CULTURA
Flipelô espalha quatro exposições sobre Myriam Fraga por Salvador
Poesia, fotografias e obras de arte celebram o legado da escritora baiana


A poesia e a trajetória de Myriam Fraga ganharam novas formas de expressão na 10ª Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô). Homenageada desta edição ao lado do artista Calasans Neto, a escritora baiana é tema de quatro exposições gratuitas que ocupam diferentes espaços de Salvador.
Fotografias, pinturas, esculturas, instalações, documentos e objetos pessoais ajudam a apresentar ao público uma autora cuja produção esteve profundamente ligada à memória, ao tempo, aos afetos e à cultura da Bahia.
As exposições podem ser visitadas ao longo do dia e ampliam a programação da Flipelô para além dos espaços de debates, lançamentos e encontros literários.
Poesia que atravessa diferentes linguagens
Para Angela Fraga, filha da escritora e presidente da Fundação Casa de Jorge Amado, a diversidade das mostras acompanha uma concepção que fazia parte da própria visão de Myriam sobre a literatura.
"Minha mãe sempre acreditou que a literatura dialoga com todas as formas de arte e de sensibilidade. Essas exposições traduzem esse pensamento ao transformar sua poesia em imagens, objetos, fotografias e experiências".
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Segundo Angela, a homenagem também representa a permanência da obra da escritora entre artistas e novos leitores.
"É uma emoção perceber que sua obra continua inspirando artistas, despertando afetos e encontrando novos leitores."
Fotografias transformam poema em imagem
Na Estação Campo da Pólvora do metrô, o público encontra a exposição “Amados Olhares”, criada a partir do tradicional concurso fotográfico promovido pela Flipelô.
Nesta edição, os fotógrafos participantes receberam como inspiração o poema “Sete portas e nenhuma saída”, de Myriam Fraga. Entre os trabalhos inscritos, dez fotografias foram selecionadas para integrar a mostra.
A exposição cria uma relação direta entre literatura e cotidiano. Em vez de ficar restrita a um espaço convencional de arte, a poesia da escritora chega a um dos locais de maior circulação de Salvador, onde pode ser encontrada diariamente por moradores e visitantes.
Onde: Estação Campo da Pólvora, Largo do Campo da Pólvora.
Fotoclube de Mulheres revisita a poeta
No Museu Eugênio Teixeira Leal, a fotografia também ocupa espaço na homenagem com “Fragmentos: uma homenagem a Myriam Fraga”.
Realizada pelo Fotoclube de Mulheres e idealizada por Cristina Cenciarelli, a exposição reúne imagens construídas a partir de temas associados à produção da escritora, como memória, passagem do tempo e permanência.
A proposta estabelece uma conversa entre duas linguagens: de um lado, a poesia de Myriam; do outro, fotografias que procuram criar novas interpretações para suas histórias, imagens e afetos.
Onde: Galeria Francisco de Sá, Museu Eugênio Teixeira Leal, Rua do Açouguinho, nº 1, Pelourinho.
Artistas criam suas próprias versões de Myriam
No Espaço Uno, a homenagem ganha uma dimensão ainda mais diversa. “Caixas de afeto para Myriam – Um tributo a Myriam Fraga” reúne trabalhos de 22 artistas brasileiros.
Idealizada e organizada pelo fotógrafo e curador Mário Edson, a exposição apresenta pinturas, desenhos, esculturas, fotografias, instalações, gravuras, objetos, arte têxtil e produções digitais.
Cada artista parte de referências do universo poético, feminino e afetivo de Myriam Fraga para construir uma interpretação própria. O resultado mostra como a obra da escritora continua servindo de ponto de partida para diferentes formas de criação.
Onde: Espaço Uno, Rua da Ordem Terceira, nº 1, Pelourinho.
Documentos revelam a história por trás da escritora
Também no Museu Eugênio Teixeira Leal, a exposição “Myriam Fraga: o tempo e a memória” apresenta uma perspectiva mais documental da trajetória da autora.
Fotografias, documentos e objetos ligados à escritora são colocados em diálogo com peças do acervo do próprio museu. A proposta amplia o olhar sobre Myriam Fraga, aproximando a produção literária de momentos e elementos de sua vida.
O percurso parte de uma ideia recorrente em sua obra: a memória como caminho para revisitar experiências e compreender o presente. Como sugere a própria autora em sua poesia, a exposição convida o visitante a fazer "uma viagem à memória".
Onde: Galeria Professor José Calasans, Museu Eugênio Teixeira Leal, Rua do Açouguinho, nº 1, Pelourinho.
Uma autora vista por quatro caminhos
Reunidas na programação da 10ª Flipelô, as quatro exposições apresentam perspectivas distintas sobre Myriam Fraga. Uma transforma seus versos em fotografias; outra aproxima poesia e memória por meio da produção de fotógrafas; uma terceira entrega seu universo a diferentes artistas; e a quarta percorre documentos e objetos de sua trajetória.
O conjunto reforça a dimensão múltipla da escritora, jornalista e gestora cultural e amplia o acesso à sua obra durante a festa literária.
A programação também reafirma o trabalho da Fundação Casa de Jorge Amado na preservação e difusão da memória de Myriam Fraga, aproximando sua produção de novos públicos e de outras linguagens artísticas.


