ENTREVISTA
Daniela Mercury fará apresentação com a Osba na reabertura do TCA
Com Daniela Mercury e Gilberto Gil, TCA reabre após investimento de R$ 260 milhões


A contagem regressiva para a devolução do maior templo cultural da Bahia ao público ganha contornos definitivos e de peso. Com reabertura da Sala Principal marcada para o dia 1º de julho, véspera do feriado da Independência da Bahia, o Teatro Castro Alves (TCA) prepara uma maratona de celebrações que unirá gigantes da música brasileira, memória afetiva e a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Entre as grandes novidades para a semana de inauguração está a confirmação de Daniela Mercury. A artista subirá ao palco acompanhada da Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba) para um concerto que promete revistar seus grandes sucessos em arranjos inéditos.
"O TCA é o teatro que mais amo. Para mim, é um templo sagrado das artes do mundo por ter recebido, ao longo de sua existência, inúmeros shows e apresentações históricas. Eu estou muito lisonjeada em cantar na semana de reinauguração. Vou cantar alguns clássicos da minha carreira com a Osba", revela Daniela.
A relação da cantora com o palco do TCA mistura-se com a sua própria formação artística. "Me lembro do dia em que dancei e do dia em que cantei pela primeira vez no palco do TCA. Dancei pela primeira vez com 12 anos de idade, em uma coreografia da minha escola de dança, Forma e Movimento, e dancei durante minha adolescência várias vezes nas oficinas. Desde a primeira vez que pisei lá, sabia a importância do teatro", relembra.
A estreia vocal na Sala Principal veio pouco depois. "Eu tinha em torno de 15 anos quando o Grupo Garagem me convidou para cantar a música de Milton Nascimento, 'Nada Será como Antes'. Fiquei encantada com a acústica e com o tamanho da sala e do palco. Me lembro que o público me aplaudiu e isso foi importantíssimo para eu seguir cantando. Na época, não imaginava me tornar uma cantora profissional".
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Uma constelação para a 'Operação Teste'
A retomada do equipamento, fechado desde janeiro de 2023 após um incêndio atingir a cobertura, começará oficialmente com a chamada "Operação Teste" da Sala Principal. Contratos da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), publicados no Diário Oficial do Estado do último sábado, 27, formalizaram atrações já aguardadas pelo público.
Gilberto Gil e Lazzo Matumbi, nomes já antecipados pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), estão confirmados para a cerimônia do dia 1º. A programação contará ainda com a participação especial do ator Jackson Costa e a abertura de uma exposição em homenagem à arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (1914-1992), que ocupará o foyer da Sala Principal até o dia 20 de dezembro.
O evento do dia 1º de julho coroará uma extensa agenda institucional do presidente Lula na Bahia. Antes de prestigiar a reabertura do teatro à noite, no Campo Grande, o chefe do Executivo passará por Alagoinhas para entregar um Hospital Regional e, no início da tarde, assinará a autorização para as obras da Ponte Salvador-Itaparica.
Conforme adiantado pelo secretário estadual de Cultura, Bruno Monteiro, a festa não se resumirá a uma única noite. "Vai começar no dia 1º, mas não será uma programação de um dia só, até porque a expectativa, tanto artística quanto dos nossos públicos, é tão grande que seria impossível abrigar tudo isso em um único dia", afirmou o titular da Secult, reforçando que o mês de julho será marcado por uma agenda especial reunindo música, teatro, dança e exposições.
Novo padrão internacional
As obras de requalificação receberam um aporte de R$ 260 milhões do Governo do Estado. A intervenção englobou a recuperação total da sala, modernização acústica e cênica, além de melhorias no Jardim Suspenso, no Centro Técnico e nas áreas de ensaio dos corpos residentes, como a Osba e o Balé Teatro Castro Alves (BTCA). O resultado é um equipamento mais seguro, acessível e alinhado aos padrões internacionais.
Para quem conhece cada centímetro daquelas tábuas, a estrutura física do TCA é um diferencial para grandes produções. "O palco do TCA é um dos maiores do Brasil e tinha uma acústica excelente. Gosto muito da disposição das cadeiras para o público; o palco é grande, amplo como poucos do mundo. O que proporciona espetáculos grandiosos como óperas e os do grupo de Deborah Colker, que traz cenários e muitos bailarinos", analisa Daniela Mercury, que já eternizou o espaço ao gravar ali o seu DVD acústico "O Axé, a Voz e O Violão".
"Eu já cantei em teatros do mundo inteiro e o TCA se equipara aos maiores e melhores também em pé-direito, varas de urdimento, fosso, piso do palco de tábuas, coxias grandes e profundas e tem também o foyer. Acredito que agora, com a nova ampliação, haja mais espaços e novidades técnicas que tragam outras possibilidades", projeta a artista.
A reinauguração de 2026 ecoa, para Daniela, um outro momento histórico do qual ela também foi testemunha: a reabertura de 1993. "Estive presente na última inauguração do TCA assistindo a João Gilberto, Gal Costa e Maria Bethânia. Me lembro também que foi quando João Gilberto me disse que eu era de sua família. O que para mim foi inesquecível".
Também ao lado da família Caymmi, com a presença de Jorge Amado e Carybé na plateia, a cantora construiu suas memórias mais caras no complexo cultural. Agora, olhando para o futuro pós-reforma, ela faz um apelo pela democratização da pauta:
"Desejo que tenhamos mais espaço para peças teatrais, dança e eventos de música erudita e popular, que sofrem com a falta de equipamentos em Salvador. Espero que a pauta seja viável para as novas gerações de artistas baianos e brasileiros se apresentarem. Eu adoraria ver mais shows de jazz, de MPB e de todos os gêneros musicais".


