ARTE
Espetáculo gratuito leva dança e cultura a 20 cidades da Bahia
Apresentação percorrerá de Salvador ao extremo sul da Bahia


De Salvador ao extremo sul da Bahia, passando pelo Recôncavo, sertão e sudoeste, a dança ocupará palcos, escolas e centros culturais do Estado ao longo dos próximos dois meses.
O Quarta que Dança – Circuitos Artísticos 2026 iniciou, na última quarta-feira (8), uma temporada por 20 municípios baianos, reunindo espetáculos, processos de criação, oficinas e rodas de conversa em uma proposta que aproxima artistas e comunidades, e amplia o acesso à produção da dança na Bahia.
Depois da abertura da temporada, realizada em junho com apresentações do Balé Teatro Castro Alves (BTCA) e da Odun Cia. de Dança em Salvador e Vitória da Conquista, o projeto da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) dá sequência à programação com oito espetáculos e quatro trabalhos em processo de criação, distribuídos entre dois circuitos até o fim de agosto.
Leia Também:
Ao longo da edição, as atividades passarão por Salvador, Itabuna, Alagoinhas, Itajú do Colônia, Jequié, Juazeiro, Ibicaraí, Ibititá, Itabela, Camaçari, Irecê, Eunápolis, Feira de Santana, Sobradinho, Lauro de Freitas, Santa Inês, Ipiaú, Caetité, Cachoeira e Vitória da Conquista.
Para o coordenador de Dança da Diretoria das Artes da Funceb, Leândro Santos, a circulação parte do reconhecimento da diversidade da produção artística existente nos diferentes territórios baianos.
"Levar espetáculos e ações formativas para cidades do interior é ampliar o acesso à arte, promover encontros entre artistas e comunidades e contribuir para a descentralização das políticas culturais”, comenta o coordenador.

“Reconhecemos também que a produção artística na Bahia não se concentra apenas na capital, mas se constrói a partir da diversidade de experiências, saberes e modos de fazer presentes em cada território", complementa.
Ancestralidade e identidade
O Circuito 1 acontece até 29 de julho e reúne quatro espetáculos que percorrem diferentes cidades.
Em Ibanujé – O Corpo como Memória Ancestral, Toni Silva transforma o corpo em um arquivo vivo de memórias afro-diaspóricas, unindo dança, música, poesia e referências aos orixás para refletir sobre identidade e resistência.
Toni explica que o espetáculo "nasce da urgência de fazer do corpo um território vivo de memória e saberes. É fruto de pesquisa profunda sobre as danças afro-diaspóricas e a simbologia dos orixás, reconhecendo o corpo negro como um arquivo que guarda histórias, resistências e conhecimentos".

Também integra a programação Poesia de um Corpo, da Áttomos Cia de Dança, espetáculo que investiga as transformações da existência e acompanha um corpo que amadurece, se reinventa e revela novas camadas ao longo da vida.
Em Da própria pele, não há quem fuja, dirigido por Brunno de Jesus, a dança dialoga com a simbologia dos orixás e com manifestações populares do Recôncavo baiano, como a Zambiapunga e os Mandus, construindo uma experiência que atravessa memória, ancestralidade e espiritualidade afro-brasileira.
Já Me Brega Baile, do Coletivo Casa 4, parte das danças de salão e do universo do brega para criar um baile onde papéis de gênero são ressignificados e diferentes formas de encontro entre os corpos ocupam a cena.
"O Me Brega, Baile nasce desse desejo de criar um espaço onde todas as pessoas possam ocupar a pista com liberdade, sem precisar pedir licença ou caber em padrões. Um lugar onde cada corpo possa existir em sua potência, com excesso, com alegria e com verdade", afirma Marcelo Galvão, fundador do coletivo.
Processo criativo
Além dos espetáculos, o Quarta que Dança abre espaço para que o público acompanhe pesquisas em desenvolvimento. É o caso de Corpo Texto, de Mynho Nascimento, que parte da experiência de produzir dança no interior da Bahia para construir uma criação coletiva ao lado de outras bailarinas.
"O compartilhamento desse processo amplia o olhar para a dança no interior. Nos coloca, enquanto artistas baianos, em um lugar de responsabilidade e de produção artística. Muda-se também o contexto de poder ter outros olhares, outras experiências e trocas", comenta Mynho.
A programação do Circuito 1 inclui ainda Cronofobia, de Maéli de Marcos, laboratório de criação que investiga a relação contemporânea com o tempo, refletindo sobre o excesso de tarefas e os impactos dessa rotina sobre os modos de existência.

Segundo Leândro, a presença dos processos criativos reforça a proposta do projeto de aproximar artistas e espectadores, permitindo que o público acompanhe também os caminhos da criação artística.
"Esperamos que a dança fortaleça redes de colaboração, amplie a circulação da produção artística e incentive novos encontros entre artistas, gestores, espaços culturais e comunidades. Mais do que realizar uma programação, o Quarta que Dança contribui para que a dança esteja cada vez mais em diferentes territórios da Bahia", explica Leândro.
As apresentações de julho acontecem em Salvador, Itabuna, Alagoinhas, Juazeiro, Jequié, Ibititá, Camaçari, Irecê, Vitória da Conquista e Eunápolis, sempre às quartas-feiras.
Segunda etapa
A circulação continua em agosto - de 5 a 26 - com o Circuito 2, que passa por Feira de Santana, Lauro de Freitas, Sobradinho, Cachoeira, Irecê, Caetité, Santa Inês, Ipiaú, Alagoinhas e Salvador.
Nesta etapa, a programação reúne Correndo trecho: do subúrbio baiano para o interior do estado, da Cia Five, inspirado nas vivências da juventude periférica e na cultura do pagode baiano; In_Nova, do Balé Jovem de Salvador, criação colaborativa que dialoga com o surrealismo.

Além de Ori-Ô, da Campêlo Cia de Dança, espetáculo que relaciona saúde mental, ancestralidade e espiritualidade de matrizes africanas; e Debaixo D'Água, do Coletivo Trippé, montagem voltada ao público infantil que utiliza objetos do cotidiano para abordar a importância da água por meio da brincadeira.
Também integram o segundo circuito os processos de criação Laboratório Corpo-Memória (Vozes Maní), dedicado às experiências de mulheres negras do interior baiano, e E se eu não contasse, quem contaria?, de Licia Maria Morais Sanchez, investigação sobre memória, identidade e resistência desenvolvida a partir do método criativo de Pina Bausch.


