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FITCaatinga 2025: Teatro transforma sertão baiano em palco internacional

Festival leva espetáculos e mestres do teatro a cidades e comunidades rurais da Bahia

Manoela Santos*
Por Manoela Santos*
Peça A Travessia do Grão Profundo
Peça A Travessia do Grão Profundo - Foto: Divulgação

O Festival Internacional de Teatro da Caatinga (FITCaatinga) chega à sua 8ª edição reafirmando o propósito de transformar o sertão baiano em palco de importantes trocas artísticas.

O evento é um dos principais encontros culturais do semiárido, responsável por fortalecer a identidade sertaneja e projetar o teatro da Bahia no mundo.

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Após um primeiro fim de semana marcado pela presença de mestres como Eugenio Barba e o Odin Teatret, o festival segue até amanhã.

A abertura oficial aconteceu no dia 14, no Teatro Ataídes Ribeiro, em Irecê, com a presença de Maria Marighella, presidenta da Funarte, e Gabriela Sanddyego, diretora de Artes da Funceb. O espetáculo Caetés, o Silêncio e Outros Ramos, do Núcleo Caatinga foi o responsável por inaugurar a programação.

Realizado em Irecê, João Dourado, Ibititá e Lapão, além das comunidades de Baixão do Zé Preto, Meia-Hora e Angical, o festival rompe fronteiras ao ocupar tanto teatros tradicionais quanto praças públicas, ruas e áreas quilombolas.

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A proposta é aproximar a população de experiências artísticas diversas, em contextos urbanos e rurais historicamente menos contemplados por iniciativas culturais.

Para o idealizador do evento, Paulo Atto, a descentralização é essencial. “Como dizia Gilberto Gil, o povo sabe o que quer, mas o povo quer também o que não sabe. Ao levarmos espetáculos para diferentes comunidades, damos a chance de conhecer a linguagem do teatro. E a recepção é sempre intensa, marcada pela troca”, afirma.

Vocação internacional

Criado em 2012 pelo diretor e dramaturgo Paulo Atto, o FITCaatinga nasceu do contato direto com o semiárido e da percepção do potencial artístico da região.

“Ficamos cerca de oito anos em contato direto com a cidade, com as pessoas e artistas locais, por meio de um programa de educação. Percebi um potencial enorme para o teatro, com muitos jovens interessados e também atores mais experientes que desejavam se aprofundar”, recorda Atto.

Segundo o idealizador, a escolha pelo nome do festival foi estratégica.

“O festival fala da caatinga porque valoriza o entorno, o território em que estamos inseridos. Ele tem dois eixos principais: a formação e a troca. Recebemos artistas de outros lugares e culturas, mas também oferecemos a eles a oportunidade de experimentar a cultura sertaneja, a cultura do semiárido”, afirma.

Inicialmente regional, o festival logo se expandiu. “Já no segundo ano, recebíamos pedidos de outros territórios para participar. Em pouco tempo, tornou-se estadual. E a partir do terceiro e quarto ano, começaram a chegar solicitações de grupos estrangeiros, da América Latina, de Portugal e da Espanha. Então percebemos que ele tinha vocação para se internacionalizar”, explica.

Formação e intercâmbio

A função pedagógica sempre esteve no centro do festival. Este ano, um dos pontos altos foi a presença de Eugenio Barba e Julia Varley, que conduziram uma masterclass e apresentaram o espetáculo Compaixão, inédito no Brasil. Também participou o diretor Rui Frati, referência no Teatro do Oprimido.

Para Paulo Atto, trazer nomes dessa relevância ao sertão é a realização de um sonho.

“É uma utopia realizada. Os artistas não precisam sair daqui para estudar com mestres da Dinamarca ou da França. Eles estão aqui, trocando, ensinando e aprendendo junto com a gente”, conta.

Além das apresentações, o FITCaatinga promove oficinas, debates e atividades formativas em áreas como figurino, cenografia e construção de bonecos. O objetivo é oferecer conhecimento técnico e reflexão teórica para artistas locais e visitantes.

Vale ressaltar que o festival também se firma como um espaço de reflexão sobre o papel do teatro na sociedade contemporânea.

“Sempre disseram que o teatro ia acabar: com o cinema, com a televisão, com a pandemia. Mas ele resiste, porque é um encontro humano. Quanto mais estamos mediatizados por telas, mais precisamos do contato direto que o teatro oferece. Ele é a poética do encontro”, afirma Atto.

Programação vasta

No dia 16, além do Seminário das Artes do Espetáculo, o teatro chegou ao povoado de Baixão do Zé Preto, enquanto a noite em Irecê foi marcada pelo espetáculo Compaixão, do Odin Teatret, que lotou o Teatro Ataídes Ribeiro.

Já no dia 17, as atividades se dividiram entre Irecê e o povoado de Meia Hora, com apresentações do Limiar Teatro (O Sentido da Vida), do Jirreh Artes, do Núcleo Caatinga e, no encerramento, A Língua em Pedaços, com Ana Cecília Costa e Joca Andreazza.

Para quem não conseguiu acompanhar os primeiros dias, a programação segue intensa sexta e sábado.

Nesta sexta, 22 de agosto, as atividades se espalham por João Dourado, Ibititá e Irecê. Às 17h, o Coletivo Duo apresenta O Barão nas Árvores na Praça Zezé França, em João Dourado, enquanto, em Ibititá, a Praça Alto da Estrela recebe O Sentido da Vida, do Limiar Teatro, seguido, às 17h30, por Divino Maravilhoso.

À noite, às 20h, o Teatro Raul Seixas, em João Dourado, recebe O Regresso, espetáculo do espanhol Luiz Jimenez; enquanto, no mesmo horário, em Irecê, Rita Assemany apresenta Surf no Caos no Teatro Ataídes Ribeiro.

Já amanhã, dia 23, a programação chega a Angical e retorna a Irecê. Às 17h30, o Núcleo Caatinga apresenta A Travessia do Grão Profundo em sessões nas duas cidades.

Logo depois, às 18h, acontece a Mostra de Encerramento do Seminário “A Arte de Inter-Agir”, com Rui e Leo Frati, no Cine Teatro Praça CEU, em Irecê.

Encerrando a noite, às 20h, O Regresso, de Luiz Jimenez, volta ao palco, desta vez no Teatro Ataídes Ribeiro.

É possível observar que uma das marcas do FITCaatinga é levar espetáculos para cidades e comunidades rurais da região. A itinerância tem contribuído para formar novos públicos, pois segundo o diretor muita gente vê teatro pela primeira vez no festival e depois passa a acompanhar a programação. “É um processo de formação de plateia que vai fortalecendo o teatro como linguagem para pensar o mundo”, observa o diretor.

Vale ressaltar que em 2025, o FITCaatinga é realizado com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura, via Política Nacional Aldir Blanc Bahia (PNAB), e do Ministério da Cultura – Governo Federal. A iniciativa conta ainda com o apoio das prefeituras de Irecê, João Dourado, Ibititá e da Embasa, reafirmando a força de quem faz do sertão um lugar de intercâmbio, diversidade e resistência artística.

Festival Internacional de Teatro da Caatinga

  • Até sábado (23)
  • Irecê, João Dourado, Ibititá, Baixão do Zé Preto, Meia Hora e Angical
  • Entrada gratuita ou preços populares
  • @festivaldacaatingaoficial

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.

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