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Exportações baianas têm queda após tarifaço, mas balança é positiva

Antecipação de embarques e variação de preços internacionais contribuíram para o resultado

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Volume embarcado para os Estados Unidos cresceu 16,5% em agosto
Volume embarcado para os Estados Unidos cresceu 16,5% em agosto - Foto: Reprodução

O tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos ao Brasil atingiu diretamente as exportações na Bahia, mas não a ponto de causar desequilíbrio na balança comercial. À primeira vista, os números assustam, mas é possível vislumbrar um horizonte não tão sombrio quanto se imaginava.

No mês de agosto, as exportações baianas tiveram redução de 35,6%, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

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Análise da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), destaca o recuo do volume embarcado (34,1%) e a desvalorização nos preços médios dos produtos exportados pelo estado em 2,3%, em comparação com o mesmo mês de 2024.

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O resultado foi ainda pior para a indústria de transformação, com retração de 63,6% em volume e -66,3% em valor. Na indústria extrativa, o recuo de 33,7% no ‘quantum’ exportado, foi compensado pela valorização de 16,3%, decorrente do aumento das cotações do ouro no mercado internacional, na média em 36%, como consequência da crise de confiança no dólar.

Exportações para EUA

Considerando apenas as exportações direcionadas aos Estados Unidos, a Bahia vendeu 11,6% menos, passando de US$ 72,5 milhões em agosto de 2024 para US$ 64,1 milhões no mesmo mês deste ano.

No entanto, houve crescimento de 16,5% no volume embarcado, na comparação com agosto do ano passado. No acumulado do ano, as exportações para o país tiveram redução de 2,7%.

Segundo o coordenador de conjuntura da SEI, Arthur Cruz, o volume embarcado cresceu por causa das antecipações de embarque, realizadas no intuito de escapar das tarifas e garantir estoques nos Estados Unidos.

Essa medida impulsionou a exportação de celulose (expansão de 126,6%), produtos químicos e petroquímicos (33%), pneumáticos (39,7%), frutas e suas preparações (90,8%), café e especiarias (177,6%), sisal e derivados (35,4%), mel natural (36%), dentre outros.

Balança comercial

Apesar disso, a queda nos preços médios dos produtos vendidos aos EUA (24,1%), puxaram para baixo as receitas oriundas desses contratos. Destaque para as vendas de celulose, cujos preços médios recuaram 33,7%, e do setor de frutas e suas preparações, com queda de 28,7% em seus preços. Os dois segmentos participaram com 62% das vendas ao país no último mês.

Alguns produtos, por sua vez, registraram queda no volume das exportações para os EUA em agosto, diante das tarifas adicionais. Entre eles, cacau e derivados (-66,5%), petróleo e derivados (-80,6%), calçados (-44%), máquinas e aparelhos mecânicos (81,6%) e produtos metalúrgicos (-96%). Não é possível mensurar se houve desvio de produtos tarifados a outros mercados

Com os resultados apurados em agosto, a Bahia exportou no acumulado do ano US$ 7,25 bilhões, queda de 4,9% ante o mesmo período do ano anterior. As importações somaram US$ 6,40 bilhões, também com recuo de 12,2% no período. O saldo comercial da Bahia até agosto chegou a US$ 843,7 milhões, aumento de 160,3% em relação a igual período do ano passado.

Apex

Segundo análise da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), embora o comportamento das exportações para o mercado americano tenha sido, inicialmente, mais resiliente que o das exportações totais do estado, os dados apontam impactos significativos sobre setores estratégicos da economia baiana.

Para a FIEB, no entanto, ainda não é possível mensurar completamente os efeitos do tarifaço, uma vez que o comportamento observado pode ter sido influenciado por estratégias de antecipação ou adaptação adotadas por exportadores e compradores americanos desde o anúncio da medida, no início de julho.

Enquanto não se tem a ideia precisa das repercussões do tarifaço nas exportações baianas, a abertura de novos mercados segue sendo a principal estratégia para minimizar os possíveis impactos,

Arthur Cruz pondera que esse processo exige cautela e muito critério. 'O custo de exportação para os EUA não pode ser o mesmo do Vietnam’, exemplifica, lembrando que é preciso análise de mercado, de preços de médio e longo prazo, além da promoção dos produtos em exposições e feiras.

Para fortalecer e agilizar esse processo, o coordenador de conjuntura da SEI celebra a inauguração do escritório da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) na Bahia.

Alegria compartilhada pelo secretário estadual de Emprego Renda, Trablho e Esporte, Augusto Vasconcelos, que destaca a geração de empregos, ‘apesar dos impactos negativos do tarifaço’.

Ele afirma que tem feito esforços para ‘buscar novos parceiros comerciais, para escoar a nossa produção’. Para Augusto, a inauguração do escritório da Apex vai ‘ampliar nossa capacidade de fortalecer as relações em nível internacional’.

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Apex Bahia balança comercial exportações baianas fieb SEI Setre tarifaço

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