BAHIA EM VISTA
Guns em Salvador: O que falta para a capital baiana receber mais turnês internacionais?
Entenda motivo de a cidade não ser uma rota de grandes artistas internacionais

Salvador não costuma entrar na rota de grandes artistas internacionais quando se trata de turnês. Considerada a primeira capital do país, a cidade tem ampliado seu leque de diversidade no quesito cultura e eventos, mas ainda não atingiu o patamar de grandes metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro.
Um exemplo dessa abertura para apresentações de grandes artistas é o show da banda de rock Guns N’ Roses nesta quarta-feira, 15, na Casa de Apostas Arena Fonte Nova. Os artistas escolheram a capital baiana para sediar um dos shows da turnê da América Latina.
Além de Guns, festivais como o Afropunk Brasil também tem investido em apresentações de atrações de outros países em Salvador, como a cantora nigeriana Tems e as norte-americanas Coco Jones e Victoria Monet.
Entretanto, o número ainda é baixo comparado a quantidade de turnês que aconteceram no país ao longo dos últimos 3 anos. Nomes como, AC/DC, Taylor Swift, Olivia Rodrigo, Travis Scott, The Weeknd e Rebeldes deixaram Salvador de fora da lista.
Brasil possui o segundo maior mercado de shows ao vivo

A recepção de shows desta magnitude, seja em festivais como Lollapalooza ou turnês solo, consolidou o Brasil como o segundo maior mercado de shows ao vivo do mundo. De acordo com dados recentes da PwC/Live Entertainment, o país perde apenas para os Estados Unidos.
Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Eventos (Abeoc) e o Sebrae, a indústria de eventos movimenta cerca de R$ 300 bilhões por ano, equivalente a 4,3% do PIB nacional.
O sudeste segue liderando como a região que mais concentra eventos, com 60%, seguido do Nordeste, que apresentou um aumento de 8%, atingindo o total de 20%, como mostram os números do Relatório do Mercado de Eventos no Brasil 2025, organizado pela Zig.
Salvador não tem estrutura?
Muito se questiona sobre as condições da estrutura de Salvador para sediar apresentações internacionais que exigem grande aparato de equipamentos, como a de Taylor Swift e The Weeknd.
Em entrevista ao portal A TARDE, o presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur ), Isaac Edington, afirmou que a cidade possui espaços e capacidade técnica para estes grandes eventos.
“Quando se trata especificamente de turnês internacionais, a questão não é estrutural. Salvador tem espaços, logística, capacidade técnica e expertise para receber grandes shows. O ponto central está no modelo de mercado e na lógica econômica que orienta as grandes turnês globais”, disse.
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Ele ainda destacou que os locais das turnês são definidos de acordo com fatores socioeconômicos e de patrocínio de grandes marcas. “Essas turnês são planejadas a partir de critérios muito objetivos: densidade de público com alto poder de consumo imediato, facilidade logística entre cidades próximas e maximização de receita em curto prazo”, explicou.
“Nesse contexto, cidades como São Paulo e Rio de Janeiro acabam sendo priorizadas por concentrarem maior renda média, maior presença de patrocinadores privados e uma malha de deslocamento mais integrada dentro do circuito Sudeste.”
“Salvador, por sua vez, possui uma dinâmica distinta. É uma cidade com enorme força cultural, turística e de experiência, mas com um perfil de consumo que exige, muitas vezes, uma modelagem diferente — seja com apoio de patrocínios, seja com estratégias que combinem entretenimento e ativação de marca”, completou.
PIB da Bahia influencia?

Além dos fatores econômicos da capital, o Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia também influencia na atratividade do estado para estes artistas internacionais. Apesar de ter acumulado aproximadamente R$ 536,7 bilhões em 2025, o estado ainda fica atrás de outros seis.
São Paulo e Rio de Janeiro dominam a lista, com R$ 3,44 trilhões e R$ 1,17 trilhão, seguidos de Minas Gerais, que possui R$ 972 bilhões, de acordo com as Contas Regionais 2025, com dados correspondentes a 2023.
Coincidentemente, os três estados que dominam o ranking são os que mais sediam turnês internacionais em ordem, com dezenas de shows por ano, atraindo turistas do Brasil inteiro.
Estratégias para atrair mais artistas
Apesar de não existir uma fórmula mágica que atraia estes artistas internacionais para Salvador, algumas estratégias podem ser utilizadas para colocar a cidade no radar internacional nos próximos anos.
Uma delas é garantir o investimento de patrocinadores de grande porte em eventos culturais ao longo do ano, fortalecendo a parceria e garantindo a lembrança caso um destes artistas seja patrocinado por estas marcas.
“Não se trata de uma limitação da cidade, mas de uma lógica de mercado que está em transformação. E Salvador está cada vez mais bem posicionada para capturar essas novas oportunidades, de forma sustentável, inteligente e alinhada com o interesse público”, reforçou Isaac Edington.
Outra estratégia é o fortalecimento da parceria de espaços, como a Casa de Apostas Arena Fonte Nova, com as assessorias de cantores e bandas, já que o estádio de futebol é o mais bem estruturado para receber apresentações de grande porte na cidade.
“Desde a inauguração, a Arena já recebeu grandes nomes como Elton John, Paul McCartney, Roger Waters, A-ha e David Guetta. Na próxima quarta-feira, recebe o Guns N’ Roses, com grande sucesso de vendas”, informou a assessoria da Arena ao portal A TARDE.
“A Arena está em negociação com artistas internacionais para 2026 e 2027, mas as confirmações ainda dependem de alguns ajustes. Novidades serão divulgadas assim que confirmadas”, concluíram.
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