TEATRO E MÚSICA
Performance gratuita no MAB une cantadeiras da Bahia e de Portugal
Obra inédita revisita o ouro colonial a partir das vozes e corpos femininos

Por Beatriz Santos

O Museu de Arte da Bahia recebe, no dia 18 de janeiro, às 16h, a performance inédita O Círculo das Contas de Ouro em Filigrana: Conexões Históricas entre Bahia e Viana do Castelo. Com entrada gratuita, a apresentação propõe um encontro artístico entre Brasil e Portugal a partir de uma reflexão crítica sobre a história do ouro no contexto colonial.
Criada pela artista portuguesa Rita GT, a obra é desenvolvida em colaboração com o coletivo baiano Cantadeiras Ohùn Obìnrin e com o grupo minhoto Cantadeiras do Vale do Neiva.
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Em cena, as artistas constroem um dispositivo performativo de caráter ritual, reunindo voz, canto polifónico, gesto, corpo e ornamento como formas de memória, transmissão e resistência.
A performance parte do encontro entre mulheres e das suas experiências corporais e vocais para questionar as circulações do ouro e as suas implicações económicas, simbólicas e sociais, especialmente sobre os corpos femininos nos dois lados do Atlântico.
Ao assumir essas mulheres como protagonistas ativas da história, o projeto rejeita narrativas que as colocam apenas como figuras ilustrativas do passado colonial.
O diálogo entre a filigrana minhota e as joias de crioula da Bahia ocupa lugar central na encenação. Tratados não como simples adornos, esses ornamentos surgem como matérias políticas, revelando as relações entre valor, poder e gênero.
A investigação que fundamenta o projeto foi desenvolvida ao longo de mais de dois anos entre Brasil e Portugal, articulando arte contemporânea, tradições orais e práticas performativas coletivas. A performance foi consolidada durante a residência artística de Rita GT no Instituto Sacatar, instituição reconhecida como a residência artística em funcionamento contínuo mais antiga do país.
Integrada ao programa O Vila Ocupa o MAB, a apresentação reforça a parceria entre o Teatro Vila Velha e o Museu de Arte da Bahia, afirmando-se como um gesto de reconhecimento histórico, reparação simbólica e projeção de futuros possíveis. “Entre sombra, travessia e luz, o ouro emerge como símbolo de ferida e brilho”. Ao final, a performance se estende em uma conversa aberta com o público.
Serviço
- Local: Auditório do Museu de Arte da Bahia (MAB)
- Data: 18 de janeiro de 2026
- Hora: 16h
- Endereço: Avenida Sete de Setembro, 2340, Corredor da Vitória, Salvador, Bahia
- Entrada: Gratuita
- Classificação: Livre
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