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Haddad critica tarifa de Trump sobre produtos brasileiros: "Não faz sentido"

Ministro da Fazenda rebate alegação de desequilíbrio comercial entre Brasil e EUA

Da Redação
Por Da Redação
Ministro da Fazenda, Fernando Haddad
Ministro da Fazenda, Fernando Haddad - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, criticou nesta quinta-feira, 10, a política de taxação estabelecida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que determinou uma tarifa de 50% sobre os produtos importados do Brasil.

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Segundo Haddad, a alegação de Trump, de que a relação comercial dos dois países estaria "desequilibrada", não faz sentido já que o que é observado nos últimos 15 anos é um superávit, ou seja, um balanço onde os ganhos são maiores que o gastos.

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“Os EUA tem superávit junto ao Brasil nos últimos 15 anos de mais de US$ 400 bilhões. Então quem poderia estar pensando em proteção era o Brasil, e o Brasil não está pensando nisso, então esse tipo de retaliação com a finalidade política e ideológica é contra a producente”, disse.

Ainda de acordo com Haddad, a medida desrespeita 200 anos de "tradição diplomática" entre os países e um grupo de trabalho irá estudar "a lei da reciprocidade" para determinar possíveis taxações aplicadas para produtos americanos.

Impactos

Os impactos da medida de Trump devem ser sentidos não só na economia brasileira, mas também na baiana.

Segundo dados da Superintendência de Estudos Econômicos da Bahia (SEI-BA), os produtos da Bahia mais embarcados para o mercado norte-americano,no período entre janeiro a junho deste ano, estão itens de peso estratégico na balança comercial do estado, como a celulose, que lidera o ranking, além de derivados do setor petroquímico, cacau e combustíveis.

Já matérias primas como óleos de petróleo e ferro-gusa e alimentos como café, carne e sucos são os principais produtos exportados para os EUA em nível nacional, segundo dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Tarifas de Trump

Trump anunciou na quarta-feira, 9, uma tarifa de 50% sobre os produtos importados do Brasil. A medida surge como uma forma de retaliação ao país devido ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), réu na trama dos atos golpistas, no Supremo Tribunal Federal (STF).

Por meio de carta publicada nas redes sociais, ele alegou que “a forma como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma vergonha internacional”, inicia o texto de Trump.

Na mensagem, Trump considera a relação comercial entre os país como desequilibrada e “longe de ser recíproco”. Nesse sentido, o presidente americano diz ser necessário o afastamento com o Brasil.

“Entenda que os 50% são muito menos do que seria necessário para termos igualdade de condições em nosso comércio com seu país. E é necessário ter isso para corrigir as graves injustiças do sistema atual”.

E termina a carta dizendo: “Essas tarifas podem ser modificadas, para cima ou para baixo, dependendo do relacionamento com seu país. O senhor nunca ficará decepcionado com os Estados Unidos da América”.

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