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Cartunista e ilustrador de A TARDE vence mais um prêmio internacional
Cau Gomez faturou pódio na Turquia


A essa altura, pode parecer brincadeira com os leitores mais assíduos de A TARDE, mas juramos que é sério: Cau Gomez, o veterano cartunista e ilustrador da casa, ganhou mais um grande prêmio internacional do cartum. Trata-se do 46° International Nasreddin Hodja Cartoon Contest, certame realizado na Turquia pela Associação dos Cartunistas Turcos (Karikaturculer Dernegi).
Cau levou o primeiro lugar (Grand Prize), com um trabalho escolhido pelo júri entre mais de 1.600 cartuns enviados por 580 cartunistas de 60 países. Não é pouca coisa: o Nasreddin Hodja é o maior prêmio do gênero na Turquia e um dos mais antigos do mundo.
O nome (e a temática) do prêmio são em homenagem a Nasreddin Hodja (ou Naceradim Coja ou Nasirud-din, a grafia varia bastante a depender da região), que foi um filósofo e sábio populista, lembrado por suas histórias engraçadas e anedotas. Sua figura barbada e de turbante, montado sobre um burrico, de costas para a cabeça do animal, é um verdadeiro ícone popular turco. “Nasreddin ou Nasrudim Coja foi um sábio satírico sufi. Acredita-se que viveu e morreu durante o século XIII em Akshehir, perto de Cônia, capital do Sultanato de Rum, na atual Turquia”, conta Cau Gomez.
“O certame, que nesta edição teve como tema ‘Os Direitos Humanos’, é também inspirado na figura lendária de Nasrudin Coja, e celebra a diversidade cultural e o poder do riso como linguagem libertária e satírica comum entre os povos”, acrescenta o artista.
(Pode-se dizer que Coja foi uma espécie de correspondente turco ao Barão de Münchausen, célebre loroteiro alemão, ou ao nosso Barão de Itararé, ou seja: um pândego).
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Premiação em julho
Na imagem de Cau, vemos Coja como um gigante, curvado sobre um monte. Sua barba é formada por outras figuras humanas, que se penduram umas nas outras, uma espécie de homenagem ao seu legado imortal através dos séculos.
“já havia conseguido algumas menções honrosas em participações anteriores (neste concurso), mas agora aconteceu o ‘grand prize’, e isso é absolutamente fantástico”, comemora Cau.
“O Nasreddin Hodja é um evento valorizado e tradicional na Turquia, que possui o apoio do artista gráfico Metin Peker e da Associação dos Cartunistas Turcos. Estive uma vez na sede dessa associação em Istambul, um casarão de três andares frequentado por artistas, jornalistas e intelectuais. As paredes estão lotadas de histórias e de desenhos originais antológicos que pertencem ao acervo de cartunistas expoentes do mundo todo”, conta.

Pelo Grand Prize, Cau vai embolsar dois mil dólares. Agora, a expectativa é saber se será convidado para a premiação, marcada para o início de julho.
“Li no regulamento do concurso que os cartunistas premiados serão convidados para as cerimônias de premiação de cartuns e humor que serão realizadas em Akşehir, onde está localizado o túmulo de Nasreddin Hodja, nos dias 4 e 8 de julho. Estou contando as horas e espero retornar a este país mais sorridente e em grande estilo novamente”, diz Cau.
Agora, mais precioso ainda do que o reconhecimento internacional, o prêmio em dinheiro e a viagem, é o estímulo que, segundo Cau, vem com este tipo de premiação – estímulo não para ele, mas para a sua classe de trabalhadores / artistas, hoje muito combalida por diversos fatores (IA, acirramento político, patrulha ideológica, a inevitável troca de guarda com a partida dos mestres etc).
“Nesse momento de hiato do humor gráfico brasileiro, com o desaparecimento da produção autoral e diária de grandes mestres como Paulo Caruso, Ziraldo, Jaguar e Luis Fernando Veríssimo, a minha geração e a nova safra de cartunistas ainda sofrem para se esquivar do desânimo da atual conjuntura política e tecnológica imperante na grande mídia e redes sociais”, nota.
De fato, um cenário preocupante. Mas nada que o talento genuíno – como o de Cau – não possa superar. Avante.


