ECONOMIA
Pix: após críticas dos EUA, China quer parceria com sistema de pagamentos do Brasil
Banco Central da China destacou o avanço das discussões


Em meio às críticas dos Estados Unidos ao Pix, a China indicou interesse em ampliar a cooperação financeira com o Brasil por meio da integração de sistemas de pagamento e do fortalecimento das operações em moedas locais.
A sinalização foi feita em um comunicado divulgado pelo Banco Central chinês e ocorre no momento em que Washington questiona o modelo brasileiro em uma investigação comercial.
s Estados Unidos apontam o Pix como uma prática considerada "desleal", alegando que a atuação do Banco Central do Brasil como regulador do sistema financeiro e administrador da plataforma criaria vantagens em relação a empresas privadas de pagamento. O tema foi incluído em uma investigação que recomendou tarifas de 25% sobre exportações brasileiras.
Avanço no governo chinês
Enquanto isso, o Banco Central da China destacou o avanço das discussões realizadas durante o 4º Encontro do Grupo de Trabalho de Cooperação Financeira Estratégica China-Brasil, realizado em 9 de junho, em Xangai, com a participação do presidente do BC brasileiro, Gabriel Galípolo.
Segundo o comunicado, os representantes dos dois países discutiram formas de ampliar investimentos, financiamentos, pagamentos transfronteiriços e o uso de moedas locais nas operações comerciais. O texto também menciona o potencial do Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML) e a possibilidade de cooperação entre sistemas de pagamento para oferecer transações mais rápidas e eficientes ao comércio bilateral.
Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML)
Atualmente, o SML permite que empresas realizem negócios utilizando as moedas dos países participantes, sem a necessidade de conversão para o dólar. O mecanismo já é utilizado entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai e tem como objetivo reduzir custos e simplificar operações internacionais.
As conversas com a China ainda estão em estágio inicial e não há definição sobre um modelo de integração. No entanto, o interesse não é novidade: o governo chinês já havia demonstrado disposição para conectar seu sistema de pagamentos instantâneos ao Pix, em um movimento que acompanha a tendência global de buscar alternativas mais baratas e ágeis para transferências internacionais.
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O que o governo brasileiro diz?
Nos bastidores do governo brasileiro, a avaliação é de que a resistência dos Estados Unidos vai além da concorrência entre empresas de pagamento. A preocupação estaria relacionada ao avanço de sistemas que possam diminuir a dependência do dólar nas transações internacionais, já que hoje a moeda americana é utilizada na maior parte das operações entre países.
Apesar do interesse estrangeiro, o Banco Central brasileiro mantém o foco na segurança e na evolução do Pix. Uma eventual integração internacional ainda dependerá de acordos sobre governança, tecnologia e regras para a conversão entre moedas, o que torna o processo complexo e sem prazo definido.


