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ARTE

Maior repatriação de arte do Brasil chega a Salvador com 600 obras

Acervo que passou três décadas no exterior chega a Salvador

Beatriz Santos e Edvaldo Sales

Por Beatriz Santos e Edvaldo Sales

26/01/2026 - 13:03 h

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MUNCAB
MUNCAB -

O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), em Salvador, anunciou nesta segunda-feira, 26, a maior repatriação de obras de arte já realizada no Brasil. Ao todo, 666 obras de artistas afro-brasileiros retornaram ao país após mais de 30 anos no exterior e passam a integrar o acervo do museu, em um movimento considerado histórico para a preservação da memória cultural negra e para o campo das artes visuais.

Durante coletiva de imprensa, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou a relevância simbólica do retorno e a dimensão do conjunto incorporado. “A coleção que estamos recebendo é sem precedentes para o nosso país. Estamos falando de um acervo de valor inestimável. O acervo evidencia a pluralidade estética afro-brasileira.”

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A coleção, formada por duas norte-americanas ao longo de mais de três décadas, volta ao Brasil por meio da doação do acervo Con/vida, organizado por Bárbara Cervenka, artista plástica, e Marion Jackson, historiadora da arte.

O conjunto reúne pinturas, esculturas, fotografias, xilogravuras, arte sacra, gravuras, estampas e outras tipologias, abrangendo diferentes gerações, territórios e linguagens artísticas.

Restituição simbólica e fortalecimento da memória negra

O retorno do acervo marca um gesto de restituição e reparação simbólica, ao reverter o fluxo histórico de dispersão de obras produzidas por artistas negros, muitas vezes afastados dos grandes circuitos institucionais, do mercado e da historiografia oficial.

Para Margareth Menezes, a repatriação se conecta diretamente ao reconhecimento e à preservação do legado da produção artística afro-brasileira. “Com a arte afro-brasileira e sua imensa contribuição para a arte do nosso país, esse reconhecimento é também um gesto de preservação e manutenção do legado criativo e artístico da arte negra para o presente e para as futuras gerações.”

Ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou a relevância simbólica da repatriação
Ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou a relevância simbólica da repatriação | Foto: José Simões | Ag. A TARDE

Ao falar sobre o papel das instituições na preservação do patrimônio cultural, a ministra ressaltou que a responsabilidade deve ser compartilhada entre poder público e sociedade civil.

“É muito importante a gente entender que, quando temos um acervo desses ou um equipamento cultural, eu acho que tanto a Prefeitura quanto o Governo do Estado e o Governo Federal precisam ter as suas responsabilidades sobre isso, assim como a sociedade civil”, disse.

Ela também defendeu a valorização do patrimônio como parte de um processo de formação cultural coletiva. “Porque a gente precisa começar a ter essa educação patrimonial, porque o patrimônio é de todos os cidadãos e cidadãs. Então, acho que isso é uma coisa que a gente precisa, cada vez mais, trabalhar com os cidadãos do Brasil, em todos os estados, em todos os aspectos”.

Ainda segundo Margareth, a experiência de visitar museus amplia a percepção do público sobre o próprio potencial cultural. “Então, é uma maneira mais fácil até de a gente entender o nosso potencial quando você visita um museu que tem uma exposição, por exemplo, dessa dimensão”.

Apoio do MinC e cooperação internacional

Diretora-geral do MUNCAB, Cintia Maria detalhou que o Ministério da Cultura teve papel decisivo para garantir que o acervo chegasse a Salvador dentro do prazo necessário, em um processo que exigiu articulação internacional e logística especializada.

“O Ministério da Cultura já tem nos auxiliado de diversas formas, primeiramente por meio dessa cooperação internacional com diferentes instituições, para fazer com que esse acervo chegasse aqui em um tempo hábil”.

Segundo ela, a operação envolveu um alto grau de complexidade técnica e burocrática, além de parcerias com órgãos estratégicos do governo federal. “Às vezes, as pessoas não têm noção da dimensão do quão burocrático e do quão difícil é trazer esse quantitativo de obras de arte. Então, houve uma cooperação interministerial. A gente contou também com o Ministério da Fazenda, com a Receita Federal, com o Itamaraty, com diversas instituições”.

As obras chegaram a Salvador no dia 12 de janeiro e, desde então, passam por processos técnicos de incorporação ao acervo, incluindo procedimentos de conservação, laudagem e documentação museológica.

Lei Rouanet, Petrobras e Prefeitura entre os parceiros

Além do processo de repatriação, o museu também reforçou as parcerias que sustentam a estrutura para preservar e disponibilizar o novo conjunto ao público. “E o Ministério tem nos apoiado, por exemplo, por meio de políticas públicas como a Lei Rouanet. A Petrobras trabalha com a manutenção do museu. Então, a gente tem aqui, com a Prefeitura de Salvador, o Viva Cultura. Existe uma parceria com diferentes instituições governamentais e privadas”.

O MUNCAB também conta com patrocínio do Ministério da Cultura e da Petrobras, por meio do Fundo Nacional da Cultura e da Lei de Incentivo à Cultura, para adequação da infraestrutura e implementação dos procedimentos museológicos necessários à incorporação definitiva do acervo.

Exposição deve abrir entre fevereiro e março

De acordo com Cintia Maria, o museu trabalha para que parte do material esteja em exibição ainda nas próximas semanas. “A perspectiva é que, no final de fevereiro ou início de março, a gente esteja com essa exposição. A equipe está trabalhando de uma forma muito acelerada, já para poder disponibilizar esse acervo para a comunidade, porque existe um sentimento muito forte dessas famílias dos artistas que não estão mais vivos, de ter acesso. Então a gente está correndo muito para poder disponibilizar esse acervo o quanto antes.”

A coleção inclui obras de nomes fundamentais da produção afro-brasileira, como J. Cunha, Goya Lopes, Zé Adário, Lena da Bahia, Raimundo Bida, Sol Bahia, Manoel Bonfim, entre outros artistas.

Valor imensurável e repercussão internacional

Questionada sobre o valor financeiro do acervo, Margareth Menezes afirmou que o retorno representa algo que ultrapassa qualquer estimativa monetária. “Eu não sei se tem um valor dimensionado financeiramente, não, mas com certeza é algo que eu acho que a gente nem nunca pode imaginar nas nossas contas bancárias, porque está se tratando de algo histórico, importante, diferenciado, não é?”

Ela também destacou o percurso internacional da coleção e a dimensão histórica da reunião das peças. “Uma coleção que já rodou mais de 20 museus internacionais, então, em 30 anos, não é qualquer coleção. Acho que esse valor é muito difícil de colocar, então é imensurável. Trata-se realmente de algo muito importante, muito especial”.

Convite ao público e acesso ao patrimônio

A diretora-geral do MUNCAB reforçou que o retorno do acervo também deve ampliar o acesso público e fortalecer o papel do museu como referência para a preservação da arte afro-brasileira. “A gente convida, inclusive, a população a se apropriar desse equipamento, que tem o papel de preservar esse acervo e contribuir com a gente também.”

Já Margareth Menezes enfatizou o impacto cultural de iniciativas como essa para a construção de identidade. “É importante entendermos que esse valor é uma coisa que pertence a todas as gerações e que é bom, que beneficia a gente chegar em museus como esse, contemplar a arte e a cultura que trazem para nós o mundo. É um fortalecimento da nossa identidade”.

Ela concluiu reforçando a continuidade do apoio institucional ao museu. “Eu, geralmente, quando vou a museus e exposições assim, saio com outra cabeça em relação àquele assunto, porque tem muito a dizer a nós sobre isso. Então, como eu falei, o Ministério da Cultura está de portas abertas para continuar apoiando o MUNCAB, dentro das nossas deliberações.”

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Margareth Menezes Muncab Salvador

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