FUTURO DOS COMBUSTÍVEIS
Até o gás encanado? Veja se guerra pode atingir consumidores da Bahia
O Catar, além de ser referência em produção e geração de energia a base de gás natural, e foi alvo de ataques na última semana

Há cerca de uma semana, a guerra no Oriente Médio dava novos e preocupantes passos sobre o futuro do fornecimento de gás natural para o mundo. Um ataque a uma das maiores instalação de Gás Natural Liquefeito (GNL) do mundo, o Ras Laffan, por drones mísseis iranianos duas vezes em um intervalo de 12 horas, jogou luz sobre consequências drásticas que os conflitos podem tomar.
A empresa estatal de energia do Catar, QatarEnergy, responsável pela gestão da usina, relatou "danos consideráveis" provocados por ataques que causaram incêndios.
Os ataques iranianos contra Ras Laffan são uma resposta aos ataques de Israel, em março contra o gigantesco campo de gás South Pars–North Dome, compartilhado por Irã e Catar. É a maior reserva de gás conhecida do mundo e fornece quase 70% do gás natural consumido internamente na República Islâmica.
O Catar, além de ser referência em produção e geração de energia a base de gás natural, é um dos maiores exportadores mundiais de GNL, e qualquer interrupção prolongada no fornecimento a partir do terminal de Ras Laffan pode afetar diretamente o abastecimento global e elevar ainda mais os preços dos combustíveis.
De acordo com especialistas, entretanto, alguns processos impedem que os efeitos no gás natural no Oriente Médio cheguem ao país com tamanha intensidade. O economista Antônio Carvalho, aponta que há produção de gás natural no Brasil, que pode sustentar o abastecimento nacional.
É pouco provável [que haja impacto no Brasil] porque diferente do petróleo que nós compramos para produção dos derivados, gasolina e diesel, o gás natural não é transportado a essa distância, geralmente o gás natural que nós consumimos, é gerado das nossas próprias produções ou comprado de países vizinhos diretamente canalizado
O especialista exemplifica a medida de São Paulo que recebe o combustível fóssil de vizinhos latino-americanos, como a Bolívia, para o abastecimento do estado. Em março, o Brasil já havia se manifestado sobre a intenção de ampliar essa integração energética em meio a intensificação dos conflitos sobre os combustíveis globais.
“O fornecimento de gás no mundo é por gasoduto. Então você não tem um gasoduto que sai lá do Irã ou do Oriente Médio para o Brasil. O Brasil consome gás de produção própria ou dos vizinhos latino-americanos”, explicou Antônio Carvalho.
Portanto, há riscos na Bahia?
A maior produção de gás natural na Bahia é interna, sendo assim, a provisão do combustível não depende, por exemplo, de fontes externas.
O presidente da Bahiagás, Luiz Gavazza, empresa baiana que presta serviço de gás canalizado no estado, é cirúrgico ao explicar os efeitos da guerra no Irã na produção e fornecimento de gás natural para consumidores.
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Na Bahia, não vemos reflexos de imediato porque o estado tem desenvolvido o mercado de gás, buscando competitividade. Desde 2006, passamos a diversificar os supridores de gás natural, que agora conta com 16 parceiros. Esse portfólio permite concentrar a atenção na produção baiana
De acordo com Gavazza, a venda de de gás natural representa 70% de todo o gás produzido na Bahia, tendo como estratégicas regiões onshore e offshore antes rejeitadas pela Petrobras, por não serem consideradas produtivas, são elas:
- Bacia Recôncavo;
- Bacia Tucano Sul;
- Bacia Geográfica de Alagoas.
“Não temos risco iminente de desabastecimento”, reforça o presidente.
Reajustes podem acontecer?
Os preços do gás natural canalizado são regulados, atendendo às regras construídas pela ANP e a Agerba, usando como referência a regra do mercado energético. O presidente disse acompanhar as variações do preço do gás natural internacional devido a falta de oferta e não descarta um reajuste do preço do combustível.
“Nós ajustamos de três em três meses o preço do gás canalizado, e por isso, eles não acompanham, por exemplo, eventos como o que está acontecendo, mas vamos reajustar o que foi impactado nos últimos três meses”, disse Gavazza.
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