artística que deve ser mantida e garantiu enxergar essas transformações como movimentos coerentes e orgânicos, que mantêm a alma do Carnaval viva.
A comercialização do Carnaval
Por outro lado, Armandinho não poupou críticas ao que chama de "Carnaval comercial". Ao Portal A TARDE, ele disse que muitas das novidades que têm surgido não dialogam com a cultura e a história da Bahia. "Isso não contribui nada culturalmente para a gente aqui", opinou o músico, referindo-se à contratação de atrações que, em sua visão, não têm conexão com o espírito do Carnaval baiano. Para ele, essa tendência ameaça o espaço que foi criado durante a ascensão do axé, e que permitiu o surgimento de vários artistas e compositores.
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Ele criticou o impacto que essa comercialização tem tido na produção musical local, mencionando a diminuição de compositores ativos e a falta de apoio da mídia local para artistas que representam a Bahia. Segundo ele, a atenção voltada para atrações de fora do estado prejudica a arte e a música baiana, que ele acredita serem o verdadeiro coração do Carnaval.
Armandinho concluiu o seu desabafo destacando a importância de preservar a autenticidade do Carnaval baiano. Ele defendeu ainda que os meios de comunicação valorizem a arte e a cultura da Bahia, reconhecendo o estado como um verdadeiro "celeiro de música". Para o artista, essa preservação cultural é essencial para que o Carnaval continue sendo um espaço de celebração do "sagrado e profano", elementos que ele considera fundamentais para a atmosfera única da festa.
"Não podemos tirar esse espaço", alertou o guitarrista, reforçando que a perda dessa identidade musical pode acabar com a essência do Carnaval da Bahia.
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