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Cineasta francês estreia como escritor com livro de contos em Salvador
Bernard Attal apresenta sua primeira obra literária em lançamento aberto ao público


Cineasta francês radicado em Salvador desde 2006, Bernard Attal amplia sua trajetória artística com a estreia na literatura.
Autor de cinco longas-metragens e mestre em literatura pela Universidade de Harvard, ele lança nesta quinta-feira, 23, às 18h, o livro de contos 'No final, tudo dá certo', em evento aberto ao público no Trapiche Barnabé, no bairro do Comércio. A programação inclui sessão de autógrafos e um bate-papo sobre o processo de criação da obra.
Publicado pela P55 Edição, o livro reúne onze contos ambientados em diferentes décadas, dos anos 1950 até os dias atuais, e percorre cenários na França, nos Estados Unidos e no Brasil. A publicação estará disponível para compra no site da editora.
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Embora retratem personagens e contextos distintos, os contos compartilham um eixo narrativo em comum: momentos marcantes da vida dos protagonistas provocados por encontros amorosos ou experiências relacionadas ao sexo.
A coletânea começa com "O velho Martin e eu", em que o narrador relembra as visitas feitas, ainda adolescente, a um veterano da Primeira Guerra Mundial que guarda um segredo. Em seguida, "Uma bruxa" acompanha a descoberta de um corpo em uma vala de um pequeno vilarejo nordestino.
Entre os demais textos estão "A traição de Desdêmona", "Sorrisos e selos", "Brigitte quer ser amada", "Sobre casamento e trutas", "O Vestido Amarelo", "Largada Falsa", "A Inquilina Cambojana" e "Pílulas para Freiras".
A obra se encerra com o conto "No final, tudo dá certo", descrito como um retrato-investigação sobre a mãe do autor e que revela ao leitor parte das inspirações presentes na coletânea.
Livro nasceu durante a pandemia
Bernard Attal conta que começou a escrever os contos em um período em que a produção audiovisual ficou inviabilizada.
“Eu comecei a escrever esses contos durante a pandemia, quando ficou óbvio que não teria condição de fazer filmes nesse período. Eu sou um leitor compulsivo e na verdade já me questionavam porque não comecei mais cedo a me dedicar à literatura já que escrevi meus próprios roteiros", conta Bernard.
"Escrever é um exercício solitário que exige tempo e dedicação. Mas oferece uma grande liberdade criativa. Literatura não tem limites. Você pode inventar o que quiser. Os únicos limites que eu fiquei me impondo foram de oferecer narrativas interessantes para o leitor e o formato mesmo do conto, que eu amo”, completa.

Do cinema para a literatura
Conhecido pelo trabalho no audiovisual, Attal vive no Brasil desde 2006, após passar cerca de 15 anos nos Estados Unidos. Seus filmes, entre eles A Coleção Invisível, Sem Descanso e Porto de Origem, foram exibidos em salas de cinema e também distribuídos em plataformas de streaming e canais de televisão.
Além da atuação como cineasta, ele fundou e dirige o Trapiche Barnabé, centro cultural localizado em Salvador. Sua formação acadêmica inclui mestrado em literatura pela Universidade de Harvard e mestrado em economia e finanças pela Sciences-Po Paris.
Ao comentar a chegada do primeiro livro ao público, o autor compara a experiência ao lançamento de um filme.
“Não creio que lançar um livro seja muito diferente do que lançar um filme. Você coloca seu filho no mundo depois de ter o criado e ele deixa de ser seu. Mas eu adoraria que se estabeleça um diálogo entre mim e o leitor”, espera Bernard Attal, que é cineasta no Brasil, onde vive desde 2006, após passar cerca de quinze anos nos Estados Unidos.


