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Casas Bahia fecha quase 300 lojas no Brasil e decreta demissão em massa

Varejista encerra 298 unidades e prepara até 1,9 mil demissões em meio a plano para reduzir despesa

Iarla Queiroz
Por
| Atualizada em
Casas Bahia fecha 298 lojas e demite até 1,9 mil funcionários
Casas Bahia fecha 298 lojas e demite até 1,9 mil funcionários - Foto: Reprodução | Wikipédia

A Casas Bahia iniciou uma ampla reestruturação em sua operação no Brasil. Entre quinta-feira, 13, e sexta-feira, 14, a varejista fechou 298 lojas e demitiu cerca de 1,9 mil funcionários, segundo informações do Valor.

As medidas fazem parte de um plano para reduzir despesas após uma sequência de resultados negativos registrados pela companhia.

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Quase 30% das lojas serão fechadas

O número de unidades encerradas corresponde a 28,7% das pouco mais de mil lojas mantidas pela rede no país. A redução chama atenção pela quantidade de estabelecimentos fechados em um curto período.

Em anos anteriores, a companhia costumava distribuir os cortes ao longo do tempo, com o encerramento de aproximadamente 20 a 30 lojas por ano.

As demissões também acontecem de forma concentrada. Cerca de 600 trabalhadores foram desligados na quinta-feira, 13, enquanto outros 1,3 mil a 1,4 mil cortes estavam previstos para esta sexta-feira, 14, conforme duas fontes ouvidas pelo Valor.

O número representa aproximadamente 6,7% do quadro de funcionários da varejista. Uma terceira fonte, porém, estima que o total de demissões possa chegar a 3 mil.

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Prejuízos bilionários pressionam companhia

A reestruturação ocorre em meio a uma sequência de resultados negativos. No primeiro trimestre de 2026, a Casas Bahia registrou prejuízo de quase R$ 1,1 bilhão, mais que o dobro da perda contabilizada no mesmo período de 2025.

No ano passado, o prejuízo consolidado da empresa chegou a R$ 3 bilhões, três vezes o valor registrado em 2024.

A companhia também enfrenta dificuldades provocadas pelo endividamento dos consumidores, que afeta o poder de compra, além do peso das despesas financeiras.

Em 2024, a Casas Bahia entrou em recuperação extrajudicial como parte de uma tentativa de reorganizar sua estrutura de capital. O processo foi encerrado após um acordo com bancos.

Apesar da redução da dívida líquida no primeiro trimestre deste ano, impulsionada principalmente pela conversão de dívidas de credores em ações da companhia, a varejista continua apresentando perdas.

Quantas lojas a Casas Bahia tinha?

A empresa terminou 2025 com 1.042 lojas, número inferior às 1.064 unidades registradas no ano anterior. Em 2023, eram 1.078 estabelecimentos das redes Casas Bahia e Ponto Frio.

Nos 12 meses encerrados em março, a companhia já havia reduzido sua operação em 26 lojas. Desse total, 12 eram da Casas Bahia e 14 do Ponto Frio.

O novo movimento, com 298 unidades encerradas, representa uma redução significativamente maior e concentrada em apenas alguns dias.

No balanço referente ao primeiro trimestre, a empresa informou que acompanha os resultados de cada loja e centro de distribuição e encerra as operações que não apresentam geração de valor.

Empresa tenta cortar gastos

O fechamento das unidades e a redução do quadro de funcionários integram um plano de redução de custos que deve ser apresentado pela companhia ao mercado nos próximos dias.

Embora a estratégia tenha como objetivo diminuir as despesas no médio e longo prazo, a reestruturação também provoca gastos imediatos, principalmente relacionados às rescisões e demais custos envolvidos nos desligamentos.

Segundo o Valor, a Casas Bahia também tem adotado medidas para melhorar o ciclo financeiro. Entre elas estão o adiamento de pagamentos a lojistas do marketplace e a negociação de prazos maiores com fornecedores da indústria.

A companhia ainda adiou a divulgação do balanço do segundo trimestre. O resultado, que estava previsto inicialmente para quarta-feira, 12, será divulgado nesta sexta-feira, 14. Já a teleconferência com analistas está marcada para segunda-feira, 17.

Vendas pela internet ganham espaço

Apesar do cenário negativo, a receita bruta consolidada da Casas Bahia avançou 6,4% no primeiro trimestre, chegando a R$ 8,8 bilhões.

O desempenho foi impulsionado principalmente pelas operações digitais. No período, a receita do marketplace recuou 0,6%, enquanto as vendas realizadas pelas lojas físicas tiveram queda de 1,8%.

Por outro lado, as vendas digitais de produtos próprios cresceram 26% nos primeiros meses do ano. Parte dessas operações é realizada por meio do Mercado Livre.

A margem bruta permaneceu estável em 30,3%.

Com o fechamento de lojas e a redução do número de funcionários, a Casas Bahia busca diminuir despesas, melhorar a geração de caixa e tentar reverter o cenário de prejuízos.

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