ECONOMIA
Dono do Cruzeiro avança em negócio que pode chegar a R$ 35 bilhões
Cade libera negócio que pode levar Supermercados BH a 600 lojas


A aprovação do negócio pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abre caminho para uma nova etapa de expansão do Supermercados BH. A operação envolve 108 unidades da DMA Distribuidora, responsável pelas bandeiras Epa e Mineirão.
A decisão foi publicada nesta quinta-feira, 24, e saiu sem restrições, após o órgão analisar os possíveis efeitos da concentração do mercado em diferentes municípios de Minas Gerais.
Com a conclusão da operação, a rede controlada por Pedro Lourenço, empresário Pedro Lourenço, também proprietário da SAF do Cruzeiro, poderá alcançar aproximadamente 600 lojas e um faturamento combinado estimado em R$ 34,6 bilhões. A projeção foi feita pelaFederação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL-MG), baseada no Ranking Abras 2026.
Cade analisou concentração antes de liberar negócio
A transação chegou ao Cade inicialmente com previsão de aquisição de 120 lojas da DMA em Minas Gerais. Entre as bandeiras envolvidas estavam Epa Plus, Epa Premium e Mineirão.
Durante a análise, porém, o órgão identificou mercados em que a presença conjunta das duas empresas poderia gerar preocupações concorrenciais. Em agosto, a Superintendência-Geral do Cade classificou o processo como complexo.
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Seis unidades foram retiradas da operação em uma primeira alteração do acordo. Posteriormente, outras seis lojas deixaram de fazer parte do negócio, reduzindo o total para as 108 unidades aprovadas nesta quinta-feira.
Entre os locais analisados estavam mercados de Belo Horizonte, Ribeirão das Neves, Ouro Branco, Lagoa Santa, Sarzedo e Itajubá.
Em um dos recortes avaliados pelo Cade, na região de Venda Nova, em Belo Horizonte, as duas empresas concentravam entre 40% e 50% do faturamento do mercado analisado em 2025.
Por que a compra das 108 lojas foi aprovada
Apesar das participações registradas em determinados mercados, a análise do Cade considerou a existência de outros concorrentes capazes de disputar consumidores com a rede.
Entre as empresas identificadas pelo órgão estão Carrefour, Assaí, Mart Minas, Villefort, Economart, Verdemar e Multiformato.
O parecer também levou em conta a expansão de algumas dessas redes nos últimos anos. Na região da Pampulha, em Belo Horizonte, por exemplo, foram registradas novas unidades de diferentes grupos entre 2021 e 2025.
O Cade analisou 24 mercados relevantes em 14 municípios e concluiu que, nos locais examinados, não havia naquele momento probabilidade de exercício de poder de mercado pela empresa resultante da operação.
Com isso, o órgão recomendou a aprovação da aquisição sem a imposição de medidas adicionais.
Rede pode alcançar R$ 34,6 bilhões em faturamento
A aquisição representa uma ampliação significativa da estrutura do Supermercados BH. A rede encerrou 2025 com R$ 25,7 bilhões em vendas e 420 lojas. A DMA, por sua vez, registrou R$ 8,9 bilhões no TOP 300 do Varejo Brasileiro.
A soma dos negócios resulta na projeção de R$ 34,6 bilhões de faturamento combinado, embora o valor seja uma estimativa e não represente necessariamente o faturamento futuro efetivamente realizado pela companhia.
A expansão também aumenta a presença territorial do grupo, que reúne operações em Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Pernambuco.
Supermercados BH amplia estratégia de aquisições
A compra da DMA dá continuidade ao movimento de expansão por meio da aquisição de redes e unidades de concorrentes.
Em 2025, o Supermercados BH comprou 54 supermercados do Bretas em Minas Gerais, em uma operação de R$ 716 milhões. No mesmo período, também adquiriu três lojas do Canguru Supermercados, no Espírito Santo.
A estratégia ajudou a ampliar a presença da companhia em diferentes mercados regionais.
Como começou o Supermercados BH
A trajetória de Pedro Lourenço no varejo começou antes da formação da atual rede de supermercados.
Nascido em Paineiras, no interior de Minas Gerais, Lourenço mudou-se para Belo Horizonte aos 18 anos em busca de trabalho. Seu primeiro emprego foi nas Casas da Banha, onde atuou em diferentes funções.
Depois de trabalhar como representante comercial de um atacadista de arroz, abriu, em maio de 1996, uma pequena mercearia no bairro São Benedito, em Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte.
A expansão ocorreu posteriormente com a aquisição de estabelecimentos em dificuldades, principalmente em áreas periféricas da capital e em cidades menores.
Hoje, além do Supermercados BH, Lourenço também possui 90% da Sociedade Anônima de Futebol (SAF) do Cruzeiro.
O que acontece com as lojas Epa e Mineirão
As 108 unidades da DMA incluídas na operação passam a integrar o negócio aprovado pelo Cade. As demais lojas retiradas do acordo permanecem fora da transação.
A conclusão da operação ocorre depois de uma análise que levou em consideração as condições de concorrência nos mercados em que as empresas atuavam simultaneamente.
O aval do Cade, portanto, permite que o Supermercados BH avance na incorporação das unidades incluídas no acordo e amplie sua estrutura no varejo alimentar.


