SUCESSO NACIONAL
De Camaçari, ator Caíque Copque conquista Troféu Calunga no Cine PE
A premiação é uma das mais importantes do cinema brasileiro
Caíque Copque representou a Bahia durante o Cine PE, festival de cinema que ocorre anualmente na cidade do Recife, em Pernambuco. Natural de Camaçari, município baiano, o ator conquistou o Troféu Calunga de Melhor Ator neste fim de semana.
O prêmio reconhece sua atuação no longa-metragem “Mapas”, dirigido por Rafael Lobo. Destaque da premiação, a produção foi gravada no Distrito Federal e mistura suspense, mistério e elementos de terror fantasmagórico.
Exibida pela primeira vez na 30ª edição do Cine PE, a trama também venceu outras 4 categorias: Melhor longa por júri popular, Melhor fotografia, Melhor montagem e Melhor edição de som.
Em entrevista ao portal A TARDE, Caíque Copque afirmou que a vivência em Camaçari influenciou na construção do personagem. “Ser baiano foi fundamental para a construção de aspectos do personagem, o Sérgio. Ele é baiano de Salvador, estudante de arquitetura”, disse.
“E sabemos que as ruas de Salvador e também de Camaçari, ainda guardam memórias físicas de um tempo para outro e tudo isso interfere diretamente na nossa relação com a cidade”.
O artista ainda destacou que participou da preparação de elenco. “Nesse caso, busquei compor junto com a preparadora de elenco e direção uma autoestima que transpasse o jeito da fala, o jeito do corpo, mas do jeito que se pensa e vê a cidade do qual nasceu como fonte de força cultural e identitária”, completou.
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Emoção
Emocionado com a conquista do prêmio, Caíque afirmou que não acreditava que ganharia a categoria. “Foi difícil acreditar que eu estaria naquele momento sendo premiado pelo meu desempenho. Já era uma grande felicidade estar lá, comungar o cinema e viver toda aquela experiência”, explicou.
Ele afirmou que levou um tempo para processar a situação após escutar seu nome. “Claro, a gente intui um desejo, um “será, meu Deus?!”, mas não acredita fielmente que pode vir a acontecer. Eu fiquei um tempo sentado na cadeira ouvindo os aplausos enquanto buscava entender que isso havia acontecido”.
Pai de Caíque, o professor e historiador Diego Copque também falou sobre a sensação de ver seu filho recebendo uma honraria deste tipo. “Ele traça o caminho das artes cênicas há bastante tempo e teve que migrar para São Paulo para buscar foco nos seus objetivos profissionais. Então esse prêmio chega agora em um bom momento e acredito que esse é o primeiro de muitos que virão. Vida longa a Caíque e sua arte”, disse.
Fomento ao cinema baiano
Durante a conversa com a reportagem do portal A TARDE, Caíque também falou sobre a falta de fomento ao cinema e artistas baianos. Ele ressaltou que os investimentos devem se concentrar em outros estados e não apenas no eixo Rio-São Paulo.
“Acho que estamos em um período de muita beleza para o cinema nacional. As leis de fomento e editais são fundamentais para que seja possível criar, produzir e também distribuir a obra. No eixo Rio-Sp, isso é visto como um mercado de fato”, disparou.
“Ainda que existam muitas questões a serem resolvidas. Em Salvador, é preciso desenvolver e também manter essa visão de que as artes de modo geral, produzem empregos e geram renda. Ou seja, devem sim ser valorizados como um mercado de trabalho criativo”, reforçou.
Ele confessou que a premiação dá uma luz para outros artistas que vivem em cidades espalhadas pelo Nordeste do Brasil. “Acredito que a premiação coloca uma luz nos artistas que vivem fora desse eixo e traz a possibilidade do “ e se?” se concretizar e permanecerem em exercício”.
“Não há luxo no cotidiano. Há muita busca, muita rejeição, muito medo… É uma carreira de muita beleza e muita instabilidade também. É preciso reforçar todos os dias o que nos colocou aqui e quem está ao nosso lado também”, finalizou.