JORNADA
Quem trabalha mais ganha até 58% menos no Brasil, diz estudo
Estudo foi realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

Profissionais que atuam na escala 6x1, com jornada de 44 horas semanais, recebem, em média, 57,7% menos do que aqueles que trabalham 40 horas por semana.
De acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), trabalhadores com jornada de 40 horas, em regime 5x2, têm renda média de R$ 6.211. Já aqueles que cumprem 44 horas semanais recebem, em média, R$ 2.626,05, o equivalente a 42,3% desse valor.
Quando o pagamento é feito por hora, a diferença é ainda maior: a remuneração média cai para R$ 2.391,24, cerca de 38,5% do rendimento dos trabalhadores com jornada menor.
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O estudo aponta que a principal razão para a desigualdade salarial está relacionada ao nível de escolaridade. Cerca de 83% dos trabalhadores com jornada de 44 horas têm, no máximo, ensino médio completo. Entre os profissionais com ensino superior, esse percentual cai para 53%.
Fim da escala 6x1 pode mudar cenário?
O possível fim da escala 6x1 está em debate no Congresso Nacional e pode impactar a jornada de trabalho no país. Segundo o estudo, jornadas mais longas estão diretamente associadas a menor nível de escolaridade, diferentemente de fatores como região ou local de residência.
Essas jornadas são mais comuns em setores que exigem menor qualificação, como indústria, agropecuária e comércio. Já cargos técnicos e funções que demandam ensino superior tendem a ter jornadas reduzidas.
Ainda de acordo com o Ipea, a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais elevaria o custo da mão de obra em cerca de 7,84%. Em um cenário de adoção da escala 4x3, com 36 horas semanais, o aumento poderia chegar a 17,57%.
Redução de desigualdades
Apesar disso, o estudo indica que esse impacto poderia ser absorvido pela economia, de forma semelhante ao que ocorreu com a política de valorização do salário mínimo.
Para Felipe Pateo, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea e um dos autores do estudo, a mudança pode contribuir para reduzir desigualdades no mercado de trabalho formal.
“Demonstramos que a diminuição da jornada reduziria desigualdades no mercado de trabalho formal, uma vez que jornadas estendidas estão mais presentes em ocupações de baixa remuneração e maior rotatividade”, afirmou.
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