ARTE
Exposição de Fábio Baroli chega a Salvador com entrada gratuita
Mostra reúne 35 obras do artista mineiro Fábio Baroli e convida o público a desacelerar o olhar e refletir sobre o tempo

A sensação de que o presente escorre pelas mãos é o ponto de partida da exposição Hoje é de vez em quando, em cartaz na CAIXA Cultural Salvador a partir de hoje.
Com curadoria de Agnaldo Farias, a mostra do artista mineiro Fábio Baroli reúne 35 obras, entre pinturas e instalações, que convidam o público a desacelerar o olhar e questionar a lógica linear do tempo. A visitação é gratuita e segue até 10 de maio.
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O título, à primeira vista enigmático, apresenta uma ruptura na ideia de continuidade. “O ‘aqui e agora’ não está disponível o tempo todo. Ele acontece quando a gente desacelera, presta atenção, respira e percebe o que está à volta”, explica Baroli.
Em um mundo marcado pela urgência e pela substituição constante, a exposição surge como tentativa de recuperar esse instante raro: o presente vivido com presença.
Nascido em Uberaba, interior de Minas Gerais, e formado em Artes Visuais pela Universidade de Brasília (UnB), o artista constrói sua poética a partir das memórias da infância. A vida na roça, o tempo da chuva, as conversas nos alpendres e o fim de tarde nas portas de casa aparecem não como nostalgia, mas como gesto de resistência.
“Falar da vida no campo é lembrar que existem outras formas de organizar o trabalho e as relações. São valores que exigem permanência, repetição e cuidado, exatamente o que o mundo contemporâneo tenta apagar”, afirma Baroli.
A dimensão afetiva da mostra se materializa em obras como Véia Dica, inspirada na figura de uma benzedeira e artesã próxima ao artista.
Ao evocar colchas de fuxico (que cobre a senhora na imagem), saberes orais e práticas transmitidas entre gerações, Baroli transforma uma lembrança íntima em símbolo coletivo. “Quando trabalho essa memória com honestidade, ela deixa de ser só minha e passa a ser um espelho para o outro”, diz.
Brasil de raízes rurais
Visualmente, a ruptura com o tempo linear aparece na sobreposição de materiais, na repetição de gestos e na convivência entre passado e presente. Não há início, meio e fim definidos. As obras funcionam como pontos de travessia, onde memórias antigas dialogam com questões atuais. O resultado é uma sensação de tempo espiralado, em que tudo retorna e se transforma.
Para o curador Agnaldo Farias, a seleção das 35 peças buscou evidenciar o que considera central na produção do artista: a defesa de um Brasil de raízes rurais, ainda pulsante mesmo nas grandes cidades.
“É uma poética de resistência, mas realizada com pintura do mais alto nível técnico”, afirma. Além das telas, a mostra traz objetos e instalações, ampliando o alcance da pesquisa formal de Baroli, que dialoga com mestres como Velázquez e Manet, ao mesmo tempo em que se aproxima de artistas brasileiros interessados em memória e identidade.
A realização da exposição em Salvador também impôs desafios. Segundo o artista, a cidade carrega uma presença intensa de ancestralidade e memória viva. “Era preciso dialogar com esse contexto sem impor uma narrativa externa”, pontua.
A recepção do público nordestino, afirma, tem sido marcada por identificação imediata. “Quando falo de interior e de saberes ancestrais, isso não soa distante aqui. Soa familiar”, observa.
Oficina no fim de semana
Ao final do percurso, Baroli não projeta uma conclusão fechada, mas um deslocamento possível. Se a exposição conseguir provocar um momento de pausa e despertar o desejo de escutar mais devagar, ainda que apenas hoje ou “de vez em quando” , já terá cumprido seu papel.
Além da mostra, Baroli ministra neste fim de semana em Salvador a oficina “A pintura como linguagem”. Gratuita e aberta a jovens e adultos pintores, a atividade convida o público a refletir e explorar a pintura como forma de expressão na arte contemporânea.
A iniciativa tem patrocínio da CAIXA e do Governo Federal, com inscrições disponíveis no site da CAIXA Cultural Salvador.
Com carga horária total de nove horas e vagas limitadas, a oficina será dividida em dois blocos e apresentará uma introdução à pintura como linguagem artística, aos fundamentos da linguagem visual e ao estudo do círculo cromático, além de promover experimentações com cores e matizes, combinando técnicas básicas a exercícios de expressão pessoal.
Segundo Fábio, será uma experiência prática e teórica que busca despertar a criatividade, aprimorar técnicas e compreender a pintura como uma forma de linguagem universal.
“Durante a oficina, os participantes terão a oportunidade de experimentar diferentes técnicas, estilos e abordagens, além de desenvolver uma compreensão mais aprofundada do papel da pintura na comunicação de emoções, ideias e percepções”, explica o artista.
Após a temporada em Salvador, a mostra segue para as unidades da CAIXA Cultural em Fortaleza e São Paulo.
O patrocínio é da CAIXA e Governo Federal.
Serviço
Exposição “Hoje é de vez em quando”, de Fábio Baroli
- Local: CAIXA Cultural Salvador (Rua Carlos Gomes, 57, Centro)
- Visitação: a partir de hoje até 10 de maio, de terça-feira a domingo, das 9h às 17h30
- Entrada gratuita
- Classificação etária: Livre
- Acesso para pessoas com deficiência. Todas as imagens da exposição possuem recurso de audiodescrição
Oficina “A pintura como linguagem”, com Fábio Baroli
- Data: 7 e 8 (sábado e domingo), das 10h às 12h e 14h às 17h
- 20 vagas
- Classificação: faixa etária a partir de 14 anos de idade
- Público-alvo: Jovens e adultos com experiência prévia em pintura
- Inscrições gratuitas: caixacultural.gov.br
*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.
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