ECONOMIA
Inflação cai em Salvador: descubra o que pesou no seu bolso neste mês
O IPCA-15 funciona como uma prévia da inflação oficial do mês,


Em outubro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficou em 0,34% na Região Metropolitana de Salvador (RMS). O indicador apresentou desaceleração (aumentou menos) em relação ao resultado de setembro.
O IPCA-15 funciona como uma prévia da inflação oficial do mês, refletindo os preços coletados entre 16 de setembro e 14 de outubro.
Mesmo com a desaceleração, o índice da RM Salvador em outubro ficou levemente acima do nacional (0,32%) e foi o 6º maior entre os 11 locais pesquisados.
Itens mais caros de outubro
Alimentação e bebida, que ficou em 0,55%, foi o terceiro maior aumento, mas, por ter o maior peso no consumo das famílias na RM Salvador, exerceu a principal pressão inflacionária.
Além disso, o grupo de transportes (0,37%) registrou o quinto maior aumento entre os grupos, mas deram a segunda maior colaboração para a alta do IPCA-15 na RMS.
Por fim, os artigos de residência (1,02%) foram o grupo com o maior aumento médio de preços na região, mas não pesaram tanto na IPCA-15, como alimentação e transporte
Confira as maiores altas de outubro
Alimentação e bebidas
- Tomate - 24,87%;
- Cebola - 11,60%;
- Batata-inglesa - 14,36%;
- Carnes - 1,19%;
- Arroz - 5,49%.
Habitação
- Detergente -2,33%
- Desinfetante - 1,67%
- Cimento - 1,60%
Transporte
- Gasolina - 1,27%
- Óleo diesel - 7,19%
- Aluguel de carro - 4,71%
Artigo de Residência
- Itens de mobiliário - 1,58%;
- Móvel para quarto - 2,20%;
- Móvel para sala - 2,93%.
Na prévia da inflação de outubro, o único grupo a registrar leve deflação (queda média de preços), na RMS, foi educação (-0,04%), por conta, principalmente, dos itens de papelaria (-1,60%), como o caderno (-2,33%), e de cursos como a autoescola (-0,84%).
Inflação de Salvador em 2026
Com esse resultado, o IPCA-15 da RMS acumula alta de 3,86% no ano de 2026, ficando abaixo do registrado no Brasil como um todo (4,15%) e sendo o 2º mais baixo entre os 11 locais investigados separadamente.
Já no acumulado nos 12 meses encerrados em outubro, o IPCA-15 da RMS está em 4,33% e também é o 2º menor entre as 11 áreas pesquisadas, acima apenas da RM Curitiba/PR (2,43%). O resultado é inferior ao indicador nacional (4,62%).
O que muda na vida dos baianos?
A elevação do indicador de preços reflete na alteração das tabelas de valores aplicadas no comércio de alimentos, combustíveis e serviços.
- Alimentos mais caros: na cesta básica do baiano, itens como tomate, cebola, arroz e carne, essenciais no dia-a-dia, começa a ficar mais pesado para quem tem uma renda mensal menor que a média salarial, por exemplo.
- Famílias acabam precisando substituir marcas, cortar supérfluos ou reduzir a frequência de refeições fora de casa. Trabalhadores que dependem de almoço diário na rua sentem o encarecimento das refeições e lanches.
- Custo do lar mais caro: O avanço neste setor reflete altas em itens como aluguel residencial, taxa de água/esgoto, gás de cozinha (botijão) e/ou tarifas de energia elétrica.
- Impacto Social e Econômico: As famílias de baixa renda são as mais afetadas, pois o aumento no preço dos produtos e serviços comprometem quase a totalidade do ganho mensal com alimentação e custos habitacionais.
O que dizem os especialistas?
No índice geral, o IPCA-15 subiu 0,32% em outubro. O número representa uma desaceleração em relação a setembro, quando o indicador avançou 0,70%. Para especialistas, o resultado do mês foi uma "surpresa positiva", mas que o alívio ultrapassou o teto da meta.
"Não há contradição entre esses movimentos: a taxa mensal diminuiu, mas ficou acima dos 0,18% registrados em outubro do ano passado. Na comparação em 12 meses, a substituição daquela leitura mais baixa pela atual elevou o resultado acumulado. O dado, porém, exige cautela. Não houve alívio disseminado dos preços, e a maior pressão veio dos alimentos, sobre os quais os juros têm menor influência direta", disse Roberto Troster, economista e coordenador do CEFEB/Fipe.
De acordo com ele, o resultado abre possibilidades para um novo corte na taxa Selic, em 4 de novembro, quando acontecerá a próxima reunião do Comitê de Política Monetária, do Banco Central.
"Mas não assegura a continuidade das reduções. Isso dependerá do comportamento dos preços nos próximos meses. A desaceleração mensal é bem-vinda, mas ainda não demonstra uma trajetória consistente de queda da inflação", avaliou o especialista.