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UFBA lança livro trilíngue que inventaria patrimônio cultural de Oyó
Obra assume papel de documento técnico e de memória histórica


O Salão Nobre da Reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA) vai ser o cenário, no próximo dia 29, às 9h, de um marco para as relações culturais e diplomáticas entre o Brasil e a África Ocidental. Vai ser lançado o livro Oyó: A Cidade do Patrimônio Cultural Iorubá, uma obra trilíngue — escrita em português, inglês e iorubá — que reúne, de forma inédita, um inventário profundo do patrimônio imaterial da cidade de Oyó, localizada no sudoeste da Nigéria.
Mais do que um registro acadêmico, o livro assume o papel de documento técnico e de memória histórica. A publicação é o resultado prático do projeto de pesquisa As Cidades Iorubás: Arquiteturas das Cidades Históricas e Sagradas da Nigéria, viabilizado por um Termo de Cooperação Acadêmica firmado em 2021 entre a UFBA, a Ajayi Crowther University of Oyo, a University of Lagos Akoka e o Palácio Real de Oyó. O esforço conjunto visa fundamentar e integrar o processo de reconhecimento de Oyó como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.
Alcance internacional
O lançamento vais ser de forma estratégica na abertura da 4ª Conferência Internacional LASUCAS 2026 - Cooperação Sul-Sul: os papéis da Nigéria e do Brasil, organizada pelo Centro de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade do Estado de Lagos (LASUCAS), em parceria com o grupo de pesquisa EtniCidades da Faculdade de Arquitetura da UFBA e a Universidade do Estado da Bahia (UNEB). O evento, que se estende até o dia 1º de julho, ocorre em um cenário de forte consolidação das relações bilaterais entre os dois países.
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A cerimônia de abertura deve reunir um corpo de autoridades de alta relevância internacional. Estão confirmadas as presenças de Sua Majestade Oba Owoade Abimbola Akeem, o Alafin de Oyó; da Ministra da Cultura da Nigéria, Hannatu Musa Musawa; do embaixador nigeriano no Brasil, Geoffrey Onyeama; e do Governador do Estado de Lagos, Babajide Olusola Sanwo-Olu. Também integram a comitiva o presidente da Associação dos Descendentes Brasileiros em Lagos (Agudás), Lawal Pedro; a reitora da Universidade do Estado de Lagos, Ibiyemi Ibilola Olatunji-Bello; e o representante da UNESCO na Nigéria, Emmanuel Adeniyi Odekanyin.
Conexão ancestral
A escolha da capital baiana para o lançamento reflete os laços históricos profundos que unem a Bahia à Nigéria. Entre os séculos XVIII e XIX, os povos iorubás vindos do Império de Oyó aportaram em Salvador e Cachoeira, trazidos pelo último ciclo do tráfico transatlântico. Essa presença moldou a identidade baiana, deixando marcas indeléveis na língua, na culinária, na música e na estrutura dos terreiros de Candomblé — a exemplo do Ilê Axé Iyá Nassô Oká (Casa Branca), do Gantois e do Ilê Axé Opô Afonjá, todos tombados pelo IPHAN.
O livro reconstrói essa genealogia ao mapear na Nigéria os festivais de orixás (como Xangô, Iemanjá e Ogum), as sociedades tradicionais (Yalodê, Gèlèdé e Egúngun) e os saberes artesanais e políticos de Oyó.
"Oyó não é apenas uma cidade nigeriana. É uma das origens da civilização brasileira", afirma o arquiteto e urbanista Fábio Macêdo Velame, diretor da Faculdade de Arquitetura da UFBA e coordenador do grupo EtniCidades, que assina a obra ao lado dos pesquisadores Paula Dias Gomes, Oluwatoyin Sogbesan e Tunji Adejumo. "Assim como Meca é referência para o mundo muçulmano, Oyó tornou-se uma referência ancestral para o povo-de-santo no Brasil", pontua Velame.
Com parceria editorial entre a Editora Jequitibá e a EDUFBA, o projeto foi financiado pela Política Nacional Aldir Blanc Bahia (PNAB), com apoio do Governo do Estado da Bahia e do Ministério da Cultura. O livro terá distribuição gratuita, com prioridade para instituições de matriz afro-brasileira.
Serviço:
O quê: Lançamento do livro Oyó: A Cidade do Patrimônio Cultural Iorubá
Quando: 29 de junho, às 9h
Onde: Salão Nobre da Reitoria da UFBA (Sede no Canela, Salvador-BA)
Acesso: Entrada gratuita, com distribuição prioritária de exemplares para comunidades e instituições afro-brasileiras.


