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Artista baiano faz história ao representar sozinho a América do Sul em Berlim

Selecionado para festival, jovem revela desafio da cena local

Júlio Cesar Borges*
Por Júlio Cesar Borges*
Leonardo Crusoé leva voz da cena baiana a intercâmbio disputado na Alemanha
Leonardo Crusoé leva voz da cena baiana a intercâmbio disputado na Alemanha - Foto: Divulgação

O artista baiano Leonardo Crusoé, integrante da Cia Acerola de Teatro, será o único representante da América do Sul no Fórum Internacional do Theatretreffen, programa de intercâmbio que tem início hoje e se estende até o dia 17, em Berlim, na Alemanha, dentro da programação do principal festival de teatro alemão.

A participação foi viabilizada pelo Goethe-Institut Salvador e reúne jovens artistas de diferentes países para atividades de formação, experimentação, laboratórios, debates e apresentações teatrais.

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Natural de Salvador, Leonardo conta que a inscrição aconteceu de forma despretensiosa, enquanto viajava para Belo Horizonte, onde participaria do lançamento de sua primeira peça.

“No início tinha dúvida, porque pela concorrência talvez minha inscrição passasse batido. Fiz ainda no voo, mas com muita vontade. Acho que isso fez dar certo", afirma.

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Para o artista, a seleção representa não apenas uma conquista individual, mas também uma oportunidade de ampliar o alcance da produção teatral feita na Bahia.

“Temos muitas formas de fazer teatral na Bahia e no Brasil. O Sul Global ainda galga por esses espaços de sermos visíveis e ouvidos. Poder desempenhar esse papel no maior festival de teatro da Alemanha é surreal", diz.

Theatretreffen

Realizado pelo Berliner Festspiele, teatro em Berlim, em parceria com o Goethe-Institut, o Fórum Internacional do Theatretreffen é voltado para profissionais em início de carreira nas artes cênicas.

Durante o intercâmbio, os participantes acompanham espetáculos, seminários e encontros com diretores, atores e dramaturgos de diferentes países. Entre as atividades que mais despertam a expectativa em Leonardo, está assistir montagens em alemão.

“Toda viagem que faço, tenho um mantra de assistir um espetáculo mesmo sem entender a língua. Gosto de olhar para além do texto e perceber o trabalho da equipe, da presença e da encenação", explica.

A experiência, segundo ele, deve impactar diretamente os próximos trabalhos desenvolvidos pela Cia Acerola.

Atualmente, o coletivo prepara a montagem de Madame de Sade , texto do escritor e dramaturgo japonês Yukio Mishima, com direção assinada por Leonardo e estreia prevista para o fim do ano.

“Tudo que vejo e vivencio impacta no que iremos produzir. O artista nunca para de aprender", afirma.

Apesar do reconhecimento internacional, Leonardo avalia que a cena teatral baiana ainda enfrenta dificuldades estruturais. Ele cita a ausência de espaços públicos acessíveis, a escassez de editais e os desafios para financiar produções independentes.

“A internacionalização existe em uma contramão completa. Enquanto aqui se nega a disponibilizar oportunidades, o exterior está ansioso para ouvir e ver o que temos para apresentar", pontua.

O artista destaca, ainda, a importância do Goethe-Institut no fortalecimento da produção cultural local.

“O Goethe lança essa chance de poder apresentar, continuar e explorar. Desempenha um papel de acessibilidade não só para os artistas, mas também para quem consome arte", afirma.

Ao falar sobre artistas independentes que desejam circular internacionalmente, Leonardo resume o conselho em uma palavra: insistência.

“Arrisque-se. Até suas falhas são suas, tenha orgulho delas. Só saberemos se conseguimos se tentarmos. Pode parecer que não há chance no futuro, mas não desista da ânsia de fazer a arte como você sente”, conclui Leonardo.

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.

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