Busca interna do iBahia
HOME > CULTURA
Ouvir Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

CULTURA

Bienal do Livro Bahia 2026 cresce e amplia alcance cultural

Evento acontece no Centro de Convenções em Salvador entre os dias 15 e 21 de abril

Maiquele Romero*
Por Maiquele Romero*

Siga o A TARDE no Google

Google icon
Bienal do Livro Bahia 2026
Bienal do Livro Bahia 2026 -

A Bienal do Livro Bahia chega à edição de 2026 maior em duração, público e expectativas. Com expectativa de mais de 120 mil visitantes e sete dias de programação, que começa amanhã (15) e vai até o dia 21 (terça-feira), o evento se consolida como o principal encontro literário do Nordeste, ao mesmo tempo em que amplia seu papel. Mais do que vitrine editorial, afirma-se como espaço de formação de leitores, circulação de ideias e disputa simbólica em torno da diversidade cultural.

Sob o tema “Bahia - Identidade que ecoa nos quatro cantos do mundo”, o evento, realizado no Centro de Convenções Salvador, articula uma programação que combina nomes internacionais, best-sellers e uma curadoria integralmente baiana, escolha que atravessa não apenas a seleção de convidados, mas a própria concepção de literatura como experiência coletiva.

Tudo sobre Cultura em primeira mão!
Entre no canal do WhatsApp.

Para Tatiana Zaccaro, diretora-geral da GL Events Exhibitions, o crescimento do evento é resultado direto dessa consolidação.

“Para nós, os fatores essenciais que definem o sucesso da Bienal do Livro Bahia são o engajamento crescente do público e a confiança das editoras e dos patrocinadores”, afirma.

Segundo ela, o público saltou de pouco mais de 90 mil visitantes em 2022 para 100 mil em 2024, com expectativa de chegar a 120 mil em 2026. “E o mais legal é que são diferentes públicos, adolescentes, jovens adultos, famílias inteiras com crianças e adultos”, observa.

Leia Também:

Curadoria e projeto cultural

Um dos pilares desta edição é a curadoria 100% baiana, distribuída em diferentes eixos temáticos. À frente do Eixo Literário, estão Josélia Aguiar e Itamar Vieira Junior.

Josélia afirma que organiza mesas que dialogam tanto com a tradição quanto com novas vozes da literatura nacional. “Duas linhas estão sendo pensadas para o conjunto dessas seis mesas que estão comigo: numa delas, aprofundamos conversas iniciadas nas bienais anteriores, sobre narrativas literárias, históricas e culturais da Bahia; outra linha, novidade este ano, tem como proposta apresentar autorias no campo da literatura nacional que não tinham sido contempladas ainda no evento”, explica a autora.

No eixo Cultura Além do Livro, o jornalista, ator, dramaturgo, roteirista e apresentador Aldri Anunciação propõe uma ampliação do próprio conceito de leitura.

“A ideia é justamente mostrar que a literatura pode ser escutada, vista, cantada, performada, jogada e compartilhada. Ou seja: ela pode sair da página sem perder sua força original”, afirma. A programação inclui mesas que articulam literatura com artes cênicas, música, jogos eletrônicos e artes visuais.

Já o eixo jovem, sob curadoria de Deco Lipe, aposta na diversidade de experiências. “Trazer sessões que tenham temas que dialogam com públicos diversos foi estrategicamente pensado para termos uma programação versátil”, diz. Entre os destaques, estão encontros com autores populares entre jovens leitores, adaptações audiovisuais e atividades que cruzam literatura e cultura pop.

Além dessas frentes, a atriz e comediante Maíra Azevedo, conhecida na internet por Tia Má, comandará o Eixo de Atualidades; e a diretora e roteirista Mira Silva continua responsável pelo Eixo Infantil, fundamental para garantir a diversão de toda a família, já que o Espaço Infantil terá atividades contínuas envolvendo teatro, música, contação de histórias e outras maneiras lúdicas de interações com autores e suas obras.

Circulação de autores

A programação reúne nomes de diferentes gerações e linguagens. Entre os destaques internacionais, está a autora de Bridgerton, Julia Quinn, além de Pilar del Río, que participa de mesas sobre memória literária e intercâmbio cultural. “Pilar del Rio, para nossa sorte, fará uma mesa extra, ‘José e os Livros’, em homenagem a Saramago. Será conduzida por uma jornalista e escritora portuguesa excelente e de longo convívio com Pilar e Saramago” comenta Josélia Aguiar.

No cenário nacional, a Bienal recebe autores como Ailton Krenak, Raphael Montes, Paula Pimenta, Elayne Baeta, Vitor Martins, Eliana Alves Cruz e Clara Alves.

Entre os autores que participam de mesas e encontros, Andrea del Fuego, vencedora do Prêmio José Saramago pelo romance Os Malaquias, destaca o papel da imaginação na literatura.

Autora também de títulos como Irmãs de pelúcia e A pediatra, a escritora construiu uma trajetória marcada pela fabulação e pelo trânsito entre o insólito e o cotidiano. “A fabulação é essencial para a nossa sociedade. Nos faz criar novos mundos e atualiza nossos vínculos com a vida e nossa humanidade”, afirma.

Também presente na programação, Aline Bei, autora de O peso do pássaro morto – vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura (2017) – , Pequena coreografia do adeus (finalista do Prêmio Jabuti 2022) e do recente Uma delicada coleção de ausências (2025), observa a relação do público com narrativas mais experimentais, comuns em seus livros.

Sobre o retorno à Bienal, Aline comenta: “Para mim é uma grande alegria voltar à Bienal da Bahia, com o meu livro novo, Uma delicada coleção de ausências (2025). Eu estive na Bienal passada e foi um momento muito, muito especial pra mim. E agora estou muito feliz de voltar numa mesa com Andréa Del Fuego, que é uma escritora que eu admiro muito, que é uma referência pra mim”.

A escritora baiana Luciany Aparecida, autora do sucesso Mata doce (Alfaguara, 2023) e Macala (Círculo de Poemas, 2022), reforça a dimensão simbólica da Bahia no seu trabalho e na sua vida. “A Bahia é um grande enigma! O mundo tem e sempre teve interesse em se aproximar do que somos. Escrever tendo a Bahia como referência é contar histórias do Brasil, sob a ótica do mistério”, afirma.

Formação de leitores

Mais do que uma agenda de lançamentos, a Bienal se estrutura como experiência. Os espaços Café Literário, Arena Farol e o Espaço Infantil – com programação contínua – organizam debates, apresentações e atividades interativas. A acessibilidade também aparece como eixo, com tradução em Libras e estrutura adaptada.

O projeto de visitação escolar, realizado em parceria com redes públicas de ensino, amplia o alcance do evento ao garantir entrada gratuita e vale-livros para estudantes e professores. A proposta reforça o papel da Bienal como política de incentivo à leitura.

“Não existe um público leitor específico que nós queremos formar”, afirma Zaccaro. “Queremos formar leitores. Em um país em que se lê tão pouco, ter novos leitores já é uma enorme meta”, reforça.

Mercado, bibliodiversidade

Em meio à concentração do mercado editorial, a Bienal também se posiciona como espaço de circulação para iniciativas independentes. Além de áreas como a Vila do Livro e o Artist Alley, o evento recebe o coletivo Compiladas, que reúne 16 editoras de diferentes regiões do país.

Para Valéria Pergentino, fundadora da editora baiana Solisluna e membro do coletivo, a presença coletiva é estratégica. “A participação na Bienal tem um significado muito especial para o coletivo, porque ela nasce, antes de tudo, de uma necessidade concreta: viabilizar a presença de editoras independentes em um dos principais eventos do livro no país, que muitas vezes são financeiramente inacessíveis de forma individual”, aponta,

A própria Bienal, segundo Zaccaro, busca responder a esse cenário com ações concretas. “Nós sempre tivemos essa preocupação de garantir espaço real às editoras independentes”, diz, citando a criação de áreas específicas e parcerias institucionais.

Encontro e projeção

Ao reunir autores consagrados, novas vozes e iniciativas independentes, a Bienal do Livro Bahia reafirma sua vocação como espaço de encontro, entre leitores e escritores, mercado e criação, local e global.

Nesse movimento, projeta também um imaginário sobre a Bahia. “Um imaginário fundamentado, sobretudo, na diversidade cultural”, define Zaccaro. Entre tradição e reinvenção, a Bienal se consolida não apenas como evento, mas como território onde a literatura se expande e encontra, no público, sua razão de existir.

Bienal do Livro Bahia / A partir de amanhã até terça-feira (21) / Centro de Convenções Salvador / R$ 33 e R$ 16,50 / Vendas, programação e mais informações: bienaldolivrobahia.com.br

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.

Participe também do nosso canal no WhatsApp.

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Email Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar no Whatsapp

Tags:

bienal do livro Cultura

Siga nossas redes

Siga nossas redes

Publicações Relacionadas

A tarde play
Bienal do Livro Bahia 2026
Play

Baiana, filha de Jimmy Cliff e estrela em Hollywood: a vida de Nabiyah Be

Bienal do Livro Bahia 2026
Play

Cultura afro ganha destaque com Zebrinha na Bienal Sesc de Dança

Bienal do Livro Bahia 2026
Play

É possível tocar em meteoritos na Bahia! Saiba onde viver experiência única

Bienal do Livro Bahia 2026
Play

Salvador ganha novo espaço para grandes eventos com a inauguração da ARENA A TARDE

x