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ARTE

Povos indígenas da Bahia expõem arte em feira nacional

Evento em São Paulo reúne dezenas de etnias e destaca produção como expressão viva

Beatriz Santos

Por Beatriz Santos

10/04/2026 - 14:40 h

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Feira se consolida como um espaço de protagonismo indígena
Feira se consolida como um espaço de protagonismo indígena -

Artistas indígenas da Bahia estão entre os destaques da Feira de Arte dos Povos Indígenas, que acontece entre os dias 16 e 19 de abril de 2026, em Parque Ibirapuera. O evento reúne cerca de 100 artistas e produtores de mais de 40 povos originários, promovendo um encontro entre diferentes territórios e saberes na maior cidade do país.

Realizada no Pavilhão das Culturas Brasileiras (Pacubra), a feira se consolida como um espaço de protagonismo indígena, onde os próprios povos apresentam e comercializam suas produções.

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Ao longo de quatro dias, o público poderá conhecer de perto expressões que atravessam gerações e traduzem modos de vida conectados à ancestralidade e à natureza.

Mais do que um evento cultural, a iniciativa se posiciona como uma plataforma de valorização da arte indígena e fortalecimento da autonomia econômica dos povos, destacando a produção como parte de um sistema vivo que articula território, identidade e conhecimento.

Arte, território e economia viva

A Feira de Arte dos Povos Indígenas chega à cidade de São Paulo entre os dias 16 e 19 de abril de 2026 como uma afirmação pública de que a produção indígena é arte viva território materializado e expressão de sistemas de conhecimento que atravessam gerações.

As obras apresentadas revelam a diversidade das expressões indígenas, reunindo desde peças autorais e obras de galeria até cerâmicas, grafismos, cestarias, esculturas, objetos em madeira, criações têxteis e design indígena.

Também integram a feira produtos da sociobiodiversidade desenvolvidos nos territórios, reforçando a conexão entre cultura, sustentabilidade e economia.

A feira também evidencia a existência de uma economia indígena estruturada, coletiva e territorial, baseada na sociobiodiversidade, no manejo sustentável e na permanência nos territórios.

Ao dar visibilidade a essas cadeias produtivas, o evento contribui para fortalecer práticas regenerativas e destacar o papel central dos povos indígenas na proteção dos biomas brasileiros. Segundo o IBGE, o Brasil abriga mais de 390 povos indígenas e mais de 270 línguas originárias.

“A gente pensou essa feira como uma plataforma de dignidade Vai além da comercialização é também um processo pedagógico para que as pessoas conheçam e se conectem com a arte indígena e com a produção que vem dos territórios”, disse Hony Sobrinho, produtor da Mídia Indígena e coordenador da feira.

A iniciativa é idealizada pela Mídia Indígena, que atua há mais de uma década na produção cultural, formação política e comunicação estratégica. A feira integra a programação da Bienal Brasileira de Arquitetura e contará com encontros, debates e atividades que abordam ancestralidade, tecnologia, sociobiodiversidade, economia criativa indígena e bem viver.

“Realizar essa feira em São Paulo é uma grande incidência da cultura indígena É a oportunidade de fortalecer a economia nos territórios com os parentes comercializando diretamente suas produções em um espaço de grande visibilidade ao mesmo tempo em que compartilham a diversidade e a riqueza dos povos indígenas com a sociedade”, comenta Erisvan Guajajara, coordenador nacional da Mídia Indígena e da feira.

A programação começa no dia 16 de abril, a partir das 10h, e segue até o dia 19, data que marca o Dia dos Povos Indígenas. O encerramento se conecta ao Festival Raízes Ancestrais, realizado no Espaço Cultural Elza Soares, reunindo música, expressões culturais e lideranças indígenas de diferentes regiões.

“A feira e o Festival Raízes Ancestrais são um mesmo movimento de presença e afirmação Reunimos povos de diferentes territórios para mostrar que nossa arte nossa cultura e nossos modos de vida seguem vivos e em movimento”, disse Priscila Tapajowara.

“A curadoria foi construída de forma coletiva a partir da escuta direta dos territórios As obras revelam técnicas sentidos e modos de vida que transitam entre o cotidiano e o ritual expressando uma arte ancestral que reflete a relação profunda de cada povo com seu território”, detalha o curador Marcelo Rosenbaum.

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