SONHO COLETIVO
TCA reabre nesta quarta e inicia operação teste com maratona cultural
Complexo conclui ciclo de modernização de R$ 260 milhões


O maior e mais simbólico complexo cultural da Bahia está de volta à cena. Depois de quase três anos e meio fechado – em função de um incêndio no teto da casa, ocorrido em janeiro de 2023 –, o Teatro Castro Alves (TCA) reabre suas portas, hoje, às 19h, para convidados, com o Concerto Bênção e a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
E quem irá reger a festa é a Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba), com a participação de convidados especiais, como os cantores e compositores baianos Gilberto Gil e Lazzo Matumbi. Além disso, a reabertura da casa vai contar também com esquetes do Balé Teatro Castro Alves – BTCA.
“O novo TCA é uma conjugação do TCA com o qual os baianos e brasileiros estão acostumados há quase 60 anos, com suas características, sua arquitetura moderna, sua excelência. Ao mesmo tempo em que é um teatro moderno, mais tecnológico, com uma qualidade acústica muito melhor e que agora está no padrão internacional para recebimento de grandes espetáculos”, anuncia Bruno Monteiro, secretário estadual de Cultura.
Monteiro garante que o Teatro Castro Alves é essencial para o conjunto das artes performáticas da Bahia porque ele é muito mais do que o que acontece somente no palco. “Ele é o coração do teatro baiano”.
“O público, a partir de agora, vai encontrar um teatro mais moderno, mais acessível, mais seguro, mais tecnológico, mais sustentável, que são justamente as premissas dessa obra de restauro”, informa o secretário.
“Ao mesmo tempo que vão encontrar um equipamento ainda mais democrático e mais conectado com o conjunto da população, de quem faz arte e também de quem deseja ser um profissional de arte na Bahia”, arremata.
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Erudito e popular
Mas as comemorações não se encerram hoje. Todo o mês de julho será celebrativo, oferecendo ao público um concerto por semana com o projeto OSBA de Volta ao TCA. Serão quatro apresentações – dias 04, 12, 18 e 25 – com diversos artistas baianos convidados.
A direção artística é de Elísio Lopes Jr. e a regência, do maestro Carlos Prazeres, que divide a direção musical com Manno Góes. O primeiro, Concerto da Folia, dia 04, celebra o Carnaval da Bahia.
Neste dia, a Osba receberá Daniela Mercury, Luiz Caldas, Olodum e Saulo Fernandes, além das participações de Bule-Bule e da peça de teatro Fanta e Pandora. Ana Mametto será a mestra de cerimônia.
Dia 12 tem o Concerto das Cidades, espetáculo que irá registrar as vozes da periferia e do interior do Estado. Já no dia 18, acontece o Concerto Afro, celebrando a cultura negra como a grande matriz da arte produzida na Bahia.
E encerrando a programação, no dia 25, é a vez do Concerto do Amor, reunindo canções que falam dos afetos em suas mais diversas formas.
Os repertórios deverão dialogar com os temas de cada concerto.
A ideia é trazer artistas que pulsam suas criações pelo interior e capital. Por isso, o projeto trará convidados de diversas vertentes musicais, do samba ao arrocha, da MPB ao axé. Além disso, o teatro, a dança, a literatura de cordel, o audiovisual e as artes visuais também estarão presentes.

Referencial artístico
Para Moacyr Gramacho, diretor-geral do TCA, esta reinauguração será monumental, principalmente porque é um sonho que tem muitas raízes e vem de muitos anos.
“É uma realização pela qual participaram vários governadores, várias direções da Fundação Cultural, vários secretários de Cultura, ou seja, tem esse lado de ser um sonho coletivo”, confidencia Moacyr.
Ele salienta também que todo o processo de recapacitação do complexo cultural, iniciado em 2010, e que levou vários anos, teve grandes colaboradores, inclusive nomes de qualificação internacional.
“Foi realizada a grande reforma da Concha Acústica, depois a Sala do Coro e agora, fechando esse ciclo, a Sala Principal. É muito importante salientar que tivemos a honra de receber a contribuição do escritório de José Augusto Nepomuceno, que assina a atual requalificação. Tudo o que aconteceu veio principalmente no sentido de melhorar, otimizar, contemporizar a percepção acústica da Sala Principal”, destaca Gramacho.
Memória e inovação
E além das apresentações artísticas, está programada também a exposição MAM no TCA – Ocupação Lina Bo Bardi, no foyer do Castro Alves – de 1º de julho a 20 de dezembro deste ano –, em homenagem à arquiteta ítalo-brasileira modernista que nos deixou em 1992.
“A mostra relembra um período marcante em que o Museu de Arte Moderna da Bahia [o foyer do TCA foi a primeira sede provisória do MAM, no final dos anos 1950] ocupou esse espaço sob a direção de Lina Bo Bardi, transformando-o em um ambiente de criação, experimentação e diálogo com a sociedade”, informa Rose Lima, diretora artística do TCA.
Ao lado de Daniel Rangel na curadoria, Rose tentou reunir obras daquele período para celebrar esse encontro entre duas importantes instituições culturais baianas. “Queremos convidar o público a redescobrir um capítulo fundamental da nossa história, reafirmando a arte, a arquitetura e o design como instrumentos de memória, inovação e transformação cultural. A gente precisava fazer essa homenagem a Lina”.
Tecnologia de ponta
Com obras de requalificação que receberam investimento de R$ 260 milhões, o novo TCA chega com uma estrutura que segue padrões internacionais e elementos que evidenciam, simultaneamente, modernização e preservação das características históricas do prédio.
Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), desde 2013, o Castro Alves teve uma reforma pautada por cinco eixos: acessibilidade, restauro, segurança, atualização tecnológica e sustentabilidade.
Ele será reaberto com estrutura requalificada em funcionamento e seguirá até o final do ano em uma fase de operação teste, período tecnicamente chamado de ‘operação assistida’.
Uma etapa que compõe a sequência de eventos necessários ao pleno funcionamento do edifício. Nesta fase, serão realizados ajustes técnicos e alinhamentos operacionais essenciais, sem impedimento da realização da programação artística.
Uma das novidades desta retomada é a convocatória para ocupação artística da sala principal. A iniciativa inédita vai selecionar espetáculos baianos de múltiplas linguagens para se apresentarem entre outubro de 2026 e fevereiro de 2027.
As inscrições são gratuitas e deverão ser realizadas exclusivamente pelo site da Fundação Cultural do Estado da Bahia – Funceb (ba.gov.br/fundacaocultural) até o próximo dia 7. Poderão participar espetáculos e projetos de teatro, música, dança, performance e manifestações híbridas.


