CULTURA
Dança sem som: Flipelô é palco de oficina inclusiva para surdos
Professora e mestre em Dança, Daisy Souza, ensinou a arte da dança para surdos e ouvintes

A dança sempre está muito ligada à música, aos sons e aos ritmos escutados, porém, uma questão na qual muitos não costumam pensar foi colocada em evidência na Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô) 2026 nesta quinta-feira, 6: “O que acontece quando se tira o som da dança?”
Pensando nisso, o Portal A TARDE conversou com a professora e mestre de Dança, Daisy Souza, que também é surda, e explicou como funciona a dança para pessoas que não escutam.
“Na minha experiência musical, eu tenho intérpretes, e eu utilizo as adaptações corporais porque eu já tenho experiência. São mais ou menos dois anos dançando com o meu corpo; ele já está acostumado com o ritmo”, contou a professora.
Com base nos relatos da professora, a criação de uma coreografia e a comunicação na dança, sem depender do som ouvido, ocorrem por meio de elementos essencialmente visuais, corporais e de percepção interna.
Além disso, o que substitui o "contar tempo" da música e viabiliza a criação coreográfica envolve:
- Adaptações corporais e memória rítmica: O próprio corpo do dançarino se acostuma com o ritmo ao longo do tempo. A criação se desenvolve utilizando os ritmos dos sons que saem e se expressam por meio do próprio corpo;
- Corporalidade e movimento visual: A dança se apoia fortemente na importância do movimento, utilizando o corpo de maneira visual para transmitir e passar o que se tem internamente;
- Expressões faciais e gestos: A comunicação e a sintonia entre os participantes são estabelecidas sem a necessidade de som ou mesmo de língua de sinais, utilizando expressões faciais, movimentos das mãos e a linguagem corporal (como simular ações cotidianas ou o uso de objetos);
- Troca de energia e conexão interpessoal: O processo se apoia em momentos de conexão visual direta (como olhar um para o outro, meditar e perceber as reações e sentimentos do parceiro de dança) e na troca de energia física entre os participantes.

Entenda como funcionou a oficina de dança
Durante o Flipelô 2026, a professora e mestre em Dança, Daisy Souza, ministrou uma oficina de dança para pessoas surdas e ouvintes da seguinte forma:
Inicialmente, a professora contou que separou a aula em três momentos:
- Organizou os alunos em uma roda, em que eles deveriam cumprir exercícios para estimular o corpo;
- Momento de meditação para que os alunos pudessem se olhar e imaginar o que estavam pensando;
- Retorno para a roda para o entendimento de como iriam se comunicar sem utilizar a linguagem de sinais.
Após esse momento inicial, a professora então explicou como foi o processo definitivo.

“Após o momento inicial, disponibilizamos alguns objetos diferentes para que eles conseguissem estimular a criatividade, e isso faz uma grande diferença, afinal é algo muito visual e que é possível demonstrar com o corpo”, contou Daisy ao Portal.
A experiência envolveu alunos de diversos colégios; um deles foi Gustavo Bispo, aluno do Colégio Estadual Sara Violeta de Mello Kertesz, do Alta da Terezinha, que contou que ficou muito satisfeito com a oficina.
“Foi uma satisfação estar aqui, aprendendo mais sobre Libras. Todas as aprendizagens foram perfeitas, a professora foi muito boa, eu amei e eu espero voltar muitas vezes”, contou o aluno ao Portal A TARDE.
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Realização da oficina
A professora e mestre em Dança, Daisy Souza, contou, em entrevista ao Portal A TARDE, que gostou muito de apresentar a oficina de dança para surdos e ouvintes.
“Eu sou uma profissional da arte, sou uma artista, e essa oficina tem uma relação direta com a minha vida e com a dança. Eu me senti muito feliz de estar aqui e ter a oportunidade de apresentar essa oficina para pessoas surdas e ouvintes", contou a professora.



