TEATRO
Drags queens invadem a Pituba com espetáculo LGBT+ de sucesso
Gongada Drag reúne grandes nomes da cena drag baiana

Foi-se o tempo em que as drags queens viviam relegadas a espaços pequenos e escondidos nos centros e subúrbios das cidades grandes. Agora, já bem mais reconhecidas – embora ainda falte muito –, elas trazem para o Teatro Jorge Amado, na Pituba, a turnê Gongada Drag.
Amanhã, 28, com sessões às 18h e 20h30, as baianas Desiré Beck (finalista do Caravana das Drags e representante da Bahia no Drag Race Brasil), Aimeé Lumière (do elenco de Queen Stars, apresentado por Pabllo Vittar), Spadina Banks, Becca Baroni e Hellena Maldita entram em cena para mostrar que a Bahia também brilha nesta seara das comediantes da diversidade.
Desiré conta que sua participação será de celebração. “Eu tô no programa desde a primeira edição, há dois anos. Tô preparando as melhores gongadas, assim, as mais picantes mesmo, eu quero deixar drag chorando no palco. Pra mim, esse tem que ser o melhor Gongada da minha carreira”.
E quem se junta ao time baiano é Frimes, colega de Desirée no Caravana das Drags, e a cantora Mary Jane Beck, do MPBicha. Juntas, elas prometem muita performance, dublagem, números cômicos e, claro, a já tradicional gongada, momento em que as artistas se enfrentam em batalhas de humor e muita alfinetada.
Já Aimeé Lumière ressalta que sua participação acontece de forma orgânica. “Cada um tem seu momento, seus minutos ali no púlpito para gongar as colegas de cena. A gente vai dar aquela alfinetada do jeito drag, do melhor jeito possível. É uma brincadeira entre amigas, então vem de um lugar de muito amor, muito carinho, só que com o humor ácido que a drag tem”.
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Humor afiado

Sob o comando do comediante e produtor Bruno Motta – um dos pioneiros da comédia stand up no Brasil –, o Gongada Drag se consolidou como um dos espetáculos LGBT+ mais populares do gênero no País, reunindo diferentes gerações da arte transformista.
A ideia é apresentar a comédia e a energia criativa das drag queens do Brasil, afinal gongar, no universo gay, nada mais é do que fazer piada, ironizar alguém em público, sempre com o objetivo de promover o riso geral, incluindo aí o do próprio alvo.
Para Bruno, o Gongada Drag é uma celebração de tudo que se produz em termos de comédia LGBT+. “A ideia sempre foi reunir os tipos mais diferentes de drags cômicas, sejam aquelas que são ícones da noite, as que tiveram destaque em realities ou na internet e os talentos cômicos da diversidade, e transformar isso num show com uma grande produção e alcance”.
Em toda edição, há sempre uma grande drag homenageada, e o intuito é reverenciar as pioneiras que abriram portas para a geração atual, como as icônicas Silvety Montilla e Nany People, por exemplo. Em Salvador, as homenageadas serão Ginna D’Mascar, grande destaque do humor na arte drag baiana, e a veterana Bagageryer Spielberg – Baga, para os íntimos.
Como criador do evento, Motta, obviamente, contribui com toda sua experiência de produção e o conhecimento que tem nas áreas de teatro, sobretudo de comédia e improviso.
“Penso, junto com minha equipe, que nomes podemos convidar, como eles combinam entre si e o que podemos criar para cada show. E também dou a cara na frente, apresentando todos esses talentos e me divertindo com eles, como um elo entre plateia e show”, detalha o apresentador.
Xenofobia

Para uma drag perua como Desiré, as referências para construção da personagem vêm de divas como Susana Vieira, Hebe Camargo, Mariah Carey. “Elas são muito frescas, mas muito lobas. Têm muito senso de humor, muita ironia e são performáticas”.
Ela reconhece que conseguiu ganhar destaque na cena nacional por conta do seu trabalho na internet e das participações em realities. “Mas tem que ralar muito, correr muito, abrir mão de muita coisa”, afirma.
No entanto, segundo Aimeé, mesmo precisando de muita ralação, a transformista baiana tem um diferencial. “Só em Salvador se vê duas drags segurando um show sem parar, sem intervalo, durante três horas, com um repertório maravilhoso. Você vai ver dublagem, canto, dança, interpretação, comédia e de tudo um pouco, né? Então, a drag baiana tem o molho, a sagacidade, o poder de improviso e o poder de fazer muito com pouco”.
Mas, apesar de tanto talento, Lumière – já consolidada com o Aimeé Drag Show, em Sampa – lamenta o fato de as artistas baianas ainda sofrerem xenofobia no Sudeste. “Eu moro em São Paulo e é algo constante, é algo meio que silencioso, sabe? É uma coisa que nem sempre você percebe, mas está lá. Especialmente quando se trata, talvez, de ocupar lugares que possam parecer que não são seus só porque você não veio daquela cidade”, finaliza a drag.
Criado para enaltecer a cultura LGBT+, cidades como Rio de Janeiro e São Paulo – onde mantém temporadas mensais –, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Maceió e Natal já receberam o evento.
Gongada Drag / Teatro Jorge Amado / 28 de janeiro / 18h e 20h30 / Ingressos: Sympla / Classificação: 14 anos
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