ARTE
Exposições no verão reforçam artistas dissidentes em Salvador
Projeto comandado por Paulo Azeco mantém agenda ativa na alta temporada, com foco em artistas LGBTQIAPN+ e negros

Por Beatriz Santos

Na contramão do ritmo tradicional do mercado de arte, que costuma desacelerar no início do ano, um projeto artístico mantém uma programação intensa durante o verão em Salvador e reafirma sua atuação voltada à valorização de artistas e territórios historicamente marginalizados.
Fundada há quatro anos no Rio de Janeiro, a iniciativa passa a ser conduzida exclusivamente por Paulo Azeco, que segue solo à frente do projeto e consolida uma proposta curatorial voltada ao deslocamento do olhar do circuito hegemônico, aproximando produções dissidentes dos espaços de legitimação institucional.
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Com presença em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, a curadoria é centrada, sobretudo, em artistas LGBTQIAPN+, negros e criadores que raramente ocupam galerias e museus tradicionais, ainda marcados por filtros estéticos e sociais restritivos.
Indo contra a tradição do segmento, em que grande parte das galerias entra em recesso no início do ano, a iniciativa inicia 2026 com exposições em plena alta temporada baiana.
Na capital, a sede baiana encerrou o calendário de 2025 em 21 de dezembro, com o término da exposição O Poder ao Povo Preto: Cipriano e Lázaro Roberto, e se prepara para uma mudança para um novo endereço, maior e com ambiente mais arrojado. Em paralelo, artistas representados pelo projeto ganham destaque em exposições institucionais na cidade.
Entre os espaços recomendados para visitação está a nova sede do Zumvi, dedicada a um acervo criado pelo fotógrafo Lázaro Roberto. A exposição inaugural, com curadoria de Luedi Lunna, apresenta as transformações de Salvador ao longo dos últimos 30 anos, registradas por fotógrafos que integram o acervo. A sede histórica do Zumvi, no Pelourinho, segue aberta para visitação.
Já no dia 13 de janeiro, a Galeria da Cidade recebe Pinóia, primeira exposição individual de Daniel Barreto na Bahia. Nascido no Rio de Janeiro, o artista apresenta pela primeira vez seu trabalho ao público soteropolitano.
O título da mostra, inspirado em uma frase do romance Capitães de Areia, de Jorge Amado, orienta uma leitura sensível sobre corpo, território e memória, sob curadoria de Victor Gorgulho. A exposição ocupa o espaço projetado por Lina Bo Bardi como anexo ao Teatro Gregório de Mattos, em diálogo com a paisagem urbana da Praça Castro Alves e a Baía de Todos-os-Santos.
No dia seguinte à tradicional Lavagem do Bonfim, Marlon Amaro inaugura Mirongar na Casa do Benin, no Pelourinho. Com curadoria de Osmar Paulino, a mostra reúne obras centrais da trajetória do artista, reconhecido por abordar temas como racismo estrutural, apagamento da população negra e dinâmicas históricas de violência e subserviência impostas a corpos negros.
Também representado pelo projeto, Erick Peres abre uma exposição individual realizada em parceria com o Instituto, no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), edifício histórico projetado por Lina Bo Bardi. A abertura está marcada para o dia 21 de janeiro, em pleno verão soteropolitano.
A conquista se fortaleceu a partir da premiação Pierre Verger de Fotografia, pela série O Choro Pode Durar Uma Noite, Mas a Alegria Vem Pela Manhã, integralmente adquirida pelo Instituto Pierre Verger e incorporada ao seu acervo, com todas as obras que compõem o trabalho.
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